Em plena pandemia, Júlio Simões compra Transmoreno por R$ 310 milhões e avança sobre cargas do cartel dos cegonheiros

Em plena pandemia, a Júlio Simões, de olho no bilionário mercado de transporte de veículos novos, anunciou a compra da Transportadora Transmoreno por R$ 310 milhões, avançando sobre o domínio do cartel dos cegonheiros. Do total, R$ 100 milhões pagos em dinheiro, segundo anúncio da empresa feito por meio de fato relevante divulgado na sexta-feira (7). A Transmoreno é responsável por parte do escoamento da produção dos veículos produzidos pelas montadoras Renault e Nissan, ambas pertencentes ao mesmo grupo econômico. As fábricas estão localizadas no Paraná e no Rio de Janeiro.

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A Júlio Simões estreou no segmento de caminhões-cegonha, quando, no início dos anos 2000, a General Motors do Brasil foi obrigada pela Justiça Federal a contratar transportadora não vinculada ao modelo controlado pelo cartel dos cegonheiros. Inicialmente a JSL ficaria responsável pelo escoamento de 10% da produção da unidade de Gravataí (RS). As outras plantas da marca no país deveriam usar a JSL para transportar 1% do total de veículos fabricados nessas unidades.

Até hoje, a Júlio Simões cobra frete menor do que os praticados pelas outras transportadoras integrantes do cartel. O custo mais baixo também deverá ser repassado para as operações com a Renault e Nissan. Caso contrário, estará praticando os mesmos valores cobrados pelas transportadoras acusadas de formação de cartel. Segundo conclusões da Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Gaeco, no âmbito Operação Pacto, o ágio praticado pelo cartel é de 40% sobre os valores de mercado. O consumidor paga esse ônus.

De acordo com o comunicado oficial, o contrato assinado prevê a aquisição de 100% da Transmoreno por R$ 310 milhões, “valor que será ajustado com base na dívida líquida, capital de giro e outros ajustes na data do fechamento da transação. O preço será pago em dinheiro, sendo R$ 100 milhões no fechamento da transação e o restante em parcelas semestrais ao longo de cinco anos. Além disso, os vendedores farão jus a um prêmio de R$ 10 milhões em 2025, caso determinadas condições sejam atingidas até o final de 2024”, diz o texto divulgado pela JSL. Essas condições não foram explicitadas.

A empresa também esclareceu que vai realizar uma assembléia-geral extraordinária para aprovar a operação, uma vez que a aquisição se constitui num investimento relevante. A Simpar – ainda segundo o comunicado – única acionista da JSL, já se comprometeu a votar favoravelmente, não havendo direito de recesso. O anúncio é assinado por Denys Marc Ferrez, diretor vice-presidente executivo de finanças corporativa e diretor de relações com investidores. A aquisição será submetida à apreciação do Cade por meio de um procedimento denominado Ato de Concentração.

JSL também comprou a Fadel Transporte e Logística
Poucos dias antes de adquirir a Transmoreno, a JSL já arrematara por R$ 159,4 milhões (metade à vista e a outra metade em seis meses) 75% das ações da Fadel Transporte Logística. Fundada em 2001, a Fadel opera frota de 1,6 mil equipamentos, entre caminhões, cavalos mecânicos, carretas e veículos comerciais leves. A empresa tem 25 filiais e quatro unidades no Paraguai. (Foto de abertura meramente ilustrativa/Arquivo Livre Concorrência.)

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2 comentários sobre "Em plena pandemia, Júlio Simões compra Transmoreno por R$ 310 milhões e avança sobre cargas do cartel dos cegonheiros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POSITIVO AMIGOS LEITORES DESSE MAGNÍFICO PORTAL.
    VAMOS VER SE DESSA VEZ, SERIA EXTERMINADO DEFINITIVAMENTE ESSE CARTEL CRIMINOSO, QUE OPERA NO MERCADO HÁ TANTOS ANOS, CAUSANDO TANTOS PREJUÍZOS AOS CONSUMIDORES FINAIS, OS QUAIS NUNCA SERÃO REEMBOLSADOS.
    COM A EXTERMINAÇÃO DESSA ORGANIZAÇÃO, VAMOS VER SE A JUSTIÇA CONSEGUE CAÇAR DEFINITIVAMENTE OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DAS TRANSPORTADORAS VINCULADAS AO CARTEL, BEM COMO SEJAM PRESOS OS LÍDERES E TODA DIRETORIA QUE FAZ PARTE, FECHANDO TAMBÉM DEFINITIVAMENTE O SINDICATO FRAUDULENTO DENOMINADO SINACEG (EX-SINDICAM), QUE SE INTITULA INCONSTITUCIONALMENTE COMO “SINDICATO NACIONAL”, O QUE É MAIS UMA FRAUDE!
    SÓ ESPERO QUE ESSA TRANSPORTADORA NÃO SIGA AOS CONCEITOS DO CARTEL, E APLIQUE FRETES DOS CITADOS TRANSPORTES, SEMPRE RESPEITANDO A LEI DA LIVRE CONCORRÊNCIA, PERMITINDO ENTÃO QUE OUTRAS TRANSPORTADORAS POSSAM PARTICIPAR DAS DEVIDAS LICITAÇÕES!
    PRA FRENTE BRASIL!

  2. Luna pri disse:

    Claro que a JSL tá investindo nela mesma. Em cima das costas dos funcionários, é óbvio. Nessa pandemia, ficou livre de pagar dissídio, nem hora extra, salários reduzidos, demissões. Lucraram milhões mas costas dos funcionários. E agora tão investindo nosso dinheiro para ficar mais milionários ainda. A empresa ficou praticamente livre de obrigações a serem pagas aos colaboradores por causa da pandemia. Será que ninguém tá vendo isso.

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