Justiça do DF arquiva queixa-crime de Medioli e suas empresas contra o deputado federal Pastor Eurico

A juíza Ana Cláudia de Oliveira Costa Barreto, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, rejeitou a queixa-crime movida pelo proprietário do grupo Sada e atual prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, contra o deputado federal Pastor Eurico (foto de abertura). A decisão foi tomada em 24 de agosto, mas o site Livre Concorrência só teve acesso à sentença na última sexta-feira. A ação, por crimes de calúnia, injúria e difamação, também foi movida pelas empresas de Medioli – Sada Transportes e Armazenagens, Brazul Transporte de Veículos, Transzero Transportadora de Veículos e Dacunha. Além de pedirem a condenação do parlamentar pernambucano, os autores ainda queriam a fixação de valor mínimo indenizatório.

A ação é em represália ao parlamentar que ocupou a tribuna da Câmara para defender os cegonheiros pernambucanos contra a postura do político e empresário mineiro.  O deputado pernambucano reeleito afirmou que Medioli “faz parte ou chefia um movimento de cartel na área dos transportes de carros novos no país”. Na decisão, a  magistrada destacou afirmação do Pastor Eurico:

“O queixoso manda na justiça e compra todo mundo, inclusive alguns parlamentares. Ele oferece vantagens indevidas, propinas, a terceiros, para fazer prevalecer o suposto sistema cartelista de que ele faria parte.”

Em 2017, Medioli e a Sada propuseram ação semelhante no Supremo Tribunal Federal, mas a ministra Rosa Weber determinou o arquivamento. Argumentou a ministra que o parlamentar, ao usar da tribuna da Câmara, goza da imunidade que lhe é concedida pela Constituição Federal. Mesmo entendimento foi exarado pela juíza Ana Barreto, acompanhando o parecer do Ministério Público que opinou pela rejeição da queixa-crime. Essa ação foi proposta em Betim (MG), mas o juízo declinou da competência e encaminhou o processo para o TJ do Distrito Federal.

Imunidade extensiva à imprensa e ao WhatsApp
A magistrada citou jurisprudência consolidada pelo STF para explicar que a imunidade da qual o parlamentar tem direito é extensiva à imprensa e ao WhatsApp:

“O Supremo Tribunal Federal consolidou sua jurisprudência no sentido de que mesmo que as manifestações proferidas ultrapassem o âmbito da casa legislativa a que o parlamentar pertença, sendo conhecidas por meio de redes sociais, veículos jornalísticos, aplicativos de conversação como o WhatsApp, e outros, a imunidade parlamentar se estende aos atos propagados por esses meios.”

Por fim, a juíza Ana Barreto esclareceu:

“A única menção ao querelante (Vittorio Medioli) foi relativo a um fato público e notório, relativo a uma condenação de Vittorio Medioli por crime de evasão de divisas (autos do processo 2007.38.00.029334-0) em trâmite no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, pendente de recurso, o que por si só, não é suficiente para configurar violação à honra objetiva do autor. Diante do exposto, REJEITO a queixa-crime.”

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