Há dois anos, Transilva pediu a prisão de vândalos que incendiaram caminhões-cegonha, mas nada aconteceu

Ao conquistar a logística e a totalidade do transporte dos veículos da marca Kia, em meados de 2016, a Transilva Log, que tem sede em Vitória (ES), também foi alvo de ataques criminosos. Em petição encaminhada ao Ministério Público Federal de São Bernardo do Campo (SP), a empresa chegou a pedir a adoção de medidas cautelares urgentes contra 20 cegonheiros-empresários e a prisão de pelo menos sete deles.

Dois anos depois, nada aconteceu com os denunciados. No Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o inquérito da Polícia Federal sobre incêndios criminosos em caminhões-cegonha anda a passos de tartaruga. O procedimento aponta envolvimento de vários cegonheiros-empresários em incêndios criminosos, além de indicar o político e empresário Vittorio Medioli (dono do grupo Sada e prefeito de Betim) como o chefe da organização investigada.

Mais uma vítima do cartel dos cegonheiros 
Essa não foi a primeira vez que a transportadora capixaba virou alvo de atentados por parte de integrantes da associação criminosa que controla o setor até hoje. Em 2011, nove caminhões da empresa foram incendiados criminosamente em frente ao pátio da matriz. Em 2016, a empresa que transportava parte dos veículos Kia ganhou uma cotação de preços e conquistou o direito a escoar a totalidade dos veículos importados. A represália foi imediata. Vários caminhões-cegonha foram incendiados criminosamente. O escritório central da Kia Motors, localizado no município de Itu (SP), foi vítima de explosões com coquetéis-molotovs. Ninguém foi identificado pela Polícia. O mesmo ocorreu com os incêndios nos caminhões-cegonha da Transilva Log.

No documento enviado ao MPF, a empresa capixaba chegou a pedir a prisão cautelar dos envolvidos nos atos criminosos, além de outras medidas judiciais cabíveis. A solicitação foi feita, principalmente, segundo a Transilva Log, para “coibir a reiteração da prática criminosa contra a notificante”. Datado de agosto de 2016, cita o possível envolvimento de Waldelio de Carvalho Santos (presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo); Bernardo Campos Silva, que teria vindo de Belo Horizonte (MG); Josenaldo Oliveira dos Santos; Edemundo Vieira Damasceno; Elias Antonio Moreira; Rodrigo Sousa Silva de Jesus e Erivaldo Lucas da Silva (vulgo Lucas).

De acordo com o relato, “todos integrantes encontram-se organizados com a única intenção de atear fogo nas cegonhas da Transilva Log, estando, inclusive sendo investigados pela Polícia Federal e já tendo sido intimados para prestar depoimento na Polícia Federal, sem notícia de terem sido encontrados.

Outros que estariam organizando as queimas de caminhões-cegonha da Transilva: Luciano Gomes da Silva (vulgo Goiano), Claudemir Soares de Oliveira (vulgo Tramontina), Jonas Lopes da Silva, Tiago Gomes Martins (vulgo Tiago Serrano), João gomes Martins (vulgo João Serrano). E cita outros envolvidos: Mauro Marcelino Simões (vulgo Maurinho), Jorge Francisco, Valdir e Dioguinho”.

Também foram apontados “nomes já citados como supostos integrantes dessa organização: Jaime Ferreira dos Santos (atual presidente do Sinaceg), José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho, atual vice-presidente do Sinaceg), Gilmar Donizete da Silva (Mexicano, diretor Executivo efetivo do Sinaceg) e o líder do grupo localizado na Bahia, segundo consta, também investigado por procedimentos que tramitam naquele estado, Renato Baiano.”

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