Importadores comemoram vendas de carros elétricos que cresceram 146% no primeiro semestre de 2024

O segmento mostra preocupação com a possível antecipação de majoração da taxa dos elétricos importados, que passará para 35% em julho de 2026. Rumores dão conta que a intenção do governo é antecipar a cobrança desse percentual.

De São Paulo

As vendas de veículos elétricos neste primeiro semestre do ano saltaram dos 32,2 mil para os 79,3 mil. Um aumento de 146% comparado com o mesmo período de 2023. Os dados foram revelados pela Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). Somente no mês de junho, foram emplacados 14.396 veículos movidos a eletricidade, representando acréscimo de 131% sobre os números de junho do ano passado. Mas enquanto os números são altamente favoráveis aos eletrificados, a preocupação está presente no que se refere ao aumento da taxa de importação. A previsão da alíquota de 35% ser cobrada a partir de julho de 2026 poderá ser antecipada pelo governo, especula-se nos bastidores, causando um impacto redutor nas importações.

Os números confirmam a previsão da associação dos elétricos. Este ano, segundo a entidade, terminará com um novo recorde de mais de 150 mil veículos eletrificados vendidos no período, o que significará, caso se confirme, um crescimento superior a 60% sobre os 93.927 de 2023.

Com o resultado do primeiro semestre, o Brasil praticamente já chegou à marca simbólica de 300 mil eletrificados leves em circulação no país desde 2012 (início da série histórica da ABVE), exatamente 299.735 veículos até junho deste ano. Os eletrificados, segundo divulgado pela ABVE, incluem todas as tecnologias: BEV 100% elétricos, PHEV híbridos elétricos plug-in, HEV flex e a gasolina (não plug-in) e os micro-híbridos MHEV, com baixa grau de eletrificação.

O resultado do primeiro semestre consolida a evolução do mercado brasileiro de eletromobilidade, hoje dominado pelos veículos elétricos plug-in e, dentre estes, pelos BEV totalmente elétricos. De janeiro a junho de 2024, os BEV representaram 39% dos emplacamentos de eletrificados no país (31.204). Já os PHEV, veículos elétricos híbridos que também têm recarga externa, responderam por 29,5% (23.296).

Enquanto isso, os veículos plug-in (BEV + PHEV), somaram nada menos do que 69% do mercado de eletrificados leves no período no Brasil. Os HEV convencionais (elétricos não plug-in a gasolina ou diesel) ficaram com 9,3% das vendas no primeiro semestre (7.394). Os HEV flex a etanol, com 14% (10.987), e os micro-híbridos MHEV, com 8% (6.423), revela a entidade.

A ABVE ressalta a importância do Programa Mover, a nova política automotiva brasileira, com foco em veículos de mais eficiência energética e sustentabilidade ambiental. Paralelo a isso, o setor mostra apreensão quanto as novas alíquotas de aumento do imposto de importação dos veículos eletrificados, que entraram em vigor no dia primeiro deste mês. Os BEV passaram de 10% (em 1º de janeiro de 2024) para 18%. Os híbridos plug-in PHEV, de 12% para 20%. E os HEV (híbridos não plug-in), de 15% para 25%. Todas as alíquotas devem chegar a 35% até julho de 2026, segundo o cronograma divulgado pelo Ministério do Desenvolvimento (MDIC) no final do ano passado.

Outro fator destacado pela ABVE, como preocupante para o setor, diz respeito à indefinição sobre as novas regras de segurança para prevenção de acidentes com carros elétricos, lançada para consulta pública em abril pelo Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo.

A preocupação em torno dessas regras, que deverão ser definidas no segundo semestre do ano, afetou o mercado de recarga elétrica em edifícios residenciais e comerciais, e não só em São Paulo – estado responsável por 34% das vendas nacionais de eletrificados leves.

O presidente da entidade, Ricardo Bastos, ressalta:

“Os números de junho e do primeiro semestre confirmam o excelente momento da eletromobilidade no Brasil, mas temos de ficar atentos aos perigos de retrocesso na rota de descarbonização e eficiência energética da matriz brasileira de transporte.”

Ele acrescenta:

“Temos ouvido notícias preocupantes sobre a antecipação da alíquota de 35% do Imposto de Importação de veículos elétricos, que estava prevista pelo Governo Federal somente para julho de 2026. Entendemos que, a se confirmar, essa antecipação, isso poderia configurar uma lamentável quebra das regras estabelecidas há apenas seis meses pelo próprio governo.”

A eventual inclusão dos veículos elétricos no Imposto Seletivo, também chamado de “imposto do pecado”, é outra preocupação da entidade e do setor, segundo Bastos.

Ele explica:

“Os veículos elétricos são produtos de alto grau de tecnologia, que contribuem para a redução da poluição urbana, das emissões de gases do efeito estufa e dos altos níveis de ruído nas cidades brasileiras”.

O dirigente entende que esses são fatores decisivos para melhorar a qualidade de vida e diminuir as mortes associadas à poluição nas grandes cidades. “Não nos parece cabível que esses veículos venham a ser taxados como se fossem produtos que fazem mal à saúde ou ao meio ambiente, o que absolutamente não é o caso”, concluiu. (Com informações da ABVE.)

Foto: José Cruz/Agência Brasil

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Importadores comemoram vendas de carros elétricos que cresceram 146% no primeiro semestre de 2024"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    É UM EXCELENTE MERCADO, MAS O GOVERNO FEDERAL ATUAL, NÃO PODE DEIXAR DE LADO OS DEMAIS VEÍCULOS NÃO ELÉTRICOS, POIS ISSO SIGNIFICARIA UM CAOS TOTAL PARA OS PROPRIETÁRIOS DE OUTROS VEÍCULOS, NÃO ELÉTRICOS.
    TODA ESSA MANOBRA DEVE SER MUITO BEM ESTUDADA PELOS ESPECIALISTAS, POIS O NOSSO BRASIL DEVE FICAR ATENTO A TODOS ESSES FATOS, VISANDO NÃO CAUSAR DANOS AOS DEMAIS VEÍCULOS FABRICADOS NO BRASIL, POR OUTRAS MONTADORAS.
    VAMOS AGUARDAR OS ANDAMENTOS LEGAIS, PARA TODOS!
    CERTO?
    CERTAMENTE OS IMPOSTOS COBRADOS À ESSES VEÍCULOS, DEVEM SER MUITO BEM CALCULADOS.

Os comentários estão encerrados