Falta de livre concorrência custou mais de R$ 1,4 bilhão aos consumidores de veículos novos em 2017

A falta de livre concorrência no transporte de veículos novos custou aos consumidores brasileiros mais de R$ 1,4 bilhão em 2017. O valor revela o ágio de 25% cobrado por empresas que integram o cartel dos cegonheiros. Ao todo, as poucas transportadoras que dominam mais de 95% dos fretes do setor receberam das principais montadoras instaladas no país R$ 5,779 bilhões no ano passado.

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Para chegar ao prejuízo bilionário imposto às montadoras e integralmente repassado aos consumidores, o site Livre Concorrência usou a mesma equação empregada pelo Ministério Público Federal (MPF) para estimar as perdas perpetradas pelo cartel dos cegonheiros entre 1997 e 2014. Nesse período, os consumidores pagaram a mais ao cartel R$ 7,7 bilhões em ágio.

O cálculo do MPF leva em consideração três variáveis:
– Valor de mercado do frete (com livre concorrência);
– Valor do serviço fixado por empresas que praticam o alinhamento de preços do transporte de veículos novos (25% a mais do que no mercado com livre concorrência);
– Valor total do veículo, no qual o frete mais caro cobrado pelo cartel integra os custos de produção.

Com base nisso, foi calculado o ágio sobre o total de vendas de cada modelo, conforme dados publicados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). O site Livre Concorrência considerou o valor médio dos modelos mais acessíveis das diversas categorias oferecidas no mercado nacional.

Cartel cobra R$ 3 mil por veículo transportado
Em 2017 foram vendidos aos consumidores brasileiros 1.872.670 automóveis e utilitários leves, segundo dados da Fenabrave. Se esse montante for dividido pela estimativa de faturamento das empresas do cartel, o frete de cada veículo custa, em média, R$ 3 mil.

O chefe do cartel e líder da associação criminosa que controla o setor é Vittorio Medioli. O papel do empresário, dono do grupo Sada, e político mineiro no esquema foi revelado pela Polícia Federal, em inquérito que atualmente tramita no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, por conta do foro a que o prefeito de Betim tem direito. Sada, em conluio com o grupo Tegma e com o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam), formam o cartel dos cegonheiros. A entidade sindical paulista é considerada o braço político da associação criminosa que controla o segmento com mão de ferro.

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