Em juízo, Vittorio Medioli atribui a site 18 narrativas que não correspondem aos fatos

Dono do grupo Sada falou por cerca de 22 minutos ao Juízo responsável por julgar ação criminal movida contra o jornalista Ivens Carús, editor do site Livre Concorrência. Reportagem do site aponta inconsistências das declarações dadas por Vittorio Medioli à Justiça gaúcha. O empresário e político de Minas Gerais acusou o site de disseminar matérias sobre compra de fígado e de que teria sido preso. Também insinuou que o editor teria influência sobre o Judiciário do Rio Grande do Sul.

Do Rio Grande do Sul

Em audiência realizada em 5 de abril na 11ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, o empresário e político de Minas Gerais Vittorio Medioli contou ao juiz Francisco Luiz Morsch e ao promotor de Justiça Rafael Stramar 18 narrativas que não correspondem aos fatos. A oitiva realizada em Porto Alegre faz parte de ação movida pelo dono do grupo Sada e suas empresas contra o jornalista Ivens Carús, editor do site Livre Concorrência, por crime de calúnia, injúria e difamação. De Betim (MG), onde elegeu-se prefeito em 2016 e foi reeleito em 2020, Medioli participou da sessão por videoconferência (foto de abertura). Abaixo o site reproduz alguns trechos do que Medioli (em vermelho) disse à Justiça, seguido por comentários do site (em preto).

1) “Sofri [a partir de reportagens editadas por Ivens Carús] calúnia, difamação, me chamaram de chefe da máfia, chefe de cartel, chefe de organização criminosa…”

Falso! O site Livre Concorrência não imputa crime a ninguém. Vittorio Medioli aparece citado como chefe de cartel e chefe de organização criminosa em documentos da Polícia Federal e dos Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio Grande do Sul. No inquérito 277, presidido pela Polícia Federal, o dono do grupo Sada foi apontado como o “todo poderoso comandante de verdadeira organização criminosa”. A expressão “máfia” foi usada pelo deputado federal Pastor Eurico, na tribuna da Câmara dos Deputados, em discurso proferido contra o empresário e político mineiro por impedir o acesso de transportadoras pernambucanas ao bilionário mercado de fretes de veículos novos. Medioli até tentou processar o parlamentar por difamação, mas o STF rejeitou a ação. A expressão “chefe da máfia” também foi usada à exaustão por um ex-líder sindical, testemunha do Gaeco em ação penal contra o cartel dos cegonheiros. Hoje, presta serviços ao grupo Sada, após acordo milionário firmado no gabinete do prefeito municipal de Betim. O site Livre Concorrência não inventa matérias, apenas reporta fatos, garantindo à sociedade o direito à informação.

2) “Uma pessoa mesmo de qualquer canto do mundo começa a divulgar informações inverídicas e fictícias com o objetivo de favorecer concorrentes das minhas empresas. Deturpam a minha imagem como pessoa para atingir minhas empresas. Que minhas empresas participariam de máfia, cartel…”

Falso! Não há uma única notícia inverídica ou fictícia no site Livre Concorrência. Vale a pena ressaltar: o site Livre Concorrência não inventa matérias, apenas reporta fatos fundamentados em documentos oficiais.

3) “Estou bem afastado das minhas empresas há muitos anos.”

Falso! Desde 2019, Medioli já participou de pelo menos dois eventos em Pernambuco, onde anunciou investimentos superiores a R$ 100 milhões em pátio da Sada, nas proximidades da fábrica da Jeep no município de Goiana (PE). Mas não é só isso. De acordo com documentos obtidos na Junta Comercial de São Paulo, Medioli presidiu Assembleias Ordinárias da Sada, no município de São Bernardo do Campo (SP), realizadas em outubro de 2020 e dezembro de 2022.

4) “Eu nunca fui condenado por absolutamente nada.”

Falso! A Justiça Federal de Minas Gerais o condenou em janeiro de 2015 pela prática dos crimes de envio ilegal de recursos ao Exterior e de manutenção de depósitos em conta-corrente no Exterior sem comunicar os órgãos competentes. Seis anos depois, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) manteve a condenação de primeiro grau. Medioli acabou livrando-se das penas. O recurso ficou cinco anos aguardando julgamento no TRF-1. Nesse período, Medioli completou 70 anos e foi beneficiado com a extinção da punibilidade.

5) “Ele [Ivens Carús] está, aparentemente, pago exclusivamente para defender interesses comerciais de concorrentes.”

