Cegonheiro-empresário que denunciou cartel por 20 anos e mudou de lado tem nove bens bloqueados pela Justiça

Ação é movida pela Transportes Gabardo, que tem sede em Porto Alegre e cobra dívida de R$ 2,1 milhões do cegonheiro-empresário que atuou na empresa por 24 anos. À época, o réu denunciava a existência do cartel dos cegonheiros. Em 2021, firmou acordo milionário com o político e empresário Vittorio Medioli, quando passou a atacar a transportadora gaúcha e seu proprietário.

Do Rio Grande do Sul

O juiz Leandro Raul Klippel, da 12ª vara cível da comarca de Porto Alegre (RS), determinou o bloqueio de nove bens do cegonheiro-empresário Afonso Rodrigues de Carvalho, da empresa Transportes Magaiver, e do filho de Carvalho, Richard Deken de Carvalho (incluído na ação como interessado). A medida visa tentar assegurar o pagamento de uma dívida de R$ 2,1 milhões atribuída aos réus pela empresa Transportes Gabardo, onde Carvalho atuou durante 24 anos. Nesse período, apresentou dezenas de denúncias contra o chamado cartel dos cegonheiros, inclusive fora do país. Após firmar acordo milionário com o prefeito de Betim (MG) e proprietário do grupo Sada, Vittorio Medioli, Carvalho passou a atacar a empresa para a qual prestou serviços e a operar nas transportadoras que acusou no passado, por meio de empresa Transrdc, registrada inicialmente em nome da cunhada.

Antes de promover o bloqueio dos bens de Carvalho, o magistrado lançou ordem de indisponibilidade de recursos em contas correntes por intermédio do sistema Sisbajud. No entanto, a medida, segundo escreveu o juízo, “apresentou resultado negativo (réu/executado sem saldo positivo). Diante do resultado infrutífero da penhora Ssbajud, foi efetuada consulta dos veículos existentes em nome dos executados, através do sistema Renajud, conforme comprovantes”. Apesar de não ter recursos em contas correntes, segundo o Sisbajud, Carvalho viajou neste mês para Frankfurt, na Alemanha, acompanhado de Eduardo Mendes Ermel. Só o custo do transporte aéreo envolveu R$ 16.996,48.

Klippel também determinou restrições totais aos bens, que incluíram quatro semi-reboques (carretas para transporte de veículos), dois caminhões Volkswagen, um automóvel Toyota Etios e uma camioneta Toyota Hilux, além de uma casa da praia de Xangri-lá, pertencente ao município de Capão da Canoa, localizado no litoral norte do Rio Grande do Sul. As restrições incluíam a proibição de circulação dos veículos que estavam impedidos de circular.

Atendendo a solicitação da defesa dos réus, o magistrado reduziu as restrições que eram totais sobre os veículos. Destacou que o devedor esclareceu que os automóveis gravados com restrição de circulação, se tratam de semi-reboques, utilizados para transporte de veículos de de terceiros pelo território nacional, de forma que os gravames oriundos do Renajud têm a potencialidade de embaraçar as atividades empreendidas pela pessoa jurídica executada.

Klippel decidiu:

“… entendo plausíveis os argumentos expostos. Desse modo, cancelei todas as restrições de circulação dos veículos do executado, mantendo, por outro lado, as restrições de transferência e de penhora, a fim de, ao menos por ora, assegurar a vinculação à presente execução de parte do patrimônio do devedor, mormente em razão de que até o presente momento não foi possível nem a quitação do débito, nem outra forma de solver a dívida”.

O magistrado foi mais longe:

“Inclua-se o filho do executado Afonso, sr. Richard Deken de Carvalho, como interessado. Após, intime-se aquele para que responda à alegação de fraude à execução, em virtude da suposta simulação na alienação do imóvel de matrícula …. dentro de 15 dias.”

A reportagem tentou ouvir a manifestação de Carvalho, mas ele não deu retorno.

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Cegonheiro-empresário que denunciou cartel por 20 anos e mudou de lado tem nove bens bloqueados pela Justiça"

  1. Luiz Carlos Bezerra disse:

    Pois é amigões que sempre acompanham na íntegra, todas as matérias desse maravilhoso Portal, onde até o ilustre Editor Chefe do Portal, sempre sofreu muitos ataques dessa Facção Criminosa, denominada “Cartel dos Cegonheiros “!
    No mundo, onde existem muitos Corruptores (como o líder dessa quadrilha, que nem precisamos citar seu nome, o italiano), só corrompe “Corruptos”, mesmo. Como é o caso desse “Magayver”!
    Sendo assim, só nos resta aplaudir, as decisões Judiciais em pauta.
    CUMPRAM AS LEIS, SEM PERDÃO!
    Salvem o nosso País!
    Lugar de bandidos é na cadeia!

Os comentários estão encerrados