Cartel dos cegonheiros faz pressão e impede carregamentos de transportadora independente na montadora Jeep

Nem mesmo o fato de a Polícia Federal ter vasculhado, havia três anos, transportadoras de veículos do grupos Sada e Tegma, além de um sindicato patronal de cegonheiros, causou temor à organização criminosa que controla mais de 90% do transporte de veículos novos no país. Na semana passada – depois de espalharem mensagens pelo whats anunciando uma reação à contratação de transportadora que não integra o esquema que cobra das montadoras e, por consequência, dos consumidores, 40% de ágio no valor dos fretes – o cartel excluiu ilegalmente da planta da Jeep, em Pernambuco, a transportadora gaúcha que iniciava as operações de transporte. Investigações e ações penais não inibem os crimes contra a ordem econômica.

De Pernambuco

O que parecia ser o início da abertura do bilionário mercado de transporte de veículos zero-quilômetro, com a contratação da Transportes Gabardo para escoar parte da produção da planta da Jeep em Goiana (PE), durou menos de 24 horas. A pressão exercida por integrantes do cartel dos cegonheiros – investigado, denunciado e processado em vários procedimentos em curso – levou a imediata suspensão dos carregamentos da transportadora gaúcha, que tem sede em Porto Alegre (RS) e que se nega a participar do conluio envolvendo os grupos Sada e Tegma, em parceria com vários sindicatos patronais regionais de cegonheiros-empresários, ciceroneados pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros (SInaceg).

Depois de anunciada reunião entre diretorias da Sada e da Stellantis em Betim (MG), divulgada por cegonheiros-empresários integrantes do cartel dos cegonheiros – uma organização criminosa que causa prejuízo superior a R$ 3 bilhões por ano aos consumidores por falta de concorrência – através do aplicativo WhatsApp, a submissão foi imediata. A fábrica da Jeep, localizada em Goiana (PE), encontrou uma forma de voltar atrás e suspender o escoamento de parte da produção de veículos que estava sendo transportada pela Transportes Gabardo. A Sada, segundo áudios recebidos pela reportagem, “travou as chamadas em Betim”, impedindo o transporte para o mercado nacional. As mensagens não deixaram dúvidas sobre a intervenção da Sada no comando da Stellantis:

“Enquanto a diretoria da Fiat não explicar isso aí, o que está acontecendo, não terá chamada não.”

No dia seguinte à suspensão das operações da Transportes Gabardo, cegonheiros-empresários integrantes do cartel comemoraram, sem perder a oportunidade de acusar a empresa gaúcha:

“Pessoal, os veículos da Jeep para o Chile serão transportados pelos frotistas da Sada e não mais pela empresa que costuma na calada da noite entrar pelos portões dos fundos pra querer tomar as cargas dos outros. O esquema que possam ter montado para chegar na calada da noite já foi desmontado.”

A assessoria de imprensa da Stellantis leu o texto encaminhado pelo site Livre Concorrência, mas não quis explicar como seria possível uma transportadora “entrar na calada da noite” e carregar veículos da marca Jeep com toda documentação exigida, inclusive para fins de transporte internacional, já que os veículos destinam-se à exportação para o Chile .

O mesmo aconteceu com a Gefco Logística do Brasil (Stellantis possui 25% do seu capital social), que teria sido a empresa de logística que contratou a transportadora gaúcha.

O site Livre Concorrência fez os seguintes questionamentos:

Para Stellantis
“Recebemos essas informações de líderes sindicais afirmando que a Gabardo teria entrado pela ‘porta dos fundos’ para carregar veículos Jeep. E que a Sada retomou as cargas. Assim, queria saber se a Stellantis pode se manifestar, principalmente a respeito de como uma transportadora entra pela porta dos fundos e carrega Jeep para o Chile por via terrestre? Isso é possível? Afinal, a montadora não entrega os veículos para transporte mediante contrato firmado com as operadoras de logística e/ou transportadoras?”

Stellantis silenciou.

Para a Gefco
“Publicamos notícia sobre o início do transporte de alguns veículos Jeep pela Transportes Gabardo. Vinte e quatro horas depois houve a suspensão dos carregamentos. Recebemos aqui uma série de mensagens do aplicativo whats de cegonheiros vinculados ao chamado cartel dos cegonheiros, avisando que fariam movimento contra o ingresso dessa transportadora no escoamento de parte da produção da Jeep. O sr pode esclarecer o que efetivamente ocorreu?”

Gefco também silenciou.

