Levantamento da CNI revela que 38% das indústrias mudariam operação de rodovia para outro modal

Custo alto do transporte e pouca agilidade do transporte rodoviário são apontados como as principais razões para a mudança. Falta de infraestrura dos outros modais impedem a migração das cargas. O site Livre Concorrência alerta para outro fator: alguns grupos empresariais ligados ao transporte rodoviário de cargas vêm sabotando ao longo dos anos a adoção pela indústria do uso de navios para transportar veículos novos. É preciso que as autoridades garantam a migração.

de São Paulo

Pesquisa inédita realizada pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) revela que 38% das indústrias trocariam o frete rodoviário por outro tipo de transporte, caso os outros modais fossem acessíveis. As principais razões para mudar a operação são a perspectiva de redução de custos (64%) e a maior agilidade para a entrega do produto (16%). O estudo foi divulgado nessa terça-feira (18).

Motivos para a indústria mudar a forma de transportar

64%Redução de custo
16%Maior agilidade na entrega
5%Maior segurança no transporte
5%Maior capacidade de carga

Para 46% dos 2,5 mil executivos de grandes e médias indústrias de todo o país entrevistados, o custo do frete é o principal problema na operação logística. Segundo 84% dos empresários, o custo do transporte e da logística na indústria é alto ou muito alto – 79% indicam o frete como o principal custo logístico. Outros problemas relatados são o roubo de cargas (22%), má condição dos modais (20%) e má qualidade da frota (7%).

A pesquisa também aponta que 99% das empresas utilizam os caminhões; 46% usam em algum momento o transporte aéreo; e 45%, o portuário. Na sequência, aparecem a cabotagem (13%) e hidrovias (12%). Apenas 8% usam o modal ferroviário.

As ferrovias seriam a primeira alternativa para 28,5% dos industriais brasileiros transferir as operações de escoamento de produtos. A mudança só não ocorre porque o modal sobre trilhos apresenta as piores condições entre os tipos de transportes oferecidos no país: 31% responderam que o transporte ferroviário é ruim ou péssimo.

O presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, afirma que o aumento de investimentos em infraestrutura e a diversificação dos modais de transportes são imprescindíveis para reduzir os custos dos serviços e de produção:

“Essa pesquisa mostra que há um enorme déficit na oferta de opções de transportes no Brasil. O custo logístico das empresas e consequentemente dos produtos para o consumidor só serão menores quando tivermos uma infraestrutura adequada.”

O gerente de Transporte e Mobilidade Urbana da CNI, Matheus de Castro, alerta que, mesmo diante da extrema dependência dos caminhões para o transporte de cargas no país, há um déficit enorme na oferta de serviços de transporte rodoviário, bem como nos modais ferroviário e hidroviário.

“Se tivéssemos mais oferta na parte da logística, o custo total do transporte para a indústria seria muito inferior. Isso vai muito além da disponibilidade de caminhões ou trens, é tudo que envolve e contribui para a maior eficiência da movimentação de cargas no país.”

Ele acrescenta:

“O Brasil tem potencial para o transporte de cabotagem, hidroviário e ferroviário, especialmente depois da criação do Programa BR do Mar e da aprovação do novo marco legal de ferrovias. Temos um grande potencial para equilibrar melhor a nossa matriz de transportes.”

E ressalta:

“Nenhum outro país continental como o Brasil utiliza tanto o transporte rodoviário como a forma principal da movimentação de cargas e de pessoas. Não faz sentido o modal rodoviário ser tão utilizado em distâncias longas.”

Modal rodoviário para longas distâncias gera perdas econômicas
A CNI alerta ainda que a utilização do modal rodoviário para longas distâncias gera perdas econômicas com um maior custo logístico associado ao consumo de combustível, níveis de acidentes, engarrafamentos, emissões de poluentes e deterioração dos veículos e vias. Como consequência, o setor produtivo nacional perde competitividade em relação a outros mercados.

Corporação do atraso se mobiliza para sabotar a cabotagem
O site Livre Concorrência destaca que a ampliação da oferta de outros modais não depende apenas do aumento da infraestrutura dessas alternativas ao transporte rodoviário. É preciso que autoridades garantam a migração. Alguns grupos empresariais ligados ao transporte rodoviário de cargas, por exemplo, vêm sabotando ao longo dos anos a adoção pela indústria automobilística do uso de navios para transportar veículos novos. Foram vítimas dessas investidas para evitar a evolução do setor as montadoras Fiat, General Motors, Volkswagen e Ford.

