A subordinação da Volkswagen ao cartel no Brasil

Montadora chegou a denunciar à Justiça como a organização que controla o transporte de veículos novos mantém montadoras dominadas, mas voltou atrás.

Em dezembro de 2017, a Volkswagen do Brasil enfrentou uma greve ilegal de cegonheiros-empresários ligados ao Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam, entidade já condenada por formação de cartel). O movimento que prejudicou o escoamento da produção foi apoiado, segundo petição da montadora enviada à Justiça de São Bernardo do Campo, pelas transportadoras Transauto, Tegma, Brazul, Transzero e Dacunha, essas três últimas de propriedade do grupo Sada. Houve pedido de liminar para a desobstrução dos acessos à fábrica, deferida pela Justiça paulistana.

Na petição, a VW afirmou que tais empresas estavam impedindo a montadora de buscar melhores condições técnicas e preços mais competitivos para escoar a produção (frete cegonheiro). Alegou, inclusive, que os valores cobrados eram mais elevados e por isso a VW estava colocando em curso o chamado BID, que é a cotação de preços para a realização do transporte dos seus veículos, o que revoltou os atuais transportadores.

Além disso, os advogados ressaltam que a relação entre a montadora e as transportadoras “sempre apresentou momentos de acentuada contenda, especialmente em razão da atuação de prepostos das empresas, conhecidos como cegonheiros, organizados em sindicatos”, a exemplo do Sinaceg.

Para os representantes da montadora, a união entre transportadoras e sindicatos proporcionou condições para a fixação de preços de fretes majorados e para a criação de reservas de mercado, em prejuízo da livre concorrência.

No entanto, menos de 24 horas depois de a Justiça conceder a liminar determinando a desobstrução da unidade fabril localizada em São Bernardo do Campo, a própria montadora anunciou acordo com as transportadoras denunciadas, cancelando o processo do BID. ‘’Foi um verdadeiro golpe branco no mercado’’, definiu um diretor de transportadora que estava participando do certame, que pediu para ter o nome preservado temendo represálias.

Essa não foi a primeira vez que a Volkswagen do Brasil agiu dessa forma, enganando outras transportadoras interessadas numa fatia do bilionário mercado. Em 2015, também sob o argumento de que estariam realizando uma cotação de preços, cegonheiros-empresários se revoltaram e paralisaram a montadora. Em seguida, a VW suspendeu o procedimento e o escoamento da produção voltou à normalidade com os mesmos transportadores..

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Um comentário sobre "A subordinação da Volkswagen ao cartel no Brasil"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É AMIGOS.
    ESSE PORTAL SEMPRE EDITA AS SUAS MATÉRIAS MUITO CLARAMENTE, SOBRE ESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA, DENOMINADA CARTEL DOS CEGONHEIROS.
    A MONTADORA VOLKS, REALMENTE TENTOU LUDIBRIAR A JUSTIÇA, SE FAZENDO DE VÍTIMA, E ASSIM CONSEGUIU, NAQUELA OCASIÃO. NÃO FOI MESMO?
    FIZERAM OS ENTÃO INVESTIGADORES DE “PALHAÇOS” MESMO.
    SENDO ASSIM, ELA (A MONTADORA), DEVERIA TER SIDO DEVIDAMENTE PUNIDA, POIS CERTAMENTE SEGUIRAM AS INSTRUÇÕES DO CARTEL, ATRAVÉS DE SEUS “COMANDANTES”. E NADA MUDOU, ATÉ OS DIAS DE HOJE.
    UM VERDADEIRO DESCASO COM AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS, PRINCIPALMENTE A DA “LIVRE CONCORRÊNCIA”.
    QUEM PAGA POR ISSO, ATÉ OS DIAS DE HOJE, SÃO SEM A MENOR DÚVIDA, AS DEMAIS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, POR NÃO PODEREM TRABALHAR NO RAMO E, OS CONSUMIDORES FINAIS, POIS PAGAM ÁGIO ÀS MONTADORAS ATÉ OS DIAS DE HOJE. AS MESMAS PAGAM AO CARTEL COM FRETES SUPERFATURADOS, E RECEBEM DE VOLTA DOS CONSUMIDORES. UMA VERDADEIRA FARRA CONTRA A NOSSA NAÇÃO!
    ONDE ESTÃO AS LEIS?
    ATÉ QUANDO VAMOS FICAR REFÉNS DESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA?

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