Gaeco de São Bernardo do Campo marcou presença em evento que discutiu ações integradas para combater cartéis

A promotora de Justiça Cíntia Marangoni, que já participou de pelo menos três grandes investigações que apuraram crimes cometidos pelo chamado cartel dos cegonheiros, foi uma das painelistas do evento promovido pelo Cade e Ministério Público Federal.  

De Brasília

A promotora de Justiça Cíntia Marangoni, que integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP), participou nesta semana do seminário “A Cooperação na Investigação e no Combate aos Cartéis”. Por dois dias (9 e 10 de agosto), o evento reuniu representantes dos Ministérios Públicos Federal e Estaduais e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O objetivo é articular ações dessas instituições para reprimir grupos econômicos que atentam contra a ordem econômica nos setores público e privado. Na ocasião foi firmado acordo que instituiu a Frente Nacional de Combate a Cartéis (FNCC).

Cíntia Marangoni apresentou em painel que começou logo após a abertura do evento, no dia 9, a visão do Ministério Público do Estado de São Paulo no combate aos cartéis. Ela possui larga experiência nessa área. Cíntia fez parte da Operação Pacto, criada para aprofundar as investigações sobre crimes praticados pelo chamado cartel dos cegonheiros e deflagrada na manhã de 17 de outubro de 2019.

Na ocasião foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão contra transportadoras e sindicato ligados ao cartel dos cegonheiros. As ações policiais ocorreram em cinco municípios: Betim (MG), São Bernardo do Campo (SP), Santo André (SP), Simões Filho (BA) e Serra (ES). A investigação originou-se no Cade. O órgão antitruste comprovou existência de um pacto para dividir o mercado bilionário de frete de veículos novos entre poucas transportadoras.

Mais tarde, a apuração da Polícia Federal confirmou as conclusões do órgão antitruste. Ao todo, 16 pessoas foram investigadas, 12 acabaram indiciadas. São funcionários das empresas Tegma, Brazul, Autoservice e Transcar, além do presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (Sintraveic-ES). Também figuram entre os indiciados três executivos da Transilva Logística.

A Operação Pacto não foi a primeira vez que Cíntia Marangoni enfrentou o cartel dos cegonheiros. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) investiga essa organização criminosa há pelo menos dez anos.  

Ação Penal
Em 2012, o Gaeco de São Bernardo do Campo denunciou 12 integrantes do cartel dos cegonheiros por abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa. O processo de 66 volumes e 14 mil páginas está concluso para o juízo da 5ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo proferir sentença.Organização criminosa, formação de cartel e lavagem de dinheiro.

Em 2015, o mesmo núcleo de atuação regionalizada do Ministério Público de São Paulo passou a investigar, entre outros, Vittorio Medioli, dono do grupo Sada e atual prefeito de Betim (MG), por suposto envolvimento em organização criminosa, formação de cartel, falsos documentais e tributários e lavagem de dinheiro. Os crimes teriam sido praticados desde o ano de 2011, na comarca e município de São Bernardo do Campo (SP), onde ele possui pelo menos cinco transportadoras de veículos. O PIC 03/2015 aprofundou em 2017 as investigações sobre supostas práticas de abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial da concorrência mediante ajuste de acordo de empresas e de ações violentas utilizadas pela organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos. Outros quatro estão na mira do Gaeco como investigados. Gennaro Oddone (Tegma), Waldélio de Carvalho Santos, presidente do Sintraveic-ES, Jardel de Castro, presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Rio de Janeiro e José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros, o Sinaceg. Procedimento foi encaminhado ao judiciário em fevereiro de 2022.

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Um comentário sobre "Gaeco de São Bernardo do Campo marcou presença em evento que discutiu ações integradas para combater cartéis"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    BRILHANTE ESSA MATÉRIA MESMO!
    PARABÉNS AOS ILUSTRES INVESTIGADORES DESSAS AÇÕES PENAIS. TAIS FATOS COMPROVAM REALMENTE A EXISTÊNCIA DESSA FACÇÃO CRIMINOSA, QUE ATUA HÁ TANTOS ANOS, EM NOSSO PAÍS, E CONTINUAM EM ATIVIDADE ATÉ OS DIAS DE HOJE, BURLANDO TODAS AS LEIS CONSTITUCIONAIS DO BRASIL, COMANDADA POR UM POLÍTICO DE NACIONALIDADE ITALIANA(O TAL PREFEITO DE BETIM-MG), QUE POSSUI MUITAS EMPRESAS TRANSPORTADORAS, VINCULADAS AO SISTEMA.
    ESSES FATOS SÃO MUITO GRAVES MESMO, PRINCIPALMENTE POR SUAS AÇÕES CRIMINOSAS CONTRA AS TRANSPORTADORAS NÃO INTEGRANTES DO SISTEMA PODRE, QUE AO TENTAREM OFERECER VALORES DE FRETES, SEGUINDO A LEI DA “LIVRE CONCORRÊNCIA”, TIVERAM SEUS EQUIPAMENTOS INCENDIADOS, A MANDO DOS LÍDERES DESSA FACÇÃO.
    SENDO ASSIM, NADA MAIS A COMENTAR.
    SÓ PODEMOS É PARABENIZAR A JURISPRUDÊNCIA, QUE AGORA TOMARÁ AS DEVIDAS DECISÕES DE EXTERMINAR DEFINITIVAMENTE CARTEL, CANCELANDO TODOS OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DE TAIS TRANSPORTADORAS DO SISTEMA, POIS SÓ ASSIM, O CARTEL DEIXARÁ DE EXISTIR.
    “DURA LEX, SED LEX” – CUMPRAM-SE AS LEIS. DOA A QUEM DOER!
    TODOS DEVERIAM SER SEVERAMENTE PUNIDOS MESMO!
    PRA FRENTE BRASIL!

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