Depoimento coloca em xeque intenção de procurador da República

Na iminência de responder por supostos crimes de denunciação caluniosa e contra a administração da Justiça, no mais recente depoimento, José Carlos Rodrigues, conhecido como Pernambuco, fez novas revelações que podem colocar em xeque a intenção revelada por representante do Ministério Público Federal que investiga a já descartada suspeição sobre um delegado federal gaúcho.

De São Paulo

O mais recente depoimento prestado por José Carlos Rodrigues (Pernambuco) à Polícia Federal trouxe revelações impactantes. Ouvido, em fevereiro de 2022, pelo delegado federal Cícero Strano Moraes, em São Paulo, na presença do seu advogado Rodrigo Ramos, ele ressaltou que ao procurador da República Steven Shuniti Zwicker (foto de abertura), em São Bernardo do Campo (SP), não citou supostas irregularidades envolvendo a PF gaúcha nem que o delegado responsável pela oitiva tenha registrado algo que não tenha dito. As informações vão contra a intenção manifestada pelo procurador em conversa gravada por vídeo com um analista, que acabou vazando por problemas de ordem técnica da sede do MPF e publicadas pelo site Livre Concorrência. Zwicker antecipou que iria arquivar o inquérito civil, enviando correspondência aos demais órgão de Estado, alertando sobre o comprometimento de todos os procedimentos surgidos a partir do depoimento de Pernambuco à PF do Rio Grande do Sul, prestado em setembro de 2012.  Na nova versão (a terceira) não foi mencionado qualquer episódio de oferta de recursos ou recebimento de valores em escritório de advocacia localizado em Porto Alegre (RS) para prestar falsas afirmações.

No documento que a reportagem teve acesso com exclusividade, Pernambuco foi contundente na oitiva realizada em 10 de fevereiro de 2022, quando a autoridade policial voltou a questionar sobre a conversa que manteve com o procurador Steven Zwicker. De acordo com o delegado, o depoente afirmou que ”não narrou para ele [o procurador] qualquer irregularidade envolvendo a Polícia Federal, e em nenhum momento a Polícia Federal teria registrado um depoimento que o declarante não tivesse prestado”.

Em outra parte da oitiva, Pernambuco acrescentou que foi “ameaçado por duas pessoas, Zé da Araguaia (Irineu Carrara) e Marcos Peidão” e que essas pessoas não são policiais federais, e sim motoristas de caminhões-cegonha, as quais “obrigaram” o declarante a comparecer na Polícia Federal de Porto Alegre [em 2012], inclusive “mostrando um revólver”. O MPF investigava uma suposta oferta de R$ 2 milhões atribuída a algum representante da Transportes Gabardo para que Pernambuco fizesse falsas afirmações, o que não é citado na mais recente manifestação em sede de inquérito policial. Pagamentos que teriam sido feitos em um escritório de advocacia de Porto Alegre, da mesma forma não foram citados. Ele também declarou que os custos e demais despesas de viagens a Porto Alegre foram pagas por Zé e Marcos. Acrescentou ter sido “usado” pelos dois cegonheiros e acabou prestando as declarações conforme foi “obrigado por eles”.

Pernambuco revelou ao delegado de São Paulo, não ter conhecimento se a Polícia Federal gaúcha sabia que o declarante “estava mentindo”. No depoimento de 2012, ainda segundo afirmou Pernambuco, “eventualmente foi o Foro em Porto Alegre”, mas que não tem muita recordação disso, porque teve “Covid e ficou com parte da memória e um braço prejudicados”. Lembra que entrou lá (no Foro), “tinha um juiz, conversou por dez minutos, enquanto Marcos e Zé ficaram do lado de fora”. Ainda com referência ao depoimento de 11 anos atrás, Pernambuco argumentou que na PF “tinha uma moça presente”, mas não sabe dizer se era policial, mas que trabalhava com o delegado, e que a autoridade policial “perguntava” e ele “respondia”. Ela “anotava”, mas que também não se recorda se “assinou ou não o depoimento”. Ele garantiu “não ter mentido” ao MPF de São Bernardo do Campo.

A reportagem fez contato com Irineu Carrara (Zé da Araguaia) e Marcos (Peidão). Ambos não quiseram se manifestar. O mesmo ocorreu com a Transportes Gabardo, empresa que manifestou, por um de seus advogados, interesse em apresentar manifestação pública, mas até o fechamento da edição, não respondeu.

O procurador Steven Shuniti Zwicker também foi procurado pela reportagem por meio da Assessoria de Comunicação Social do MPF-SP. Até o momento do fechamento da edição não se manifestou.

Já o advogado de Pernambuco, Rodrigo Ramos, afirmou que só se manifestará nos autos.

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Um comentário sobre "Depoimento coloca em xeque intenção de procurador da República"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É, CERTAMENTE ESTÃO TODOS TEMEROSOS, POIS JÁ SABEM QUE SERÃO TODOS PUNIDOS NA FORMA DAS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS!
    QUEM ATUA EM PROL DE UMA FACÇÃO CRIMINOSA, NÃO MERECE NENHUM PERDÃO MESMO.
    QUEM APOIA BANDIDOS, É MIL VEZES PIOR QUE O PRÓPRIO BANDIDO, NÃO É MESMO?
    NADA MAIS A COMENTAR, POIS A MATÉRIA ACIMA JÁ CITA TUDO.
    ENTENDAM COMO QUISEREM.
    LUGAR DE BANDIDOS É NA CADEIA!
    SEJAM ELES QUEM FOREM!
    PRINCIPALMENTE SE FOREM POLÍTICOS!
    SALVEM O NOSSO BRASIL, SRS. JUÍZES!
    ASSIM ESPERAMOS!

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