Falso! Por essa lógica, podemos concluir que a Polícia Federal, Cade, Ministérios Púbicos de São Paulo e do Rio Grande do Sul também são pagos exclusivamente por concorrentes do grupo Sada. Esclarecemos que anunciantes ou apoiadores do site não possuem qualquer ingerência na linha editorial. O grupo Sada sabe disso, pois foi patrocinador do site por três anos.

6) “Ele [Ivens Carús] não tem nada ou outra coisa a fazer que não caluniar minha pessoa. Em época de campanhas políticas começa (…) que eu sou transplantado de fígado, começa a dizer que eu comprei meu fígado… Umas coisas absurdas.”

Falso! Sobre transplante de fígado e compra do referido órgão citado exclusivamente por Medioli, a equipe do site Livre Concorrência jamais publicou uma única linha. Isso em respeito à intimidade do ser humano, preservada por questões éticas. Uma prova inequívoca de que, bem distante de qualquer perseguição alegada por Medioli, o site Livre Concorrência tem compromisso com o jornalismo de qualidade. Sobre o uso político do conteúdo produzido pelo site, em período eleitoral, chegamos a publicar um editorial alertando e condenando o uso eleitoreiro de nossas matérias.

7) Por ele [Ivens Carús] estar longe de Minas Gerais é difícil encontrá-lo, notificá-lo. Muda de endereço.

Falso! O site informa, no menu Sobre, CNPJ, telefone celular, endereço e e-mails para contato. Alegar que não conseguem notificar o jornalista é caso de litigância de má-fé. No link encontra-se o expediente com todas as informações necessárias para contatar o site, conforme mostra a imagem abaixo.

8) “Ele [Ivens Carús] é denunciante em todas as delegacias de polícia do Brasil de denúncia dele contra minha pessoa, totalmente vazias. A profissão dele é deteriorar minha imagem.”

Falso! A Reportagem do site Livre Concorrência desafia o empresário e político de Minas Gerais a mostrar um único boletim de ocorrência no qual Ivens Carús o denunciou.

9) “Já inventaram que eu fui preso pela polícia.”

Falso! O site nunca publicou isso. Muito menos Ivens Carús, como pessoa física, afirmou isso.

10) “E para fugir das consequências penais e de outras ações, além de ser bem defendido, confunde muitas vezes a própria Justiça aí do Rio Grande do Sul, onde provavelmente ele tenha alguma influência maior.”

Falso! O site e seu editor jamais se esquivaram de qualquer tipo de ação judicial movidas por integrantes do cartel dos cegonheiros. Dos cerca de 40 processos apresentados contra o jornalista, a maioria já foi recusada pela Justiça. Sobre Ivens Carús ter “alguma influência maior” no judiciário gaúcho, a reportagem encaminhou questionamento ao TJRS sobre o assunto, mas até o fechamento da edição, a Assessoria de Comunicação Social do órgão não retornou. A acusação contra a Justiça gaúcha é grave. Em outra esfera, petição de uma empresa do grupo Sada também afirma que a Polícia Federal defende os interesses de Ivens Carús.

11) Ele vai migrando de um canto para outro para fugir de responsabilidades e apagar o vestígio das ações delituosas que ele faz.

Falso! Está bem claro no site que o Livre Concorrência é sucessor do Anticartel. Mudou-se apenas o nome fantasia, por uma questão mercadológica. A pessoa jurídica por trás dos sites continuou a mesma. O site Livre Concorrência não tem nada a esconder. Eis um texto em que tratamos de mudanças na identidade visual do site, no qual referimos que o Livre Concorrência sucedeu o Anticartel.

12) “Aqui em Minas Gerais já foram abertas várias investigações, quebra de sigilo.”

Falso! Não houve quebra de sigilo autorizada pela Justiça. As informações que representantes do cartel dos cegonheiros estão a divulgar sobre isso integram um inquérito aberto pela Delegacia Regional da Polícia Civil localizada em Betim, cidade administrada por Medioli. A autoridade policial do município mineiro acusa Ivens Carús e o site de participar de organização criminosa. Este inquérito está sob sigilo, exceto para os defensores do cartel que dispõem e disseminam as informações levandadas pela Polícia Civil instalada em Betim.

13) “Aí entra esse sujeito [na campanha de reeleição de Vittorio Medioli], com três, quatro lançamentos por dia jogando no mailing de toda Betim que sou mafioso, criminoso um bandido.”

