Novo porta-voz do cartel dos cegonheiros percorre o país atacando concorrente do esquema que controla mais de 90% dos fretes no país

São Paulo - Pátio de montadora em São Bernardo do Campo

Sem condições de oferecer inovação, gestão eficiente e preços competitivos, representantes do cartel do cegonheiros recorrem a campanhas difamatórias para assegurar o controle do mercado de transporte de veículos novos no país. A Transportes Gabardo é o alvo do mais novo porta-voz dessa organização criminosa (segundo a Polícia Federal, Gaeco e Cade).

Recém-chegado ao cartel dos cegonheiros, depois de passar duas décadas combatendo essa organização criminosa que controla mais de 90% do transporte de veículos novos no país, Afonso Rodrigues de Carvalho tornou-se o algoz da única transportadora de grande porte que não integra o esquema que, só no ano passado, causou prejuízo superior a R$ 3,4 bilhões aos consumidores por conta do ágio de 40% cobrado no valor dos fretes. O setor é refém de dois grupos econômicos – Sada e Tegma, contando com o braço político representado pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros, o Sinaceg, já condenado em segunda instância por participação em cartel -, cujos executivos já são réus, foram denunciados e ou estão sob investigação de formação de cartel, associação criminosa, eliminação da concorrência, divisão do mercado e fixação artificial de preços. 

Por trás das denúncias do ex-sindicalista de que carros zero-quilômetros estão sendo avariados no transporte em caminhões-cegonha e reparados em concessionárias sem o conhecimento dos compradores – uma prática generalizada no setor, atingindo todas as marcas e que deve ser combatida, sim – está a determinação do cartel em retirar as cargas da Transporte Gabardo. A empresa gaúcha, com sede em Porto Alegre, apostou nas marcas Hyundai e Caoa Chery e conquistou cinco por cento do mercado dominado pelos grupos Tegma e Sada. Os ataques contra a Gabardo também visam às novas concorrências que deverão ser abertas em breve para contratação de operadores logísticos por algumas montadoras.

Das várias campanhas difamatórias deflagradas pelo cartel dos cegonheiros contra a Transportes Gabardo, uma se destaca pela covardia e irresponsabilidade dos autores. Em 2003, a empresa gaúcha foi impedida de escoar os veículos produzidos pela Iveco (fábrica de caminhões da Fiat) devido a acusações de envolvimento com o tráfico de drogas que lhe foram atribuídas em anúncio pago, publicado no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul.

O autor das denúncias, Roberto Augusto, falecido no ano passado, não conseguiu provar nenhuma das acusações. Acabou processado e condenado a pagar indenização por danos morais. Não depositou um único centavo à vítima, por falta de condição financeira. Sem ajuda de pessoas ligadas ao cartel, ele dificilmente teria recursos para pagar o anúncio de página inteira. Recentemente, Augusto voltou à mídia, sendo acusado de supostamente fazer parte de um esquema de roubo de chaves canivete de veículos da marca Fiat.

A publicação mentirosa, segundo decisão da Justiça, foi suficiente para a Iveco justificar a exclusão da transportadora gaúcha. Em documento, a subsidiária da Fiat escreveu:

“A Gabardo, apesar de ter sido homologada tecnicamente, não será incluída no rol, por estar sendo alvo de acusações consideradas graves, não podendo a Iveco, como empresa multinacional idônea, ser ligada a tais fatos. Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser considerada.”

A montadora da Fiat preferiu seguir pagando até 70% mais caro pelo valor do frete à Sada Transportes e Armazenagens. O preço superfaturado foi confirmado em levantamento realizado pelo Ministério Público Federal (MPF).

A política de contratação de transportadoras parece ter mudado na Iveco. Hoje a “multinacional idônea” mantém como operadora logística empresa investigada pela Polícia Federal, Cade e Ministério Público de São Paulo por formação de cartel e associação criminosa, no âmbito da Operação Pacto. O dono da Sada, o político e empresário Vittorio Medioli, segundo Polícia Federal e Ministério Público do Rio Grande do Sul, é que comanda o cartel com atuação nacional.

Depois do acordo que fez com Vittorio Medioli, apontado pela Polícia Federal de chefiar o cartel dos cegonheiros, Carvalho, além de usar suas redes sociais, passou a percorrer veículos de comunicação em várias regiões do país (emissoras de rádio, televisão, jornais e sites) para desqualificar a Gabardo e seu proprietário, o empresário Mário Sérgio Gabardo. Ele vem acumulando derrotas na Justiça.

Aqui vale um registro. Esta matéria começou afirmando que as transportadoras do cartel não têm condições de oferecer inovação, gestão eficiente e preços competitivos. Quem escreveu isso não foi nenhum repórter do site Livre Concorrência. Foi a própria Volkswagen. A montadora alemã, cansada de ceder aos desmandos do cartel, assumiu em 2017 o pioneirismo da indústria automobilística ao denunciar o cartel dos cegonheiros. Em documento enviado à Justiça, a montadora revelou o conluio formado por transportadoras e cegonheiros de São Paulo para pressionar a marcar a desistir da contratação de novos transportadores “com melhores condições técnicas e financeiras”.

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