Dez montadoras pagaram ao cartel dos cegonheiros R$ 3,5 bilhões em ágio em 2022

Montante é integralmente repassado aos consumidores. Participação dos grupos econômicos que controlam os fretes do setor nesse universo é de 93%. Se for levado em conta o total de dinheiro repassado pelas montadoras, o cartel ficou com 95% dos valores pagos.

De São Paulo

O transporte de veículos e utilitários leves produzidos pelas dez montadoras que mais venderam automóveis no Brasil em 2022 rendeu ao cartel dos cegonheiros R$ 9,5 bilhões. Desse total, R$ 3,5 bilhões referem-se à cobrança de ágio decorrente de acordos entre as poucas empresas que atuam no setor. A diferença entre o valor de mercado do frete e o preço praticado por transportadoras que controlam o segmento, inclusive com o uso de violência, é imposta às montadoras e integralmente repassada ao consumidor.

Das fábricas da Fiat, Jeep, GM, VW/MAN, Toyota, Hyundai, Renault, Honda, Nissan e Peugeot saíram 1.788.366 unidades para abastecer o mercado interno, o equivalente a 91,24% dos emplacamentos registrados no período, segundo dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Desses quase 1,8 milhão de veículos, o cartel dos cegonheiros transportou 93% do total.

MontadorasUnidades emplacadasValor pago pelos fretesÁgioParticipação no mercadoParticipação
do cartel
Fiat430.202R$ 1,8 bilhãoR$ 758 milhões21,97%100%
GM291.418R$ 1,5 bilhãoR$ 601,6 milhões14,89%100%
VW271.238R$ 1,3 bilhãoR$ 539,1 milhões13,75%100%
Toyota191.291R$ 1,5 bilhãoR$ 637,5 milhões9,77%100%
Hyundai187.809R$ 650,3 milhões9,59%30% da unidade
de SP (55.321 veículos)
Jeep137.552R$ 1,1 bilhãoR$ 463,3 milhões7,03%100%
Renault126.735R$ 550,8 milhõesR$ 220,3 milhões6,47%100%
Honda56.689R$ 288,2 milhõesR$ 115,2 milhões2,90%100%
Nissan53.665R$ 327,8 milhõesR$ 131,1 milhões2,74%100%
Peugeot41.767R$ 216 milhõesR$ 86,4 milhões2,13%100%
Totais1.788.366R$ 9,5 bilhõesR$ 3,5 bilhões91,24%100%

O domínio do cartel dos cegonheiros nesse universo só não é completo porque a fábrica da Hyundai instalada em Goiás, controlada pelo grupo Caoa, decidiu contratar uma transportadora fora do esquema investigado por crimes contra a ordem econômica e associação criminosa pela Polícia Federal, Cade e Gaeco de São Bernardo do Campo (SP), no âmbito da Operação Pacto, além de outros procedimentos que se iniciaram nos anos 2000. A fábrica da marca coreana sediada em Piracicaba, no entanto, entregou ao cartel 30% da produção da unidade paulista (55.321 veículos). Fala-se que a decisão foi tomada para evitar represálias. O restante das cargas (132.488 automóveis) são transportados pela Transportes Gabardo, empresa não alinhada ao conluio.

Se for considerado o total de recursos repassados a título de frete pelas montadoras (R$ 9,5 bilhões), a participação da transportadora independente que sobrevive como prestadora de serviços para essa dezena de marcas cai para 5%.

Em 2021, o cartel dos cegonheiros faturou R$ 8,6 bilhões, dos quais R$ 3,4 bilhões em ágio. As estimativas do faturamento e ágio cobrados pelas transportadoras resultam de equação montada pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, utilizada na Ação Civil Pública que condenou por formação de cartel quatro réus: General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior (ex-diretor da montadora), Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) e Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).

O prejuízo calculado pelo MPF contabilizava, à época, um ágio de 25%. Em 2019, a Polícia Federal, Gaeco e Cade, ao deflagrarem a Operação Pacto, concluíram que a diferença pode chegar a 40% do valor cobrado pelo mercado. O serviço representa 4% do valor final do veículo. O número de automóveis e comerciais leves utilizado pelo site Livre Concorrência para o cálculo divulgado na tabela é extraído dos dados oficiais apresentados pela Fenabrave.

O MPF também usava como referência para calcular os prejuízos causados pelo cartel o preço de um veículo popular. O site Livre Concorrência faz a média dos preços dos modelos vendidos nas diversas categorias contempladas no anuário da Fenabrave.

Mesmo com variáveis mais modestas, o MPF estimou um prejuízo de R$ 7,7 bilhões entre 1997 e 2014. Vale ressaltar que as estimativas, inclusive as atuais, são muito conservadoras. O cálculo não inclui o que o cartel dos cegonheiros recebe com o transporte de veículos destinados à exportação nas chamadas operações de porto e por via terrestre a países vizinhos.

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Um comentário sobre "Dez montadoras pagaram ao cartel dos cegonheiros R$ 3,5 bilhões em ágio em 2022"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É, AMIGOS.
    A LIVRE CONCORRÊNCIA, É UM ARTIGO CONSTITUCIONAL, E NUNCA FOI RESPEITADO POR ESSA FACÇÃO CRIMINOSA, MAIS CONHECIDA COMO O “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, COMANDADA POR UM ESTRANGEIRO ITALIANO.
    SÓ NO BRASIL MESMO, QUE ACONTECE ISSO, NÃO É MESMO? UM VERDADEIRO ABSURDO, PRATICADO NO NOSSO TERRITÓRIO NACIONAL, POR TANTOS ANOS!
    AS COTAÇÕES DE OFERTAS DE TRABALHO, SÓ PODERIAM SER VENCIDAS POR QUEM OFERECESSE OS MELHORES PREÇOS, E ELES SUPERFATURAM CAUSANDO DANOS FINANCEIROS PARA OS CONSUMIDORES FINAIS, QUE JAMAIS SERIAM RESSARCIDOS DESSES “ROMBOS”, ALÉM DE PREJUDICAREM MUITO TAMBÉM AS DEMAIS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, NÃO VINCULADAS AO SISTEMA CRIMINOSO.
    POR QUÊ A JUSTIÇA NUNCA ATUOU CONTRA ESSE CARTEL, PROIBINDO QUE SUAS TRANSPORTADORAS ATUASSEM NO NOSSO PAÍS?
    POR QUÊ SERÁ???
    AS NOSSA CONSTITUIÇÃO FEDERAL TEM SIDO RASGADA HÁ MUITO TEMPO!
    UM VERDADEIRO CRIME FEDERAL!
    CUMPRAM-SE AS LEIS, IMEDIATAMENTE, PUNINDO TODO OS SEUS LÍDERES!
    É O QUE ESPERAMOS QUE ACONTEÇA!
    CARTÉIS, JAMAIS PODERIAM EXISTIR NO NOSSO BRASIL!
    DURA LEX SED LEX!

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