Empresas do cartel já gastaram R$ 5,9 milhões em manifestações violentas contra a livre concorrência

A Polícia Federal avança nas investigações sobre o cartel dos cegonheiros. Novos fatos e relatos de quem esteve dentro do esquema ilícito ou foi prejudicado chegam ao inquérito da Operação Ciconia e causam pânico no comando central da organização criminosa.

De São Paulo

Enquanto o alto comando do grupo Sada e um aliado, importante líder do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), tentam identificar o ex-executivo da Sada que concedeu entrevista exclusiva ao site LIvre Concorrência, informando estar disposto a contar tudo que sabe à Polícia Federal sobre o cartel dos cegonheiros, cresce o número de pessoas que caminham na mesma direção do entrevistado. Em algum momento, tiveram participação no esquema ilícito ou têm conhecimento interno de acontecimentos. Um dos comentários encaminhados à reportagem, e postado, revela que três empresas teriam “rateado, a pedido do Sinaceg, R$ 3 milhões” para custear as despesas das manifestações violentas ocorridas em Jacareí (SP), nas proximidades da montadora Caoa-Chery, em 2018.

Em forma de desabafo, o leitor Washington Cleiton Bueno Biancon, presidente do Sintravauto (GO) revelou ao site:

“Esse relato que irei fazer aqui é de um ex-combatente desse sistema sujo onde não existe nem um escrúpulo para chegar ao poder. Como já citei anteriormente sou um ex-combatente que fiz diversos atos terrorista que não me orgulho disso.”

Ele revela ter acompanhado atos terroristas:

“Fui excluido desse sistema corrompido por não querer continuar com os atos contra a Transportes Gabardo na fábrica da chery em Jacareí (SP), por ter sido contra os atos assim praticados contra a marca e a transportadora escolhida pela a mesma. Nessa ocasião estava em casa quando fui convocado por dirigentes do Sinaceg para ir até Jacareí onde estavam reunidos diversos carreteiros sendo induzidos ao ataque contra a determinação da montadora Chery em Jacareí SP.”

Ele acrescenta:

“Os atentados não saíram como esperado pelo Sinaceg, que fez as empresas pagarem pelo atos impostos por eles. Então fizeram um rateio onde arrecadaram R$ 3 milhões.”

Procurado pela reportagem, além de acrescentar informações ao comentário postado, Bianconi esclareceu que o rateio foi feito entre as empresas Sada, Brazul e Autorport.

Este valor – somado aos R$ 2,9 milhões gastos pelas transportadoras investigadas por formação de cartel para sufocar o movimento de cegonheiros na Bahia, em 2014 – eleva o “investimento” para R$ 5,9 milhões. A comprovação dos gastos daquele ano foi feita pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto, quando documentos apreendidos pelos federais mostraram o rateio entre as empresas com os pagamentos em rubrica chamada “greve na Bahia”. No demonstrativo, feito por executivo da Brazul já falecido, além de R$ 1 milhão destinados ao Sinaceg – a entidade negou que tivesse recebido o valor quando a reportagem foi publicada – há informação sobre pagamentos feitos às forças de segurança pública, a exemplo da Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Em e-mail apreendido pela PF, o rateio entre entre empresas e sindicato fica evidente.

Em 2010, outro integrante do cartel dos cegonheiros revelou detalhes dos ataques contra empresas que ousam furar o bloqueio imposto pelo conluio que controla mas de 90% das cargas do setor. À época ele depôs à Justiça.

Relações perigosas
Bianconi revelou à reportagem:

“Infelizmente no Brasil, qualquer sindicato dessa categoria que queira desempenhar suas atividades em favor dos reais interesses dos cegonheiros, precisa estar alinhado ao Sinaceg. Caso contrário, não opera.”

Ele chegou a mencionar que após receber a carta sindical, foi chamado por José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho — um dos alvos da Operação Ciconia -– em uma padaria em São Bernardo do Campo. Na ocasião, segundo relatou, “uma das primeiras coisas que me indagou foi se o sindicato era para atacar a Gabardo”, o que teria sido negado. Boizinho, de acordo com Bianconi, chegou a garantir que não iria impugnar o sindicato, mas acabou fazendo isso “pelas costas”, apesar de o Sinaceg estar proibido pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul, de atuar onde exista sindicato organizado.

O presidente da entidade ressaltou ainda, que o Sintravauto possui apenas 10 associados, mas não está encontrando espaço para operar. “Temos apenas três alternativas, o Gabardo, o Medioli e o Sinaceg para podermos conseguir trabalho aos nossos associados”, lamentou. Bianconi também acrescentou que “o Sinaceg controla 11 sindicatos regionais”. De acordo com a empresa Mexicano Transportes, de propriedade de um dos diretores do Sinaceg, há associação em pelo menos sete sindicatos além do Sinaceg. Cita os sindicatos de Gravatai (RS), Araquari (SC), Sintraveba (BA), Sintraveic (ES), do Rio de Janeiro (RJ), do Paraná e de Jacareí (SP).

Bianconi argumentou que já ingressou com novo processo no Ministério do Trabalho e Emprego, visando regularizar a situação em busca da carta sindical.

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Um comentário sobre "Empresas do cartel já gastaram R$ 5,9 milhões em manifestações violentas contra a livre concorrência"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É, AMIGOS.
    ESSE TEXTO ACIMA SÓ ELUCIDA AS PRÁTICAS DO CARTEL DOS CEGONHEIROS, POIS QUEM RESOLVE NÃO ADERIR AOS SEUS COMANDOS, É TERRIVELMENTE ATACADO, E SEUS EQUIPAMENTOS INCENDIADOS!
    COMO JÁ CITEI EM OUTRAS MATÉRIAS: “QUE PAÍS É ESSE”, ONDE OS CRIMINOSOS SE CRIAM, ENRIQUECEM E ATÉ HOJE CONTINUAM NO PODER?
    O QUE MAIS PODERÍAMOS COMENTAR? NÃO É MESMO?
    “LUGAR DE BANDIDO É ATRÁS DAS GRADES, E NUNCA NO COMANDO DE QUAISQUER SITUAÇÕES QUE ATACAM NOSSO POVO BRASILEIRO HONESTO, QUE VEM LUTANDO HÁ TANTOS ANOS, PARA SOBREVIVER COM DIGNIDADE, E NUNCA COMETENDO CRIMES!” NÃO É MESMO?
    NADA MAIS A COMENTAR!
    ONDE ESTÁ A GRANDE MÍDIA, QUE NUNCA COMENTOU NADA SOBRE ESSE CAOS EXISTENTE NO NOSSO PAÍS?
    SALVEM A NOSSA PÁTRIA AMADA BRASIL!

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