Diligências criminais da Operação Ciconia desestruturam defesa de Medioli

Após a visita da Polícia Federal à residência da vice-presidente do grupo Sada, Daniela Medioli, à sede do Sinaceg (foto de abertura) e à casa do presidente da entidade patronal, o escritório que defende os interesses do cartel dos cegonheiros pediu adiamento em três audiências. Numa delas, nem o autor do processo, Vittorio Medioli, compareceu.

De Rio Grande do Sul

Diferente do que aconteceu após a deflagração da Operação Pacto (19/10/2019), a segunda investida da Polícia Federal, Gaeco e Cade sobre o cartel dos cegonheiros causou estragos. A Operação Ciconia (29/08/2023) parece ter desestruturado a defesa do político e empresário Vittorio Medioli e do grupo de empresas de sua propriedade, liderado pela Sada Transportes e Armazenagem. Em três processos cíveis com audiências marcadas houve pedidos de adiamento, todos chancelados pelo escritório Décio Freire Advogados. Numa delas, marcada com 68 dias de antecedência, nem Medioli, um dos autores, compareceu.

A alegação utilizada pela defesa é, basicamente, o curto espaço de tempo para disponibilização, pela Justiça, dos links pelos quais autores, réus e testemunhas acessam às referidas audiências. Os três processos versam sobre ações indenizatórias. No primeiro — na Justiça Federal de São Bernardo do Campo (SP) — a audiência foi marcada em 18 de agosto deste ano, com mais de 30 dias de antecedência. O evento estava agendado para  21 de setembro. A defesa pediu para ser desconsiderada a indicação de Vittorio Medioli como uma das testemunhas, mas foi no dia 18 de setembro que houve o pedido de transferência da audiência. O processo é movido pelas empresas do grupo Sada, Brazul Transporte de Veículos e Autoservice Logística. A indenizatória por dano moral e uso de imagem tem como réus quatro pessoas físicas, uma transportadora e até o Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade.

1 – Ação indenizatória
Juíza responsável:
Ana Lúcia Iucker Meirelles de Oliveira, da 3ª Vara Federal de São Bernardo do Campo
Autores:
Brazul e Autoservice (grupo Sada)
Réus:
Jornalista Ivens Carús, Cade e outros.
Adiamento requerido por representantes do grupo Sada:
Audiência marcada em 18/8/2023 para ocorrer em 21/09/2023. Petição para adiá-la foi protocolada em 18/9. Nova data: 27/10/2023.
Motivo:
Falta de tempo hábil para comunicar testemunhas. Correspondências não obtiveram êxito.

Na segunda audiência em que Medioli não compareceu, a marcação ocorreu em 27 de julho deste ano, com 68 dias de antecedência. A solenidade foi agendada para o dia 5 de outubro de 2023, mas em 15 de setembro, a defesa protocolou pedido de adiamento. Nessa audiência, a juíza Lia Gehrke Brandão, titular da 1ª Vara cível do Foro da zona Norte de Porto Alegre (RS), chegou a advertir a advogada representante de Medioli e de suas empresas:

A magistrada advertiu:

“Doutora, não me interrompa enquanto eu estiver falando.”

2 – Ação indenizatória
Juíza responsável:
Lia Gehrke Brandão, da 1ª Vara Cível Zona Norte de Porto Alegre
Autores:
Vittorio Medioli e quatro empresas do grupo Sada
Réu:
Jornalista Ivens Carús, editor do site Livre Concorrência
Adiamento requerido por representantes do grupo Sada:
Audiência marcada em 27/7/2023 para ocorrer em 5/10/2023. Petição para adiá-la foi protocolada em 15/9. Foi transferida para abril de 2024.
Motivo:
Falta de tempo hábil para comunicar as testemunhas e necessidade de citação pessoal.

A juíza argumentou que a bacharel teve tempo suficiente para se manifestar e não o fez. Para a magistrada, deveria ter sido feito contato pelo telefone da vara, ou pelo endereço eletrônico disponível. A audiência foi transferida para abril de 2024. Nesse caso, há duas ações (apensamento) de indenização ajuizadas por Medioli, Sada, Dacunha, Transzero e Brazul, contra o editor do site Livre Concorrência, jornalista Ivens Carús. Houve pedido de reconvenção.

