Formação de cartel, e não guerra, pode ser responsável pela alta dos fertilizantes, diz vice-presidente da Aprosoja Brasil

Em um ano, preço dos fertilizantes registrou alta de quase 250%. Se o valor decorre de formação de cartel, tem de ser tratado como ação criminosa, destacou o produtor rural e dirigente.

Divisão de mercado. Fixação artificial de preços (ágio). Eliminação da concorrência. Restrição de ofertas de produtos e serviços. Atraso tecnológico. Prejuízos bilionários. Lavagem de dinheiro. Organização criminosa. Locautes. Fraudes em licitações. Uso da violência. Cartel é crime – ou melhor, são crimes praticados contra os consumidores em vários setores da economia: telecomunicações, transporte de veículos novos, obras públicas, transporte de valores, remédios, etc. Talvez os efeitos mais nefastos dessas práticas anticompetitivas recaiam sobre o setor de alimentos. Em meio à escalada da inflação e do desemprego, o Brasil registrou em 2021 uma população de mais de 61 milhões de pessoas que relataram algum tipo de insegurança alimentar. Desse total, 15, 4 milhões chegaram a ficar sem comida por um dia ou mais em 2021, segundo dados divulgados pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). É dentro desse contexto que surgem evidências da ação de mais um cartel: o de fertilizantes.

Em entrevista ao site do Canal Rural, o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), José Sismeiro, pediu esclarecimentos sobre o desempenho de empresas de fertilizantes que vêm registrando lucros de até 300%:

“Acredito que temos de dar voz a essas empresas para que elas digam por que isso está acontecendo. Se a história for essa mesmo [formação de cartel], vejo como uma coisa criminosa.”

O produtor rural de 54 anos e dirigente da Aprosoja falou sobre aumento de quase 250% no preço dos fertilizantes:

“Em 2020, paguei R$ 1.870 em uma tonelada de fertilizante para poder plantar a minha soja. Hoje em dia, para plantar a da safra 2022/23, tenho certeza de que não consigo essa quantidade por menos de R$ 6.500.”

Ele acrescentou:

“Se for uma formação de cartel, tem de ser tratada de forma criminosa porque está até ofendendo a inteligência de todos nós e, mais do que isso, gerando fome no mundo, já que nós produtores temos de comprar adubo neste preço, o que onera o produto final e chega ao consumidor. É algo muito sério.”

E concluiu:

“Isso não pode acontecer de forma alguma, ainda mais em um momento em que estamos passando por uma guerra e colocam a culpa toda em cima disso. Mas será que é isso mesmo? Então merece, sim, esclarecimento.”

As declarações foram dadas em junho, quando José Sismeiro assumiu interinamente o comando da Aprosoja Brasil.

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