Ágio cobrado pelo cartel dos cegonheiros soma quase R$ 5 bilhões de prejuízo aos consumidores em 2023

Dos 2. 179.356 veículos e comerciais leves emplacados no ano anterior, 2.004.581 unidades foram transportadas pelo cartel dos cegonheiros. O conluio investigado por Polícia Federal, Cade e Gaeco de São Bernardo do Campo concentra mais 90% das cargas.

De São Paulo

Em 2023, o cartel dos cegonheiros recebeu das montadoras que mais venderam veículos e comerciais leves no mercado interno R$ 12,2 bilhões. Desse total, R$ 4,9 bilhões referem-se ao ágio decorrente da falta de concorrência no setor. O prejuízo da indústria automobilística é integralmente repassado ao consumidor. O segmento é controlado por dois grandes grupos econômicos (Sada e Tegma), com apoio de sindicatos patronais nacional e regionais.

MontadorasUnidades
emplacadas
Valor pago
pelos fretes
(em R$)
Ágio (em R$)
Fiat/Jeep602.4763.267,3 bilhões1,306 bilhão
VW + MAN345.8531.826,0 bilhão730,4 milhões
GM328.0201.761,9 bilhão704,7 milhões
Toyota192.2771.612,5 bilhão645,0 milhões
Renault126.270514,6 milhões205,8 milhões
Nissan72.548433,9 milhões173,5 milhões
Honda72.041469,7 milhões187,8 milhões
Hyundai (cartel)55.501195,7 milhões
Peugeot34.910154,9 milhões61,9 milhões
Citröen32.280138,1 milhões55,2 milhões
Ford28.711313,2 milhões125,226ww milhões
Mitsubishi18.715198,4 milhões79,3 milhões
BYD17.938154,0 milhões61,6 milhões
RAM16.951247,1 milhões98,8 milhões
BMW/Mini15.896294,0 milhões117,6 milhões
GWM11.479116,5 milhões46,6 milhões
Volvo8.185146,8 milhões58,7 milhões
Audi6.508111,3 milhões44,5 milhões
M.Benz5.771124,3 milhões49,7 milhões
Porsche5.229221,8 milhões88,7 milhões
Land Rover4.990159,9 milhões63,9 milhões
Iveco2.03226,1 milhões10,4 milhões
Totais2.004.58112,296 bilhões4,916 bilhões

Das mais de duas dezenas de montadoras cujas vendas no mercado interno foram analisadas por levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), apenas três não concentram o transporte de veículos novos em empresas vinculadas ao cartel dos cegonheiros. O domínio da organização criminosa dá-se inclusive em um momento em que o conluio responsável pela fixação artificial do preço dos fretes, divisão do mercado entre poucos operadores e o fechamento do mercado para o ingresso de novos prestadores de serviço está sob intensa investigação das autoridades.

Quatro anos depois da deflagração da Operação Pacto, a Polícia Federal, no âmbito de novo inquérito batizado de Operação Ciconia, foi autorizada pela Justiça a interceptar comunicação telefônica e telemática de 13 pessoas supostamente envolvidas no esquema ilícito que impede a livre concorrência.

A segunda investida da força tarefa que apura os supostos crimes praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros voltou a reunir Polícia Federal, Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Infelizmente as ações do Estado parecem não ser suficientes ainda para garantir a competitividade no segmento. Recentemente, duas montadoras (BMW/Mini e Jeep) foram obrigadas a recuar da decisão de contratar empresas que não integram o cartel. A BMW chegou a anunciar o rompimento do contrato com uma transportadora do cartel, após realizar concorrência internacional para contratar novo operador. Depois de imensa pressão, manteve a prestadora antiga – a Tegma Gestão Logística. Houve manifestação de cegonheiros em frente à fábrica, além de uma campanha internacional para assassinar a reputação dos concorrentes não alinhados ao esquema. BMW/Mini e Jeep gastaram com ágio em 2023 mais de R$ 560 milhões.

Dos 2. 179.356 veículos e comerciais leves emplacados no ano anterior, 2.004.581 unidades foram transportadas pelo cartel dos cegonheiros. O conluio investigado por Polícia Federal, Cade e Gaeco de São Bernardo do Campo concentra mais 90% das cargas. As cinco montadoras líderes de vendas no país entregaram ao cartel 1.468.626 veículos para serem transportados até as concessionárias. Apenas esse montante representa quase 70% das unidades emplacadas no mercado nacional.

O levantamento de dados feito pela reportagem do site Livre Concorrência para calcular o prejuízo imposto aos consumidores pelo cartel dos cegonheiros leva em conta os números revelados oficialmente pela Fenabrave e a equação montada pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, aliadas às informações da Polícia Federal, Gaeco e Cade. Segundo o MPF-RS, o frete representa 4% do valor do veículo e o ágio representa 25% desse total. Após as diligências criminais da Operação Pacto, Polícia Federal, Gaeco e Cade corrigiram esse percentual e anunciaram, em entrevista coletiva, que o sobrepreço chega a 40%. A reportagem usa a média de preço dos modelos contidos no levantamento da Fenabrave.

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Um comentário sobre "Ágio cobrado pelo cartel dos cegonheiros soma quase R$ 5 bilhões de prejuízo aos consumidores em 2023"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É AMIGOS. O QUE PODERÍAMOS COMENTAR SOBRE ESSA MATÉRIA BOMBÁSTICA, ONDE O CRIMINOSO “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, COMANDADO POR CRIMINOSOS, CONTINUA A ATUAR EM NOSSA NAÇÃO BRASILEIRA ATÉ OS DIAS DE HOJE, CAUSANDO SÉRIOS PREJUÍZOS AOS CONSUMIDORES FINAIS, QUANDO ADQUIREM SEUS AUTOMÓVEIS NOVOS, PRODUZIDOS NESSAS MONTADORAS, QUE SEMPRE FORAM OBRIGADAS A OPERAR COM ESSA FACÇÃO TERRIVELMENTE PERIGOSA, ONDE O MAIOR LÍDER É UM POLÍTICO E PREFEITO DE UM MUNICÍPIO MINEIRO, AO QUAL JÁ DEVERIA TER SIDO IMPEACHMADO DESSAS FUNÇÕES, HÁ MUITOS ANOS. QUE É O PROPRIETÁRIO DO GRUPO “SADA”!
    SENDO ASSIM, O QUE ESPERAR PARA OS DIAS VINDOUROS.
    ATÉ A FENABRAVE, TEM INFORMADO QUE O CRESCIMENTO DAS VENDAS DESSES AUTOMÓVEIS ZERO KM, TEM SIDO ELEVADO, NOS ÚLTIMOS ANOS. A PERGUNTA QUE FICA NO AR É: POR QUÊ SERÁ QUE NÃO ATUARAM EM PROL DOS CONSUMIDORES FINAIS, E DEIXARAM TUDO ISSO ACONTECER À REVELIA, ATÉ OS DIAS DE HOJE?
    CUMPRAM AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS, E DETONEM ESSE CARTEL DE NOSSA PÁTRIA AMADA: BRASIL. IMEDIATAMENTE!
    ASSIM ESPERAMOS!
    AS LUTAS DE LONGAS DATAS DESSE MAGNÍFICO PORTAL, DA LIVRE CONCORRÊNCIA, É LONGA, E NUNCA VIMOS ESSES COMENTÁRIOS NA MÍDIA JORNALÍSTICA. POR QUÊ SERÁ?

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