Caso Ford: ex-conselheiro do Cade associa cartel dos cegonheiros a Custo Brasil

Matéria modificada em 9 de fevereiro de 2022
Retratação: Vittorio Medioli não foi indiciado no inquérito policial 277/2010

Em quatro anos, a Ford pagou ao cartel R$ 2,3 bilhões em fretes para distribuir veículos destinados ao mercado interno. Desse total, R$ 947,9 milhões referem-se à cobrança de ágio decorrente da falta de concorrência no setor. O valor é integralmente repassado aos consumidores. 

Economista especializado em regulação e defesa da concorrência destaca responsabilidade do cartel dos cegonheiros na decisão da Ford de encerrar a produção de veículos no Brasil. Em artigo publicado no Portal Uol, Cleveland Prates chama de servil a negociação das montadoras com as empresas que controlam o setor de transporte de veículos novos no país. Ao escrever sobre a dificuldade nas relações sindicais para fazer ajustes necessários para modernizar processos produtivos, ele acrescenta:

Sem falar de relações ancilares, como aquelas associadas à negociação com o cartel dos cegonheiros.

Cleveland Prates, economista e ex-conselheiro do Cade

O vínculo das montadoras ao cartel dos cegonheiros integra a lista de problemas associados ao chamado Custo Brasil: excesso de burocracia, insegurança jurídica, carga tributária elevada e “péssima” logística de transportes – caracterizada por baixos investimentos em portos e ferrovias. Esse quadro transforma o país, segundo o Clevaland, em “um dos piores ambientes de negócios do mundo”.

Para o economista e ex-conselheiro do Cade, uma mudança no mercado global de automóveis vem obrigando as marcas a minimizar custos de produção ao extremo e a desenvolver cadeias globais mais eficientes. O objetivo é agregar valor e aumentar a margem de lucro.

Nesse aspecto, o site Livre Concorrência chama a atenção para os prejuízos causados pelo cartel dos cegonheiros à montadora norte-americana e, em última instância, aos consumidores. Só em ágio, as cinco transportadoras contratadas pela Ford para escoar a produção até a rede de concessionárias da marca cobraram R$ 190,2 milhões em 2020. Ao todo, essas empresas ligadas ao cartel embolsaram da Ford no ano passado R$ 475,6 milhões. O valor é considerado conservador, porque se refere apenas às vendas consumadas no mercado interno.

Equação
O cálculo feito pelo site Livre Concorrência para determinar o prejuízo causado pelo cartel dos cegonheiros aos consumidores de veículos zero-quilômetro foi montado a partir de equação desenvolvida pelo Ministério Público Federal (MPF), autor da primeira ação contra essa organização criminosa. Nos autos, o custo do frete representa 4% do valor do veículo. Sobre o resultado é aplicado o percentual de 40% de sobrepreço. O ágio cobrado pelas transportadoras acusadas de formação de cartel foi identificado pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto.

Tegma, Brazul, Transauto, Transzero e Dacunha
Das cinco empresas que transportam para a Ford, três (Brazul, Transzero e Dacunha) pertencem a Vittorio Medioli – empresário e político de Minas Gerais apontado pela Polícia Federal de chefiar a organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos com mão de ferro, inclusive com o uso de violência. Medioli também comanda o grupo Sada, além da Prefeitura de Betim. Ele foi reeleito como prefeito em 2020.

Em quatro anos, a Ford pagou ao cartel R$ 2,3 bilhões em fretes. Desse total, R$ 947,9 milhões referem-se à cobrança de ágio decorrente da falta de concorrência no setor.

O mesmo time de empresas que atende a montadora Ford presta serviços à GM.

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Um comentário sobre "Caso Ford: ex-conselheiro do Cade associa cartel dos cegonheiros a Custo Brasil"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É MEUS NOBRES AMIGOS QUE LÊEM ESSE MAGNÍFICO PORTAL.
    TUDO QUE FOI DESCRITO ACIMA, JÁ FOI APONTADO ANTERIORMENTE COMO FATOS LEGÍTIMOS.
    O CARTEL EXISTE SIM E HÁ MUITO TEMPO QUE ATUA NESSE MERCADO, DE FORMA CRIMINOSA, NÃO PERMITINDO QUE A CONCORRÊNCIA (DEMAIS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS), NÃO VINCULADAS A ESSE CARTEL, POSSAM OFERTAR SEUS SERVIÇOS SEM AS COBRANÇAS DESSES ACRÉSCIMOS HEDIONDOS, OS QUAIS SEMPRE CAUSARAM FORTES PREJUÍZOS AOS CONSUMIDORES FINAIS, QUANDO COMPRARAM SEUS VEÍCULOS 0 (ZERO) KM.
    ESSA MONTADORA, ASSIM COMO AS DEMAIS ENTÃO COOPTDAS, SÓ SE RECUPERAM DESSES PERCENTUAIS ACRESCIDOS NOS FRETES, APÓS VENDEREM SEUS VEÍCULOS, ATRAVÉS DAS CONCESSIONÁRIAS.
    DESSA FORMA, CAUSARAM TAMBÉM PREJUÍZOS ÀS MESMAS, OS FORÇANDO A SOLICITAR AOS GOVERNOS ESTADUAIS E FEDERAL, MAIS SUBSÍDIOS FINANCEIROS.
    É CLARO QUE EM ALGUNS CASOS, FICA EVIDENTE QUE ALGUNS GOVERNADORES TAMBÉM CEDERAM SUBSÍDIOS AO CARTEL, PARA QUE CUNTINUASSEM ATUANDO DESSA FORMA CRIMINOSA, AO LONGO DE TANTOS ANOS.
    SENDO ASSIM, ELES TAAMBÉM DEVERIAM SER INVESTIGADOS, POIS ISSO AO MEU VER, SE CARACTERIZA COMO “IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA”, VCS CONCORDAM COMIGO ?
    AS TRANSPORTADORAS NÃO VINCULADAS AO SISTEMA, NUNCA PUDERAM E NÃO PODEM ATUAR COM SUAS PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS. FATO ESSE QUE OS LEVOU A FECHAREM SUAS PORTAS, DE FORMA DEFINITIVA, DEIXANDO ENTÃO AS EMPRESAS CARTELISTAS SOBEREANAS ATÉ OS DIAS DE HOJE.
    FATO ESSE LAMENTÁVEL, ATÉ MESMO PARA OS COFRES PÚBLICOS, QUE SE TORNARAM TAMBÉM VÍTIMAS DESSE SISTEMA.
    A LIVRE CONCORRÊNCIA É UMA LEI CONSTITUCIONAL E NUNCA FOI RESPEITADA POR ESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA.
    CUMPRAM-SE AS LEIS, DOA A QUEM DOER E, QUANTO AOS SINDICATOS (BRAÇOS FORTES) DESSE CARTEL, TAMBÉM DEVEM SER DEVIDAMENTE FECHADOS!

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