Justiça confirma dívida de R$ 2,2 milhões de empresário que se aliou ao cartel dos cegonheiros

Em dezembro de 2022, o então titular da 12ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre (RS), juiz Leandro Raul Klippel, determinara o bloqueio de nove bens de Afonso Rodrigues de Carvalho, da empresa Transportes Magayver, e do filho de Carvalho, Richard Deken de Carvalho (incluído na ação como interessado). A medida visava assegurar o pagamento da dívida.

Do Rio Grande do Sul

A juíza Patricia Dorigoni Hartmann, da 12ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre (RS), rejeitou a tentativa do empresário-cegonheiro Afonso Rodrigues de Carvalho (foto de abertura) de livrar-se de dívida milionária contraída junto à empresa em que trabalhou por mais de duas décadas: a Transportes Gabardo. O autor dos embargos à execução de título extrajudicial alegou “ilegalidade do pretendido vencimento antecipado de títulos” e requereu a “nulidade do negócio jurídico que originou os cheques” usados como garantia dos recursos a ele repassados no total de R$ 2,2 milhões. Carvalho também demandou a concessão de efeito suspensivo da execução da dívida e a inexigibilidade dos títulos não vencidos. A magistrada julgou improcedente os argumentos e ainda condenou o empresário-cegonheiro a pagar, além da dívida, as custas do processo e os honorários dos advogados da Transportes Gabardo, fixados em 10% do valor da causa, cerca de R$ 220 mil. Cabe recurso.

A dívida foi contraída antes de Carvalho romper com o empresário Sérgio Mário Gabardo, sócio-administrador da Transportes Gabardo, e aliar-se a empresas e sindicatos que compõem o chamado cartel dos cegonheiros. Por mais de duas décadas, o ex-funcionário da Gabardo atacou o esquema que controla mais de 90% do transporte de veículos novos no país. Após firmar acordo milionário com o prefeito de Betim (MG) e proprietário do grupo Sada, Vittorio Medioli, Carvalho passou a prestar serviços às empresas que acusara de formação de cartel e a atacar sistematicamente a reputação da empresa para a qual prestou serviços por 24 anos.

Na sentença proferida em 11 de novembro, a juíza destacou:

“No caso dos autos, tem-se que ação de execução de título extrajudicial nº … é lastreada em 44 cheques de R$ 50.000,00, dados em pagamento de dívida no valor de R$ 2.200.000,00 decorrente de instrumentos particulares de confissão de dívida celebrados pela exequente e Magayver Transportes Ltda., figurando o executado Afonso Rodrigues como avalista/garantidor.”

Ela também apontou 15 instrumentos de confissão de dívida, assinados por Carvalho:

“Com efeito, nos autos da execução, além dos 44 cheques emitidos pela empresa embargante em favor da embargada, há quinze instrumentos de confissão de dívida firmados por Afonso Rodrigues, na condição de sócio da devedora Magayver Transportes Ltda e, simultaneamente, como avalista, sendo que o primeiro instrumento foi celebrado ainda em 2013, não havendo notícia, repita-se, de que os embargantes tenham se insurgido em face de qualquer das dívidas em momento anterior ao ajuizamento da execução, o que infirma a tese veiculada na inicial.”

A magistrada acrescentou que Carvalho, ao assinar os instrumentos de confissão de dívida estava “plenamente ciente das consequências dos atos praticados”, por ser empresário:

“Tais documentos corroboram a narrativa da parte embargada [Transportes Gabardo] acerca da contratação de empréstimos pelo embargante, de resto lastreada na prova oral e documental produzida – em especial, repita-se, nos diversos contratos e cheques voluntariamente assinados durante vasto lapso temporal pelo embargante [Afonso Rodrigues de Carvalho], qualificado como empresário e, portanto, plenamente ciente das consequências dos atos praticados.”

E concluiu:

“Isto posto, julgo improcedente a pretensão deduzida nos presentes embargos à execução.”

Em dezembro de 2022, o então titular da 12ª Vara Cível da Comarca de Porto Alegre (RS), juiz Leandro Raul Klippel, determinara o bloqueio de nove bens do cegonheiro-empresário Afonso Rodrigues de Carvalho, da empresa Transportes Magayver, e do filho de Carvalho, Richard Deken de Carvalho (incluído na ação como interessado). A medida visava tentar assegurar o pagamento da dívida de R$ 2,2 milhões.

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Um comentário sobre "Justiça confirma dívida de R$ 2,2 milhões de empresário que se aliou ao cartel dos cegonheiros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    Não resta a menor dúvida que esse “cidadão” Afonso Rodrigues de Carvalho, o “Magayver”, resolveu mudar de lado, aceitando se corromper para o lado do famoso “Cartel dos Cegonheiros”, comandado pelo político Vittorio Medioli (Prefeito de Betim-MG).
    Visto isso, sua condenação é devida e merecida!
    Parabéns aos órgãos julgadores dessas Ações contra esse “meliante”, quem o apoiou e todos que ele passou a apoiar, que integram essa Facção Criminosa, denominada como o “Cartel dos Cegonheiros”!
    Ponto final para todos!
    Nada mais a comentar!

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