Justiça manda afastar das proximidades da Chery vândalos a serviço do cartel. Quem não sair deverá ser preso em flagrante

O juiz Maurício Brisque Neiva, titular da 2ª Vara Cível da comarca de Jacareí (SP), decidiu nessa terça-feira (6) agir com mais rigor contra os vândalos que estão depredando cargas e caminhões da nova transportadora contratada pela fábrica da Caoa-Chery. O magistrado determinou o uso de força policial, acompanhada de quatro oficiais de Justiça, para liberar a área próxima à montadora, cercada desde 8 de outubro por representantes de transportadoras e sindicados patronais vinculados ao cartel dos cegonheiros. Os manifestantes deverão manter um raio de um quilômetro de distância da fábrica de automóvel. Quem não sair, terá o veículo apreendido, além da decretação de prisão em flagrante por desobediência.

O vídeo gravado em 31 de outubro mostra o presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Rio de Janeiro, Jardel de Castro, em ação no interior de São Paulo, onde está localizada a planta da Chery. A entidade carioca está subordinada ao Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) – braço político do cartel dos cegonheiros e responsável pela manifestação contra decisão da Chery de contratar prestador de serviço fora do esquema que controla mais de 95% do setor de transporte de veículos novos no país. A Transportes Gabardo, do Rio Grande do Sul, apresentou menor preço e melhores condições técnicas para transportar produção da marca até a rede de concessionárias. Duas empresas do cartel (Tegma e Brazul) foram derrotadas no processo marcado pela livre concorrência.

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Juiz constatou vandalismo, violência e prática de crimes
De acordo com a decisão do magistrado, foi comprovado nos autos a ocorrência de graves fatos noticiados, demonstrados com documentos, o que evidencia que as ordens judiciais anteriores foram ignoradas. O magistrado escreveu:

“Não foram respeitadas (decisões anteriores da Justiça) e que os atos de esbulho e turbação de posse já se converteram em vandalismo, violência e prática de crimes.”

Neiva também sentenciou:

“Está proibida a aproximação e permanência, num raio de 1.000 metros de onde está instalada a fábrica da Caoa-Chery e ao longo do acesso a ela desde a Rodovia Presidente Dutra (que passa pela Estrada Municipal Abade Biagino Chieffi e Rua Harold Barnsley Holland), de qualquer motorista e/ou caminhão cegonheiro que não esteja a serviço da empresa autora (Transportes Gabardo Ltda.), sob pena de imediata apreensão do veículo e prisão em flagrante por crime de desobediência, além da multa já fixada de R$ 50 mil por caminhão.”

O juiz determinou ainda que para o cumprimento do novo mandado deverão ser destacados quatro oficiais de Justiça:

“Os oficiais de Justiça comparecerão ao local diariamente, em horários alternados, para garantir sua plena eficácia, até deliberação diversa deste Juízo.”

O magistrado acrescentou que os oficiais de Justiça, com o auxílio dos policiais, deverão identificar e qualificar os motoristas e os veículos, intimando-os também da ordem judicial. E concluiu:

“Requisite-se o reforço policial, com no mínimo quatro viaturas e guarnições para acompanhamento dos oficiais de Justiça.”

 

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