Manifestante ligado ao cartel dos cegonheiros toma à força caminhão da Gabardo e colide em outros veículos da transportadora gaúcha

Na próxima quinta-feira (8), a mobilização em frente a montadora Caoa-Chery completa um mês. Desde 8 de outubro, manifestantes a serviço de interesses do cartel dos cegonheiros cercam a fábrica de automóveis para protestar contra a decisão da marca de trocar a empresa responsável pelo transporte de veículos novos produzidos na unidade de Jacareí, no Interior de São Paulo. A mudança de prestador de serviço não agradou transportadoras e sindicatos patronais que concentram mais de 95% dos fretes realizados no país. Esse grupo, que domina com mão de ferro o setor, é chamado de cartel dos cegonheiros. Em 30 dias, denúncias de violência e vandalismo contra trabalhadores da empresa Transportes Gabardo, que venceu a concorrência, acumulam-se em Delegacia de Polícia Civil da região. Em um dos casos, um manifestante retirou um motorista à força da cabine de um caminhão, assumiu o controle do veículo e o atirou contra dois outros caminhões-cegonha.

O fato foi relatado em boletim de ocorrência registrado em 31 de outubro na Delegacia de Polícia Civil de Jacareí. O agressor, conforme testemunho das vítimas, chama-se Fabiano Gonçalves Santos, carreteiro agregado à Tegma.

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Informações encaminhadas à redação do site Livre Concorrência indicam que Fabiano (foto abaixo) opera em frota pertencente a um ex-integrante do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo. A entidade é uma das líderes do movimento em território paulista.

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A Tegma e a transportadora Brazul, esta última de propriedade do empresário e político Vittorio Medioli, eram prestadoras de serviço da Chery antes de a Caoa assumir o controle acionário e da concorrência vencida pela Transportes Gabardo. A transportadora gaúcha apresentou menor preço e melhores condições técnicas para escoar a produção da montadora.

Vândalos furaram pneus e tanques de combustível de comboio
No boletim de ocorrência também foi revelado o nome de outra manifestante. Angela Costabile Bianconi, motorista agregada da Tegma, foi identificada pelas vítimas. Ela teria furado os filtros de combustível das carretas, conforme relatado à Polícia:

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Na segunda-feira (5), a mobilização foi reforçada com dezenas de pessoas que desembarcaram de ônibus e vans. Um carreteiro que preferiu não se identificar disse que a mobilização nada tem a ver com a manutenção de postos de trabalho.

“O que está em disputa aqui são as cargas que a Tegma e a Brazul perderam. Os verdadeiros cegonheiros deveriam estar atualizando currículos e se capacitando para prestar serviços à nova transportadora, que dá melhores condições aos agregados.”

Dois dias depois de deflagrada a mobilização na fábrica da Chery, houve dez atentados contra a Gabardo. Ao todo, 15 caminhões foram incendiados em rodovias de quatro estados e na filial da empresa em Porto Real (RJ).

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