Já no terceiro processo, o autor é o empresário gaúcho Sérgio Mário Gabardo, tendo o jornal O Tempo – de propriedade de Vittorio Medioli – como réu. Gabardo pede indenização por reportagem em que afirma conter conteúdo não verdadeiro. A ação corre na 3ª Vara Cível da Comarca de Canoas (RS). A audiência foi marcada em 25 de agosto de 2023, com 52 dias de antecedência. O evento deveria ocorrer no dia 17 de outubro, mas no terceiro dia do mesmo mês (3), a defesa pediu para que a audiência ocorresse por plataforma, tendo em vista que réu e duas testemunhas estão em outros estados. O juiz Sandro Antônio da Silva acatou o pedido. No entanto, 10 dias depois, houve pedido de adiamento, sob a alegação de que testemunhas não receberiam o link para comparecimento ao evento, a tempo.

3 – Ação indenizatória
Juiz responsável:
Sandro Antônio da Silva, da 3ª Vara Cível de Canoas.
Autor: Sérgio Gabardo
Réu: O Tempo, jornal de propriedade de Vittorio Medioli.
Adiamento requerido por representantes do grupo Sada:
Audiência marcada em 25/8/2023 para ocorrer em 17/10/2023. Petição para adiá-la foi protocolada em 13/10. Nova data 16/11/2023.
Motivo:
Falta de tempo hábil para comunicar as testemunhas.






ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Diligências criminais da Operação Ciconia desestruturam defesa de Medioli"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    É INCRÍVEL SABERMOS COMO ATUAM ESSES LEGÍTIMOS RÉUS, QUE SÃO OS COMANDANTES DO CARTEL DOS CEGONHEIROS E TODAS AS SUAS FROTAS DE TRANSPORTADORAS, BEM COMO O SINDICATO: SINACEG (QUE SE INTITULA COMO NACIONAL INCONSTITUCIONALMENTE), CAUSANDO SÉRIOS DANOS A NOSSA NAÇÃO, AINDA ESTAREM EM ATIVIDADE!
    DE FATO, ELES FAZEM DE TUDO PARA ILUDIREM A JURISPRUDÊNCIA, ADIANDO TODAS AS AÇÕES LEGÍTIMAS CONTRA ELES, QUE SÃO OS REAIS RÉUS DESSAS AUDIÊNCIAS E NÃO O EDITOR CHEFE: SR. IVENS CARÚS E A TRANSPORTADORA GABARDO, QUE SEMPRE FORAM ATACADOS DE FORMA PERIGOSA, POR ESSES CRIMINOSOS DO CARTEL DOS CEGONHEIROS.
    SENDO ASSIM, NÃO EXISTE DEFESA PARA OS INTEGRANTES DA FACÇÃO CRIMINOSA (CARTEL DOS CEGONHEIROS).
    POR ESSE MOTIVO, QUE ESSE POLÍTICO PROTELA E NEM APARECE PARA SUAS AUDIÊNCIAS JURÍDICAS, AS QUAIS É INDICADO.
    UM VERDADEIRO ABSURDO. ELE ATÉ COLOCOU UMA DE SUAS FILHAS, PARA COMANDAR A EMPRESA SADA EM SEU LUGAR, PARA NÃO CORRER RISCOS POLÍTICOS, POR SER PREFEITO DE BETIM-MG.
    TODAS AS TRANSPORTADORAS QUE FAZEM PARTE DESSA ORGANIZAÇÃO PERIGOSA, JÁ DEVERIAM TER SEUS RESPECTIVOS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO, DEVIDAMENTE CANCELADOS E, O JORNAL: “O TEMPO”, DE PROPRIEDADE DO LÍDER DO CARTEL, TAMBÉM DEVERIA SER FECHADO. COM MULTAS INDENIZATÓRIAS ÀS VÍTIMAS ATACADAS POR ESSE (JORNAL), POR DANOS MORAIS, NÃO SÓ AO EDITOR CHEFE DESSE PORTAL DA LIVRE CONCORRÊNCIA (SR. IVENS CARÚS), COMO AO PROPRIETÁRIO DA TRANSPORTADORA GABARDO (SR. SÉRGIO GABARDO).
    SALVEM O NOSSO BRASIL, NOBRES JUÍZES E DESEMBARGADORES QUE ATUAM NESSAS AÇÕES!
    DECRETEM O “FIM DA LINHA PARA ELES”!
    CARTÉIS SÃO ENTIDADES CRIMINOSAS, CONTRA NOSSA NAÇÃO!
    SIGAM AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS!
    SIMPLES ASSIM!

Os comentários estão encerrados