Em 1997, a Fiat decidiu embarcar em navios 800 veículos por semana em direção ao Nordeste. Só no caso da Fiat, segundo Luis Nassif, colunista de economia da Folha de São Paulo à época, o opção pela cabotagem significaria a queda de 10% nos custo do frete de veículos novos e redução de 100 caminhões-cegonha por semana que deixaram de consumir combustível e atravancar as estradas. Nassif revelou que o consumidor nordestino pagava, em média, um acréscimo de R$ 1.000,00 por carro. Ele também estimou que o valor do frete cairia pela metade:

“Quando a nova lei de cabotagem for aprovada, e houver possibilidade do retorno dos navios com cargas, é possível que o custo do frete caia pela metade.”

A resposta do cartel dos cegonheiros foi implacável: Nassif escreveu:

“A reação dos donos de caminhão foi um locaute nacional. Não queriam nem aumento de frete, mas apenas impedir a ampliação da cabotagem. Com a pressão, conseguiram que a Volskwagen, Ford e General Motors reduzissem o transporte de cabotagem para 400 veículos semanais.”

À época, o jornalista qualificou o cartel dos cegonheiros de corporação do atraso:

“Os cegonheiros comportam-se como a corporação típica que, estando frente a mudanças inevitáveis, tentam conservar a ferro e fogo o antigo status quo. Melhor fariam entendendo, se adaptando e defendendo seus interesses dentro das regras dos novos tempos.”

E concluiu:

“É um enorme retrocesso em termos de direitos dos consumidores, de combate às corporações e redução do custo Brasil. Para as montadoras, tudo bem, porque quem paga é o cliente. Cegonheiro é o transportador de automóveis, que serve à indústria automobilística. Quem paga o frete é o consumidor final.”

Mais recentemente, uma transportadora de veículos novos impediu a General Motors de transportar os veículos produzidos na planta de Gravataí (RS) por hidrovias. Conforme documentos apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Pacto, um executivo da Brazul, empresa do grupo Sada, chegou a oferecer desconto de R$ 44 milhões à montadora a fim congelar um projeto de cabotagem.

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Um comentário sobre "Levantamento da CNI revela que 38% das indústrias mudariam operação de rodovia para outro modal"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    PARABÉNS AO JORNALISTA – EDITOR CHEFE, SR. IVENS CARÚS, POR ESSA MATÉRIA TÃO BRILHANTE. DE FATO, OS TRANSPORTES DE VEÍCULOS NOVOS FABRICADOS NAS MONTADORAS DE NOSSO PAÍS, JÁ DEVERIAM SER EM GRANDE PARTE, POR VIAS FLUVIAIS E FÉRREAS, QUANDO SE TRATAREM DE LONGOS PERCURSOS, HAJA VISTA QUE AS QUANTIDADES DE VEÍCULOS ENTÃO TRANSPORTADOS, SERIAM MUITO MAIORES QUE EM CAMINHÕES CEGONHA E, SEUS TEMPOS DE ENTREGAS NOS DESTINOS TAMBÉM SERIAM REDUZIDOS, ALÉM DOS CUSTOS OPERACIONAIS, QUE SÓ ACRESCEM OS VALORES FINAIS DOS AUTOMÓVEIS TRANSPORTADOS, CAUSANDO DIMINUIÇÕES EM SEUS VALORES, PARA OS CONSUMIDORES FINAIS. NÃO É MESMO?
    SENDO EM DISTÂNCIAS MENORES, APTAS A SEREM TRANSPORTADOS PELAS CARREGAS, VIA TERRESTRE, AINDA ASSIM, OS PRAZOS DE ENTREGAS EM SEUS DESTINOS SERIAM BEM MENORES AOS DE HOJE.
    OS EMPRESÁRIOS QUE ATUAM NESSE RAMO, QUE COMANDAM O CONHECIDO “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, SENDO O SEU PRINCIPAL LÍDER, UM ESTRANGEIRO (O ITALIANO), QUE NEM PODERIA ATUAR TAMBÉM COMO POLÍTICO DE NOSSA PÁTRIA, POR SER PREFEITO DE BETIM-MG.
    JÁ DEVERIA TER SOFRIDO IMPEACHMENT, HÁ MUITO TEMPO!
    CARTÉIS SÃO CRIMES FEDERAIS!
    AGORA, SÓ NOS RESTA AGUARDAR OS DESFECHOS FINAIS PARA ESSAS AÇÕES!
    PRECISAMOS SALVAR A NOSSA PÁTRIA AMADA BRASIL!
    O NOSSO BRASIL É UM PAÍS DE REGIME DEMOCRÁTIDO, E NÃO COMUNISTA/SOCIALISTA.
    QUEM MANDA É O POVO E, NÃO DITADORES, QUE FAZEM DE TUDO PARA CORROMPER A NOSSA NAÇÃO, BEM COMO A FÉ EM DEUS!

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