Justiça do Trabalho de Brasília e Goiás impedem que cartel dos cegonheiros interfira em sindicato do Centro-Oeste

Justiça do Trabalho do Distrito Federal e de Goiás impediram tentativa de sindicato subordinado a empresas que controlam mais de 95% do mercado de transporte de veículos novos no país de expadirem domínio sobre unidades da Federação localizadas na região Centro-Oeste. Em Brasília, houve a anulação da sentença que garantia ao Sintravam, uma entidade-fantoche manipulada pelo cartel dos cegonheiros, de representar a categoria dos profissionais que trabalham no setor. Já na cidade de Anápolis, a Justiça do Trabalho cancelou audiência programada e indeferiu liminar solicitada pelo Sintravam, que poderia acarretar interferência da organização criminosa na frágil e combalida livre concorrência adotada por número reduzido de montadoras.

As ações impetradas pelo Sintravam – cuja sigla significa Sindicato das Pequenas e Microempresas e Transportadores Autônomos de Veículos dos Municípios de Anápolis, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Goianésia, Hidrolândia, Catalão e Itumbiara – visavam a tomar a representatividade atualmente exercida em todo o estado pelo Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), presidido por Afonso Rodrigues de Carvalho. Magayver, como é popularmente conhecido, é um dos maiores ativistas da livre concorrência no segmento das cegonhas e o maior crítico dos empresários e sindicalistas vinculados ao cartel dos cegonheiros. Ele explicou:

“Nosso advogado agiu rápido para impedir essa tentativa desleal dos integrantes do cartel.”

Narciso Fernandes Barbosa, advogado que representa o Sintrago-GO, deu mais detalhes:

“Agimos a tempo de alertar os magistrados a respeito da manobra intentada pelo Sintravam. Além de conseguirmos a revisional de sentença na 9ª Vara do Trabalho em Brasília, o que é muito raro. O juiz Fernando Gabriele Bernardes anulou os efeitos da sentença anterior.”


O advogado acrescentou:

“Outra vitória nossa consiste na negativa de liminar conferida pela juíza Blanca Carolina Martins Barros, da 1ª Vara do Trabalho de Anápolis. Caso fosse concedida a liminar, na prática, representaria que o Sintravam assumiria a representatividade dos empresários-cegonheiros em todo o estado de Goiás.”

De acordo com dados do extinto Ministério do Trabalho e Emprego, o Sintrave-GO ingressou com pedido de registro em julho de 2012, enquanto o Sintravam apresentou documentação inicial em setembro de 2016, quatro anos depois.

Barbosa ressaltou:

“O pedido de registro do Sintrave-GO é bem anterior ao do Sintravam. A liberação do registro não ocorreu até hoje por conta da exigência do pagamento de propinas, conforme comprovou a operação Registro Espúrio, da Polícia Federal. Agora vamos para o rito normal das ações, e mostrar aos magistrados quem tem o justo direito de defender os interesses dos seus associados.”

Ele também destacou o fato de a Justiça do Trabalho determinar o ingresso oficial do Sintrave-GO na demanda.

Ação do cartel
De acordo com o presidente do Sintrave-GO, parte do cartel que controla com mãos de ferro 95% do setor de transporte de veículos novos está nos quadros do Sintravam. Ele cita como exemplo a postura do atual presidente, Mauro Simeão, conhecido como Maurinho:

“Ele (Maurinho) estava, com seus colegas do Espírito Santo nas manifestações ocorridas na fábrica da Caoa-Chery, em Jacareí-SP, onde houve, inclusive, a tentativa de assassinato de funcionários da Transportes Gabardo, quando cegonheiros tomaram um caminhão de associados nosso e o jogaram sobre o veículo onde estavam os funcionários da empresa.”

Nessa mesma época, em outubro do ano passado, vários caminhões da transportadora gaúcha foram incendiados criminosamente porque a empresa venceu a cotação de preços feita pela Caoa-Chery. (Foto de abertura: Maurinho, que preside o Sintravam, está de camiseta preta, primeiro à esquerda, em assembleia no Espírito Santo).

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