Editorial – A indústria com medo pede socorro

A deflagração da Operação Ciconia (29/8/2023) — segunda fase da Operação Pacto (19/10/2019) — foi a gota d’água para que o nosso entrevistado de hoje decidisse pela concessão da entrevista tão aguardada. Mister fez revelações impressionantes sobre o camuflado clima de tensionamento que envolve o alto escalão da indústria automobilística do Brasil. Na verdade, não acredito, após a longa conversa, na tensão. O que impera, efetivamente, é o medo. Por isso, a autoria do pedido de socorro, lamentavelmente, em pleno 2023, precisou ser protegida, tal o nível de alta periculosidade que cerca e ronda o bilionário mercado das cegonhas.

Mister não disse claramente, mas deixou nas entrelinhas, que gostaria mesmo é de poder conceder entrevista sobre esse delicado assunto, citando seu nome, a multinacional para a qual trabalha atualmente e, inclusive, autorizando a publicação de sua foto estampando um sorriso animador. Mas não é o que pode ocorrer nesse momento delicado. É hora de pedir socorro. Claramente expeliu um grito pedindo “liberdade”, do tipo: queremos contratar quem melhor nos atende, mas também queremos que as pessoas cheguem vivas ao destino junto com nossas cargas intactas.

Incêndios criminosos, eliminação da concorrência, greves e bloqueio de fábricas, além de pressões políticas e econômicas, fazem parte das retaliações deflagradas pelo cartel dos cegonheiros para desencorajar montadoras a contratar novas transportadoras. Vale a pena conferir matéria produzida pela nossa reportagem, em junho de 2021. Mais uma vez fica evidente o medo que assola o setor.

É um apelo desesperador!
Ao conversar com o entrevistado – e sua assessoria – percebe-se, com clareza, que a segunda operação da Polícia Federal no mundo das cegonhas, a Ciconia,  trouxe uma espécie de alívio e esperança à indústria automobilística do Brasil. Após a deflagração da primeira fase, a operação Pacto, parece que as diligências criminais não tiveram o impacto da segunda fase, e o esquema continuou em operação normalmente, estrutura só abalada após o dia 29 de agosto deste ano. A “visita”, cedinho, às casas da vice-presidente do grupo Sada e do presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), está longe de ser considerado como um momento agradável.

O caminho está sendo trilhado. As regras para garantir a mudança estão nas mãos da autoridade antitruste, que investiga, mais uma vez, o mundo das cegonhas, desde 2016. Documentos que comprovam o conluio não faltam. E outros chegarão após a análise do material apreendido na Operação Ciconia. Foi necessário uma ação enérgica do Estado Brasileiro para tentar frear essa organização criminosa até então intocável.

Congresso Nacional
É preciso ficar alerta quanto a possíveis tentativas de invasão política no Cade. Há rumores de que gente graúda, alvo de buscas e apreensões, está percorrendo corredores do Congresso Nacional, na tentativa de arregimentar apoio para influenciar o trabalho altamente técnico desenvolvido até aqui pela autoridade antitruste. Fotos já estão circulando em redes sociais e aplicativos de mensagens com a identificação de possíveis sucessores do esquema ilícito.

Por fim, cabe sim, destacar e agradecer — sem jogar confetes — a forma cordial e profissional com que a equipe do site Livre Concorrência foi tratada por essa multinacional e seus colaboradores, desde as primeiras conversas, o que só engrandece o nosso trabalho em prol do consagrado direito à informação. Oxalá esse espírito ético-profissional, num futuro não muito distante, sirva de exemplo a ser seguido por tantos(as) colegas que atuam nesse tumultuado e agressivo segmento. (Foto meramente ilustrativa.)

Ivens Carús, editor.

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Um comentário sobre "Editorial – A indústria com medo pede socorro"

  1. Luiz Carlos Bezerra disse:

    Pois é amigos que sempre acompanham e leem essas magníficas matérias editadas nesse Portal lícito.
    Seu Editor Chefe merece respeito mesmo, pois ele sempre atuou em prol das nossas Leis Constitucionais. Simples assim.
    Dessa forma, só nos resta agora aguardar as Montadoras administrarem seu transporte de veículos, então produzidos em suas Plantas dos Estados da nossa Federação Nacional, não se sujeitando mais a baixarem suas “cabeças”, para a Facção Criminosa denominada “Cartel dos Cegonheiros”, atuante no nosso País há tantos anos, causando sérios prejuízos principalmente aos consumidores finais, ao adquirirem seus veículos 0 (zero) km, pagando Ágios cobrados pelo Cartel, que já deveria ter sido punido há muito tempo e seus comandantes e comparsas devidamente proibidos de causarem tantos escândalos, até mesmo, quando incendeiam equipamentos de outras Transportadoras de veículos, que tentaram trabalhar no ramo, não integrantes ao sistema fraudulento.
    Parabéns aos Órgãos competentes, que sempre atuaram seguindo a nossa Constituição Federal!
    Decretem o “Fim da Linha”, para esse Cartel, condenando também todos que operaram nesse ramo, de forma ilícita!
    Principalmente a Transportadora Sada, que lidera esse Cartel!
    SALVEM A NOSSA NAÇÃO BRASILEIRA!

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