Há quatro anos Cade inquiriu 16 montadoras sobre ação do cartel dos cegonheiros. Resultados ainda não foram divulgados

Procedimento visa a apurar eventuais práticas de infrações à ordem econômica, principalmente formação de cartel no setor de transporte de veículos novos.

Solaris Energia Solar - whatsapp (51) 984326475

De Brasília

Daqui a dois dias (27) completa quatro anos que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) encaminhou a 16 montadoras com fábricas instaladas no país um questionário para saber quais transportadoras as atendem e quais regras balizaram o processo competitivo para contratar essa operadoras. O procedimento faz parte de inquérito que tramita no órgão antitruste desde 2016. A investigação apura possíveis infrações à ordem econômica praticadas por grupos econômicos que controlam o bilionário setor de transporte de veículos novos no país.

Sabe-se que das 16 marcas notificadas, apenas duas usam transportadoras independentes – aquelas não ligadas ao cartel dos cegonheiros – para distribuir a produção no mercado interno.

Confira as marcas notificadas pelo Cade em agosto de 2018 e quais as transportadoras que as atendem:

  • Volkswagen do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • General Motors do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • FCA Fiat Chrysler Automóveis do Brasil (incluiu a Jeep) – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Ford Motor Company Brasil – Agora importadora – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Renault do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Toyota do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Honda automóveis do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Hyundai Motor Brasil Montadora de Automóveis – Transportes Gabardo (70%) e cartel dos cegonheiros (30)
  • CAOA Montadora de Veículos – Transportes Gabardo (100%)
  • Nissan do Brasil Automóveis – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Peugeot Citroen do Brasil Automóveis – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • HPE Automóveis do Brasil (Mitsubishi) – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Mercedes-Benz do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Audi do Brasil Indústria e Comércio de Veículos – Cartel dos cegonheiros (100%)
  • Jaguar e Land Rover Brasil Indústria e Comércio de Veículos- Cartel dos cegonheiros (100%)
  • BMW do Brasil – Cartel dos cegonheiros (100%)

Demora justificada
Vale ressaltar que o Cade investiga o setor desde fevereiro de 2016. Procedimento Preparatório se transformou em Inquérito Administrativo em 1º de novembro do mesmo ano.

No mesmo ano em que inquiriu as montadoras (2018), o Cade também encaminhou à Delegacia de Repressão contra Crimes Fazendários da Superintendência da Polícia Federal conclusões obtidas por meio de acordo firmado com uma empresa. As provas juntadas ao procedimento comprovaram a existência de um pacto para dividir o mercado de frete de veículos novos entre poucas transportadoras.

Mais tarde, a investigação da Polícia Federal confirmou as conclusões do Cade no âmbito da Operação Pacto, cuja ação ostensiva foi deflagrada em 17 de outubro de 2019. Na ocasião foram recolhidas centenas de documentos e equipamentos nas sedes das transportadoras Transcar (localizada no município de Simões Filho, BA), Tegma (São Bernado do Campo, SP) e empresas do grupo Sada (São Bernardo do Campo e Betim (MG). Desde então o vasto material apreendido está sob análise dos técnicos do Cade. Todas as buscas e apreensões foram realizadas com autorização da Justiça.

A origem da Operação Pacto foi revelada pelo chefe da Delegacia de Repressão Contra Crimes Fazendários, delegado Alberto Ferreira Neto.

O que a Operação Pacto apurou até o momento:
– Poucas transportadoras dividem o mercado de fretes de veículos novos.
– Empresas e sindicatos ligados ao cartel dos cegonheiros atuam com o propósito de impedir o ingresso de novos transportadores.
– Não existe livre concorrência.
– Contratação de transportadoras é realizada mediante processo caracterizado por cartas marcadas.
– Fixação artificial de preço, com ágio de até 40%.
– Montadoras e concessionárias são reféns da organização criminosa que explora o setor.
– Montadoras são coagidas com piquetes e queima de caminhões-cegonha quando ameaçam romper com o cartel.

Operação Pacto contou com a participação de 60 agentes da força-tarefa composta por membros da Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP).

Em 2021, o delegado federal Caio Eduardo Avanço, da Delegacia Fazendária, concluiu em 26 de outubro o inquérito policial – instaurado em 28 de fevereiro de 2019 – que investigou possíveis crimes contra a ordem tributária atribuídos a executivos de transportadoras de veículos novos e a pelo menos um presidente de sindicato de cegonheiros. O site Livre Concorrência teve acesso com exclusividade ao documento composto por mais de 3,9 mil páginas, o qual mostra que 12 pessoas foram indiciadas por infringir a ordem tributária e por formação de associação criminosa. Para a PF, “todos os documentos corroboram, sem sombra de dúvida, e de maneira farta, a cartelização do mercado e a participação da Brazul e outras empresas nesse cartel”.

As conclusões do Cade referentes aos procedimentos abertos em 2016 seguem em compasso de espera.




ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Há quatro anos Cade inquiriu 16 montadoras sobre ação do cartel dos cegonheiros. Resultados ainda não foram divulgados"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    A CADA DIA QUE RECEBO ESSAS MATÉRIAS, VERIFICO QUE A JUSTIÇA DESSE NOSSO PAÍS, ANDA EM PASSOS DE “TARTARUGAS”!
    NÃO É POSSÍVEL QUE ESSAS EMPRESAS LIGADAS A ESSE CARTEL CRIMINOSO, AINDA POSSUAM SEUS RESPECTIVOS “ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO”!
    ONDE ESTÃO OS JUÍZES FEDERAIS, QUE NÃO ACIONARAM ESSAS DIRETRIZES?
    JÁ SE PASSARAM MUITOS ANOS, QUE ESSA ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA ATUA NO NOSSO PAÍS, PREJUDICANDO EM MUITO OS CONSUMIDORES FINAIS, ALÉM DAS DEMAIS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS NÃO INTEGRANTES DESSE CARTEL (QUE INCLUSIVE TIVERAM VÁRIOS EQUIPAMENTOS INCENDIADOS, A MANDO DOS LÍDERES DESSA FACÇÃO!).
    CHEGA! NÃO DÁ MAIS PARA FICARMOS NESSA SITUAÇÃO!
    TODOS OS CARTÉIS EXISTENTES NO BRASIL, DEVERIAM SER PUNIDOS, NA FORMA DAS LEIS CONSTITUCIONAIS. NÃO É MESMO!
    SALVEM O NOSSO PAÍS!
    PARABENIZO EM MUITO POR ESSAS EDIÇÕES BRILHANTES DESSE PORTAL. COMO SEMPRE!

Os comentários estão encerrados