Investigadores devem chegar aos financiadores de campanha internacional contra concorrentes do cartel dos cegonheiros

Transportadoras e entidades investigadas e processadas por formação de cartel, organização criminosa abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência e fixação artificial de preços de fretes podem estar por trás do financiamento de ações anticoncorrenciais fora do país. Operação Ciconia, deflagrada pela Polícia Federal, Cade e Gaeco pode identificar a origem desses recursos. 

De São Paulo

Documentos apreendidos durante a operação Ciconia deverão servir para identificar a origem dos recursos utilizados para pagar viagens a países de três continentes com o objetivo de promover ações anticoncorrenciais junto a matrizes de montadoras que operam no Brasil. O objetivo desse roteiro é atacar a reputação de empresas que tentam ingressar ou aumentar a participação no bilionário mercado de transporte de veículos novos. A revelação foi feita com exclusividade ao site Livre Concorrência por fontes próximas às investigações. O farto material poderá mostrar ainda o possível envolvimento de parentes próximos de empresário que atua no segmento econômico das cegonhas com grande participação no mercado.

Políciais federais já deram início à análise do material apreendido na Operação Ciconia, que teve como principal alvo – além de outros cinco ainda não identificados com precisão pela reportagem – o braço político e operacional do cartel dos cegonheiros: o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg). A entidade patronal, com sede em São Bernardo do Campo, já foi condenada pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por participação no conluio formado por grandes transportadoras integrantes dos grupos Sada e Tegma – cujas sedes também foram alvos da Operação Pacto. O esquema, segundo a sentença, impede o ingresso de novos agentes no mercado e utiliza mecanismos para aumentar artificialmente os valores cobrados a título de frete no transporte de veículos zero-quilômetro em todo o país. A minuciosa avaliação da segunda fase da Operação Pacto poderá trazer à tona outros personagens envolvidos que ainda não estão sob investigação, segundo revelaram as mesmas fontes.

Nos bastidores, cegonheiros mostram-se temerosos com o fato de que as investigações possam evoluir para identificação de possível envolvimento de parentes próximos a grande empresário do ramo. Ele detém, de acordo com uma das fontes, uma frota superior a 60 conjuntos (cavalos mecânicos e semi-reboques), além de outros quatro caminhões e mais de uma dezena de veículos leves. O cruzamento de dados com o material apreendido pela Operação Pacto pode determinar novos rumos sobre o modus operandi do cartel dos cegonheiros. Policiais federais, Ministério Público de São Paulo (Gaeco) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) já identificaram financiamento das grandes transportadoras destinado a sufocar movimento de cegonheiros na Bahia. Em 2014, mais de R$ 2,9 milhões foram gastos e rateados entre os participantes do esquema que garantiu a manutenção do monopólio do grupo, com parte dos recursos repassados ao Sinaceg, que nega ter recebido os valores.

A Operação Ciconia, um desdobramento da Operação Pacto (2019), foi deflagrada em 29 de agosto deste ano. Na ocasião, agentes da força-tarefa (Cade, Gaeco, e Polícia Federal) cumpriram seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo/SP, nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Sabe-se que dois mandados destinaram-se a vasculhar a sede do Sinaceg e a casa de um dirigente dessa entidade, em São Bernardo do Campo (SP). Falta identificar os alvos dos outros dois estados. Chama a atenção o fato de a Polícia Federal ter executado um ou mais mandados em Mato Grosso. Essa unidade da Federação não possui montadoras instaladas nem sequer, até o momento, vínculo com o cartel dos cegonheiros. Especula-se que os policiais revistaram uma propriedade rural – o que só aumenta a curiosidade sobre os donos desse local e para qual finalidade era usada pelo esquema que controla mais de 90% do transporte de veículos novos no país.

A segunda operação de busca e apreensão no setor de transporte de veículos novos poderá ainda alterar o entendimento de que as montadoras são reféns do cartel. As autoridades estariam a um passo de alcançar o envolvimento de montadoras de veículos no esquema ilícito. A revelação foi feita ao site Livre Concorrência por três advogados com larga atuação no sistema concorrencial brasileiro.

Para esses especialistas em direito concorrencial, dois deles com atuação em procedimentos que tramitam no Cade, “é bem provável que isso [participação das montadoras] poderá acontecer diante, principalmente, das conclusões que o Cade vai chegar“. Eles acham que as próximas etapas no Conselho ocorrerão em breve, referindo-se ao inquérito administrativo que investiga possíveis infrações à ordem econômica em andamento pela autoridade antitruste desde 2016.

O Sinaceg ainda não se pronunciou oficialmente a respeito da Operação Ciconia.

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Um comentário sobre "Investigadores devem chegar aos financiadores de campanha internacional contra concorrentes do cartel dos cegonheiros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS BEM AMIGOS QUE SEMPRE ACOMPANHAM ESSAS BRILHANTES MATÉRIAS EDITADAS NESSE PORTAL, QUE É O ÚNICO CANAL JORNALÍSTICO DO NOSSO PAÍS A LUTAR POR UM BRASIL MELHOR, EM FUNÇÃO DE EXTERMINAR DEFINITIVAMENTE ESSE CARTEL DOS CEGONHEIROS E OUTROS TANTOS.
    SÓ PODEMOS É PARABENIZAR ESSA EQUIPE E PRINCIPALMENTE O EDITOR CHEFE, SR. IVENS CARÚS, QUE MERECE TODO MEU RESPEITO!
    PELO VISTO, SÓ OS ALIENADOS LIGADOS A ESSA FACÇÃO CRIMINOSA, QUE NÃO TEMEM EM APOIAR ESSAS EMPRESAS, QUE ATUAM DELIBERADAMENTE PARA GANHAREM ALGUMAS VANTAGENS FINANCEIRAS DO CARTEL, PRATICANDO UM TERRÍVEL CRIME FEDERAL!
    TEMOS CERTEZA QUE MUITO EM BREVE TODOS OS RÉUS DESSAS AÇÕES SERÃO PUNIDOS DE FORMA FINITA.
    SALVEM A NOSSA PÁTRIA AMADA BRASIL, SRS. JUÍZES, ADVOGADOS E DESEMBARGADORES DESSAS CAUSAS!

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