Falso! Mailing de Betim não existe. É invenção dele. E o site ficou bem distante de qualquer notícia política durante todo o processo eleitoral. Para escolha de prefeitos, de deputado estaduais, deputados federais, senadores e até de presidente da República.

14) “Ele já denunciou ao Cade, com um dossiê fantasioso. Ele é um profissional da calúnia.”

Falso! Não existe nenhum dossiê fantasioso. Foi protocolado por Ivens Carús no Cade um documento elaborado pelo Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (Sintraveic-ES). A entidade denunciou pressões de grandes transportadoras – inclusive da Brazul, do grupo Sada – para sindicalistas promoverem atos de violência contra a Transilva Logística, em troca de benesses.

15) “Ele se disfarça de repórter investigativo, não é nada investigativo. Ele é acusativo. Ele gera fake para atingir pessoas de bem, não apenas a mim.”

Falso! O site Livre Concorrência publica reportagens baseadas em fatos e documentos.

16) “Aqui em Minas nós temos alcançados vários sucessos [sobre sentenças condenatórias contra Ivens Carús], inclusive tem sucessos mais antigos, contra ele.”

Falso! Não existem condenações contra Ivens Carús.

17) “Nos inquéritos ele [Ivens Carús] que é o denunciante. Ele inventa. É profissional disso. Ele que faz as denúncias e engana os órgãos de investigação. Ele cria factoides, ilações absurdas.”

Falso! O jornalista Ivens Carús não aparece como denunciante em nenhum dos procedimentos abertos pelos Ministérios Públicos de São Paulo e do Rio Grande do Sul para investigar crimes cometidos pelo cartel dos cegonheiros. Isso também vale para o Ministério Público Federal, Cade e Polícia Federal.

18) “Já fiz muitos. Ele finge fazer acordo e depois volta tudo à estaca zero. Já fiz acordo com ele em outras épocas.

Falso! Nunca houve acordo com Vittorio Medioli e suas empresas. Existiu, sim, oferta de R$ 1,5 milhão em propina para Ivens Carús prestar depoimento fraudulento à Justiça contra concorrentes da Sada e da Tegma. A proposta foi recusada, claro.

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Um comentário sobre "Em juízo, Vittorio Medioli atribui a site 18 narrativas que não correspondem aos fatos"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É AMIGOS. CONTRA TODOS ESSES FATOS, NÃO EXISTEM RESISTÊNCIAS. LUGAR DE BANDIDO Á NA CADEIA.
    PONTO FINAL PARA ESSE MELIANTE ITALIANO!
    ELE PENSA QUE É O TODO PODEROSO, MAS NEM BRASILEIRO É!
    ESSES ATAQUES AO EDITOR CHEFE DESSE MARAVILHOSO PORTAL, JÁ DEFINE O QUANTO ELE SERIA ARTICULOSO.
    O FATO DE TER COOPTADO VÁRIOS INDIVÍDUOS QUE ANTES O ATACAVAM, E DEPOIS PASSARRAM A DEFENDÊ-LO PELAS PROPINAS RECEBIDAS, FEZ ELE PENSAR QUE TODOS OS DEMAIS BRASILEIROS SÃO IGUAIS.
    O EDITOR CHEFE DESSE PORTAL POSSUI INTEGRIDADE MORAL E CÍVICA. NÃO SE CURVOU AOS SEUS DESMANDOS E NUNCA BAIXARÁ A SUA CABEÇA PARA ESSE BANDIDO!
    FIM DA LINHA PARA ESSE CARTEL DOS CEGONHEIROS E SEU COMANDANTE, JUNTAMENTE COM SEUS ALIADOS.
    SÓ NOS RESTA É PARABENIZAR MUITO O SR. IVENS CARÚS, HOJE E SEMPRE!
    ACREDITEM, ELE ATÉ SUGERIU DESVINCULAR A REGIÃO NORDESTE DO BRASIL, PARA OBTER SOBERANIA DO CARTEL DOS CEGONHEIROS, COMO SE FOSSE PARA UM PAÍS ESTRANGEIRO!
    UM VERDADEIRO ABSURDO. SÓ SENDO ITALIANO MESMO!!!
    NEM PRECISAMOS DIZER MAIS NADA!
    A PRÓPRIA “BIBLIA SAGRADA”, JÁ DIZ MUITO!

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