A reportagem ainda tentou ouvir a Transportes Gabardo, mas não obteve retorno.

Calada da noite
A expressão “calada da noite” foi usada pelo porta-voz do cartel dos cegonheiros mais estridente, recém-incorporado a peso de ouro, depois de acordo milionário firmado no gabinete do prefeito de Betim (MG) e proprietário do grupo Sada, Vittorio Medioli. O destempero desse personagem ao tomar conhecimento do início das operações da Transportes Gabardo foi desproporcional e deve ter irritado os atuais patrões. Chegou a exigir do site Livre Concorrência a confirmação de BID (concorrência) pela Jeep para contratar a empresa gaúcha. A pauta é boa. A montadora não nos respondeu. Talvez responda ao Cade. O órgão antitruste está investigando como as transportadoras do cartel foram contratadas e recontratadas nas últimas décadas sem a realização de BIDs. Ainda sobre esse tipo de concorrência, o site pode começar falando dos BIDs cancelados por pressão do cartel dos cegonheiros, sempre na calada da noite. Leia mais clicando aqui: Montadoras seguem reféns das pressões do cartel dos cegonheiros.

Ainda sobre o porta-voz do cartel. Este empresário cegonheiro passou mais de 20 anos atacando a organização criminosa que agora o acolheu. Pediu, após o acordão que pode ter envolvido mais de R$ 34 milhões, para as pessoas e autoridades desconsiderarem o que dissera nas últimas duas décadas.

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Um comentário sobre "Cartel dos cegonheiros faz pressão e impede carregamentos de transportadora independente na montadora Jeep"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    É INCRÍVEL, SABERMOS QUE A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, ARTIGO 170, TEM SIDO DESRESPEITADA POR TANTOS ANOS, EM NOSSO PAÍS.
    ESSE CARTEL CRIMINOSO, ASSIM COMO TANTOS OUTROS, EXISTENTES NO BRASIL, ATUAM POR TEMPOS, CAUSANDO SÉRIOS PREJUÍZOS ECONÔMICOS E, LEVANDO AO CAOS NOSSA NAÇÃO, ATÉ MESMO COM CASOS DE ATAQUES AOS CONCORRENTES, PROIBINDO QUE A LIVRE CONCORRÊNCIA EXISTA.
    ISSO É UM FATO LAMENTÁVEL.
    ESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA JÁ DEVERIA TER SIDO EXTINTA HÀ MUITO TEMPO E TODOS OS SEUS LÍDERES, PRINCIPALMENTE O ESTRANGEIRO, DE NACIONALIDADE ITALIANA, E SEUS COOPTADOS, JAMAIS PODERIAM ATUAR NESSE SEGUIMENTO DE TRANSPORTE DE VEÍCULOS NOVOS PRODUZIDOS AQUI NO BRASIL.
    NO ESTADO DE PERNAMBUCO, SÓ EXISTE UM SINDICATO LEGÍTIMO, DA CATEGORIA PATRONAL (O SINTRAVEIC-PE), DESSES TRANSPORTES E, JAMAIS PARTICIPARIA DESSA FACÇÃO CRIMINOSA.
    ONDE ESTÁ O RESPEITO A CONSTITUIÇÃO ACIMA CITADA?
    CONTINUO INSISTINDO EM DIZER: “POR QUÊ A JUSTIÇA NÃO MANDOU ATÉ HOJE, CANCELAR OS RESPECTIVOS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO, DAS TRANSPORTADORAS ENTÃO VINCULADAS AO SISTEMA CRIMINOSO?” SÓ ASSIM O CITADO CARTEL DOS CEGONHEIROS, DEIXARIA DE EXISTIR! OS PREJUÍZOS ECONÔMICOS CAUSADOS À NOSSA NAÇÃO, SÃO INCALCULÁVEIS E, OS CONSUMIDORES FINAIS, SÃO AS PRINCIPAIS VÍTIMAS DESSE SISTEMA, ASSIM COMO AS EMPRESAS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, QUE SEMPRE FORAM PROIBIDAS DE EXERCEREM SUAS FUNÇÕES PROFISSIONAIS.
    SALVEM O NOSSO BRASIL!
    CUMPRAM AS NOSSAS LEIS, IMEDIATAMENTE!
    ESSA MATÉRIA, COMO TANTAS OUTRAS, DESSE PORTAL, SÃO SEMPRE BRILHANTES, MAS NOS DEIXA MUITO PREOCUPADOS MESMO!

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