Mesmo na pandemia, ágio no frete de veículos novos impõe prejuízo de R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre

O valor pago a mais pelas montadoras alinhadas ao cartel dos cegonheiros é repassado integralmente aos compradores de cada marca. O ágio – segundo o Ministério Público Federal, Polícia Federal, Gaeco e Cade – pode chegar aos 40% e tem como principal motivo impedir o ingresso de novos agentes no bilionário mercado, o que afeta diretamente a livre concorrência. De janeiro a junho, o cartel abocanhou nada menos do que R$ 4,1 bilhões a título de frete.

A pandemia, aliada aos problemas enfrentados por diversas montadoras de veículos por falta de componentes, não impediu que o cartel dos cegonheiros – uma organização criminosa que controla com mãos de ferro o setor de transporte de veículos novos – impusesse, somente no primeiro semestre deste ano, prejuízo de R$ 1.617.198.982,00 aos compradores de 913.943 veículos zero-quilômetro. Outros 86.184 veículos (e comerciais leves) foram comercializados, mas transportados por empresas que não participam do sistema cartelizante. O total de veículos novos vendidos somente no mercado interno chegou aos 1.000.127, segundo dados revelados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).

O grupo FCA (Fiat-Jeep-Chrysler) continua liderando o pagamento de ágio – por falta de concorrência – às transportadoras acusadas de formação de cartel. Neste primeiro semestre, o prejuízo repassado aos compradores das três marcas chegou aos R$ 484 milhões para um universo de 307.003 veículos comercializados. Ao todo, o grupo pagou, a título de frete a essas transportadoras, a quantia de aproximadamente R$ 1,21 bilhão. Em segundo lugar, se mantém a Volkswagen, que impôs ágio de R$ 256,8 milhões aos compradores da marca, pelo mesmo motivo: falta de concorrência. Ao cartel, os consumidores entregam, a título de frete, R$ 642,1 milhões para transportar os 166.875 veículos comercializados no período (janeiro a junho). A General Motors do Brasil, condenada por formação de cartel, vendeu 124.605 veículos, pagando R$ 503,9 milhões para transportar sua produção destinada ao mercado interno. Desse total, R$ 201,5 milhões correspondem a ágio pago pelos compradores da marca.

Enquanto as autoridades constituídas não adotarem medidas coercitivas eficazes, o cartel continuará impondo prejuízo aos compradores de veículos zero-quilômetro, com a conivência de montadoras que mantém, há anos, o mesmo sistema cartelizante para o escoamento da produção.

Equação
Os números apresentados, que indicam o tamanho do ágio e o dos fretes cobrados, surgem a partir da seguinte equação: a equipe do site Livre Concorrência tem por base, o número de veículos comercializados no mercado interno, divulgado oficialmente pela Fenabrave. De posse desses dados, é levantado o preço médio de venda de cada modelo de veículo. Numa segunda etapa, é aplicado o percentual de 4% sobre o preço de venda para definir o custo do frete. Esse percentual é apontado pelo Ministério Público Federal como a média cobrada e incluída no preço final do veículo pelas montadoras. Na fase final, aplica-se, ao valor do frete, o percentual de 40%, estabelecendo-se o valor do ágio cobrado pelas transportadoras das montadoras, e repassados integralmente para os compradores. Esse percentual foi divulgado pela Polícia Federal, ao deflagrar a Operação Pacto, realizada em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

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Um comentário sobre "Mesmo na pandemia, ágio no frete de veículos novos impõe prejuízo de R$ 1,6 bilhão no primeiro semestre"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    É MEUS AMIGOS QUE SEMPRE ACOMPANHAM AS BRILHANTES MATÉRIAS POSTADAS NESSE PORTAL, CONTRA AS ATUAÇÕES DO CARTEL DOS CEGONHEIROS, QUE AGE HÁ MUITO TEMPO, SUCATEANDO OS VALORES DOS FRETES, COM OS ÁGIOS ENTÃO COBRADOS ÀS MONTADORAS (QUE ACEITAM POR MEDO DE REPRESÁLIAS DE GOLPES), ONDE NÃO TEM NENHUM PREJUÍZO FINANCEIRO, POIS TAIS VALORES COBRADOS A MAIS, SEMPRE SÃO REPASSADOS AOS CONSUMIDORES FINAIS, QUE ADQUIREM SEUS VEÍCULOS NOVOS, NESSE NOSSO PAÍS. UM VERDADEIRO ABSURDO; CONFORME MUITO BEM ESPECIFICADO ACIMA.
    ATÉ QUANDO ELES CONTINUARÃO AGINDO DESSA FORMA?
    POR QUÊ TAIS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, AINDA POSSUEM SEUS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTOS, ATÉ OS DIAS DE HOJE, SE TODOS ESSES FATOS SÃO REAIS?
    É UM CRIME HEDIONDO, QUE ALÉM DE IMPEDIREM QUE OUTRAS A TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, INGRESSEM NO SISTEMA, AINDA CAUSARAM TANTOS INCÊNDIOS EM SEUS EQUIPAMENTOS, ATÉ MESMO QUEIMANDO VEÍCULOS ENTÃO PRODUZIDOS.
    ATÉ QUANDO FICAREMOS REFÉNS DESSES ABSURDOS.
    POR QUÊ ESSE CARTEL AINDA EXISTE, ASSIM COMO OUTROS EM VÁRIAS ATIVIDADES OPERACIONAIS NO BRASIL?
    COMO CITA O PORTAL, A FCA (Fiat-Jeep-Chrysler) SÓ LIDERA ESSE ÁGIO, POR CAUSA DAS ATUAÇÕES DO CARTEL, QUE SEMPRE PROIBIU A ENTRADA DE OUTRAS TRANSPORTADORAS NO SISTEMA, COM PREÇOS DE FRETES SEM A COBRANÇA DE ÁGIOS.
    SERÁ QUE NESSE NOSSO PAÍS, OS CRIMES COMPENSAM?
    ATÉ QUANDO ISSO VAI PERDURAR?
    CUMPRAM-SE AS LEIS, NOBRES INVESTIGADORES E, PUNAM OS RÉUS DESSAS AÇÕES, IMEDIATAMENTE!
    DOA A QUEM DOER!

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