Justiça de Goiás aceita denúncia contra 16 pessoas investigadas por manipulação de resultados em partidas de futebol

O juiz Alessandro Pacheco, da 2ª Vara de Repressão ao Crime Organizado, também manteve a prisão preventiva de Bruno Lopez, Thiago Andrade e Romário Hugo dos Santos, a pedido do Ministério Público de Goiás (MPGO). O três estão detidos em São Paulo e serão transferidos para um presídio de Goiás.

De Goiás

A Justiça de Goiás acolheu a denúncia do Ministério Público daquele estado contra 16 pessoas envolvidas em fraudes visando à manipulação de resultados em 13 partidas de futebol: oito do Campeonato Brasileiro da Série A de 2022, um da Série B de 2022 e quatro de campeonatos estaduais realizados em 2023. O grupo de réus é formado por apostadores, financiadores e jogadores.

Na peça entregue à Justiça os promotores e promotoras do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de Combate ao Crime Organizado relacionaram 23 fatos criminosos. A denúncia traz, em mais de 100 páginas, farto material comprobatório, com prints de conversas e transcrições de áudios entre os denunciados, obtidos por meio de autorização judicial. As provas, segundo o MPGO, confirmam a atuação de organização criminosa voltada a induzir resultados e obter elevados ganhos financeiros com esse esquema, que contava com a participação de jogadores. Os envolvidos receberiam valores entre R$ 50 mil a R$ 100 mil para que cometessem determinados eventos nos jogos, como derrota no primeiro tempo e interferissem no número de escanteios marcados e de cartões amarelos e vermelhos mostrados durante as partidas.

A denúncia ressalta:

“Trata-se de atuação especializada visando ao aliciamento e cooptação de atletas profissionais para, mediante contraprestação financeira, assegurar a prática de determinados eventos em partidas oficiais de futebol e, com isso, garantir o êxito em elevadas apostas esportivas feitas pelo grupo criminoso em casas do ramo, como www.bet365.com e www.betano.com. O grupo se vale, ainda, de inúmeras contas de terceiros para aumentar seus lucros, ocultar reais beneficiários e registra a atuação de intermediadores para identificar, fornecer e realizar contatos com jogadores dispostos a praticar as corrupções.”

A denúncia decorre da investigação que deu origem à Operação Penalidade Máxima II. O MPGO requereu ainda que seja fixado o valor mínimo de R$ 2 milhões para reparar os danos morais coletivos causados pelos denunciados. O montante deverá ser atribuído globalmente, de forma solidária, a todos os réus, considerando-se os fatos elementos já colhidos ao longo da investigação, bem como aqueles que serão trazidos durante a instrução processual.

Confira a relação de investigados que se tornaram réus nessa terça-feira.

Jogadores aliciados para manipular eventos
1 – Eduardo Gabriel dos Santos Bauermann, zagueiro do Santos.
2 – Gabriel Ferreira Tota, meia do Juventude em 2022. Foi emprestado ao Ypiranga.
3 – Victor Ramos Ferreira, zagueiro da Chapecoense. Atuou na Portuguesa no início do ano.
4 – Igor Cariús, lateral esquerdo do Sport. Em 2022 jogou pelo Cuiabá.
5 – Paulo Miranda, zagueiro do Juventude em 2022. Depois foi para o Náutico.
6 – Fernando José da Cunha Neto. Jogou no Operário. Agora está no São Bernardo.
7 – Matheus Phillipe Coutinho Gomes, goleiro do Sergipe.

Apostadores aliciadores e membros da organização criminosa
1 – Bruno Lopez de Moura, apontado como o líder do esquema.
2 – Ícaro Fernando Calixto dos Santos.
3 – Luís Felipe Rodrigues de Castro.
4 – Victor Yamasaki Fernandes.
5 – Zildo Peixoto Neto.
6 – Thiago Chambó Andrade.
7 – Romário Hugo dos Santos (o Romarinho).
8 – William de Oliveira Souza (o Mclaren).
9 – Pedro Gama dos Santos Júnior.

Para o MPGO a organização criminosa agia com animus associativo de caráter estável e permanente. O grupo era estruturalmente ordenado e caracterizado pela divisão de tarefas destinada à obtenção de vantagem (inclusive pecuniária) mediante a reiterada prática de infrações penais como corrupção ativa em competições esportivas.

A pedido do MPGO, o juiz Alessandro Pacheco, da 2ª Vara de Repressão ao Crime organizado também manteve a prisão preventiva de Bruno Lopez, Thiago Andrade e Romário Hugo dos Santos. O três estão detidos em São Paulo e serão transferidos para um presídio de Goiás.

Imagem: Phillip Kofler / Pixabay.

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