Ágio de cartel é sete vezes maior que faturamento das transportadoras independentes

Cartel dos cegonheiros controlou 92% dos fretes realizados em 2020 e concentrou 95% dos recursos gastos pelas montadoras para escoar a produção de veículos e utilitários leves comercializados no mercado interno.

Ágio cobrado pelo cartel dos cegonheiros é sete vezes maior do que faturamento bruto de transportadoras independentes em 2020. A organização criminosa que controla o setor – conforme apuração da Polícia Federal, Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Ministério Público Federal (MPF) – acumulou em ágio R$ 2,7 bilhões entre janeiro e dezembro do ano passado. Empresas não vinculadas ao esquema receberam das montadoras R$ 385,7 milhões.

Só nas vendas confirmadas para o mercado interno, o cartel embolsou R$ 6,9 bilhões para escoar 1.794.846 veículos novos. O total representa 92% dos veículos e comerciais leves transportados no período. Empresas independentes escoaram 147.343 unidades.

Se for considerado o valor bruto gasto em fretes, o cartel dos cegonheiros concentra 95% das despesas das montadoras: R$ 6,9 bilhões. As transportadoras independentes receberam apenas R$ 385,7 milhões.

Mesmo oferecendo mais tecnologia e menor preço (conforme denunciou a Volkswagen do Brasil), as empresas desvinculadas ao esquema que opera mediante divisão do mercado, fixação artificial de preço e eliminação da concorrência não conseguem romper os muros erguidos pelo cartel. A explicação é simples. As montadoras são vítimas (ou coniventes) da ação violenta de sindicatos que atuam como braço político e sindical das grandes transportadoras.

O ágio e a coerção sobre o setor foram confirmados pela Operação Pacto, deflagrada em outubro de 2019. Na ocasião, o delegado da Polícia Federal Rodrigo Sanfurgo, da Delegacia de Repressões a Crimes Fazendários em São Paulo, explicou como o cartel dos cegonheiros age para impedir a entrada de novas transportadoras no setor:

Se uma montadora escolhesse uma empresa fora desse cartel, ela (a montadora) era coagida com piquetes e queima de caminhões. Essa coação tinha, muitas vezes, a participação de um sindicato de transportadores do Espirito Santo.

Delegado federal Rodrigo Sanfurgo, Delegacia Repressões a Crimes Fazendários em São Paulo

Um dos casos mais gritantes de interferência do cartel dos cegonheiros sobre a decisão das montadoras de procurar novos prestadores de serviços ocorreu em São Paulo. Em 2017, uma greve bloqueou por 15 dias os acessos à planta da fábrica da alemã Volkswagen em São Bernardo do Campo. A manifestação (foto de abertura) foi organizada pelo cartel dos cegonheiros. A própria montadora denunciou a operação dos donos de transportadoras e revelou as entranhas do cartel.

Na “ação de manutenção de posse com pedido de liminar”, ajuizada pela Volkswagen do Brasil na Justiça de São Bernardo do Campo-SP, a montadora deixou claro que as empresas Transauto Transportes Especializados de Automóveis; Tegma, Gestão Logística; Brazul Transporte de Veículos; Transzero Transportadoras de Veículos e Dacunha (três empresas de propriedade do grupo Sada), junto com cegonheiros-empresários filiados ao Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam), participaram do cerco à fábrica. A demanda protocolada na Justiça não deixa dúvidas sobre a ilegalidade do movimento. Tudo acabou em mais um acordo entre montadora e cartel dos cegonheiros.

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Um comentário sobre "Ágio de cartel é sete vezes maior que faturamento das transportadoras independentes"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    CERTAMENTE OS DIRETORES DESSA MONTADORA, APÓS SE COOPTAR AO CARTEL, RESOLVERAM FECHAR ACORDOS CONTRATUAIS COM AS EMPRESAS AO MESMO VINCULADAS, TEMENDO ENTÃO QUE SEUS VEÍCULOS ORA FABRICADOS FOSSEM QUEIMADOS.
    DESSA FORMA, PERMANECEU O CARTEL ATUANTE ATÉ OS DIAS DE HOJE, O QUE É UM VERDADEIRO ABSURDO, ONDE SÓ QUEM FICA NO PREJUÍZO SÃO OS CONSUMIDORES FINAIS, AS TRANSPORTADORAS SÉRIAS, NÃO VINCULADAS AO CARTEL E PRINCIPALMENTE OS COFRES PÚBLICOS.
    SE A PF, O MPF E DEMAIS ÓRGÃOS INVESTIGADORES JÁ HAVIAM DEFLAGRADO ESSES ESCÂNDALOS. POR QUÊ ELES AINDA CONTINUAM ATUANDO DESSA FORMA CRIMINOSA ATÉ HOJE? EIS A QUESTÃO!
    SÓ NO BRASIL MESMO, QUE AS LEIS NÃO SÃO CUMPRIDAS E A CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO É RESPEITADA.
    JÁ MENCIONEI EM COMENTÁRIOS ANTERIORES E REFORÇO AGORA. POR QUÊ ESSAS TRANSPORTADORAS, O CARTEL E OS SINDICATOS AO MESMO VINCULADOS, AINDA EXISTEM ATUANTES NO BRASIL?
    ONDE ESTÃO AS LEIS?
    BASTARIA TEREM SIDO BANIDOS OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTOS DESSAS TRANSPORTADORAS, QUE ESSA FARRA SERIA ELIMINADA E, AS MONTADORAS TAMBÉM PENALIZADAS POR TEREM SIDO COOPTADOS. NÃO É MESMO?
    É POR ESSE MOTIVO QUE AS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS MENORES ESTÃO FALINDO EM NOSSO PAÍS!
    ALÉM DESSAS DO CARTEL TRANSPORTAREM VEÍCULOS NOVOS PARA OS DEMAIS ESTADOS DA FEDERAÇÃO, AINDA LEVAM VEÍCULOS SEMI-NOVOS, COMO RETORNO ÀS SUAS BASES, A PREÇOS ABAIXO DO MERCADO, FRAUDANDO ASSIM ATÉ ESSES TRANSPORTES, IMPEDINDO QUE AS DEMAIS TRANSPORTADORAS POSSAM ATUAR E CONSEGUIREM ASSIM OS SEUS “PÃOS DE CADA DIA”!
    EM MUITOS CASOS, OS PROPRIETÁRIOS DESSAS EMPRESAS DO CARTEL, NEM FICA SABENDO QUE OS SEUS CARRETEIROS ESTARIAM TRANSPORTANDO ESSES VEÍCULOS, OU FAZENDO AS FAMOSAS “VISTAS GROSSAS”, PARA BENEFICIAR SEUS CARRETEIROS, EM PARCERIAS, SEM ASSUMIR RESPONSABILIDADES.
    APUREM-SE! É PRA ISSO QUE EXISTEM OU DEVERIAM EXISTIR OS FAMOSOS POSTOS FISCAIS NAS ESTRADAS, NÃO É MESMO!
    ESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA TEM QUE SER PUNIDA IMEDIATAMENTE!

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