Montadoras pedem benefícios, mas maioria se nega a romper com sistema que causa prejuízo superior a R$ 2 bilhões por ano aos consumidores

As montadoras de veículos com fábricas instaladas no Brasil estão pedindo ajuda do governo federal – mais uma vez. Se não for possível um “pacote de benefícios”, serve a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Alegam que a medida serviria para garantir o emprego dos trabalhadores no setor. Mas a maioria delas se nega a romper com o sistema cartelizante enraizado no escoamento da produção, que causa um prejuízo superior a R$ 2 bilhões por ano. A informação sobre o encontro ocorrido no último dia 27, por meio de videoconferência entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foi noticiado pela CNN. Depois, outros veículos de comunicação passaram a republicar o fato. Nenhum mencionou o atrelamento da maioria das fábricas com a associação criminosa que controla com mãos de ferro o setor de transporte de veículos novos.

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Segundo noticiado, os representantes da Anfavea alertaram o governo sobre a necessidade de ser instituído um pacote contendo estímulos tributários para baratear os preços dos carros, estimular as vendas e contribuir para uma possível redução nas demissões no setor. O ágio de até 40% (conforme revelou a Operação Pacto, da Polícia Federal, Gaeco e Conselho Administrativo de Defesa Econômica, o Cade) cobrado pelo chamado cartel dos cegonheiros e pago integralmente pelo comprador de veículo zero-quilômetro sequer foi lembrado pela entidade que representa as montadoras.

O que está escondido
O que a maioria das montadoras e a chamada grande imprensa esconde são as informações de que o Cade (foto de abertura) investiga práticas de infrações à ordem econômica no setor por meio de inquérito administrativo instaurado há quatro anos, em 2016. Todas as montadoras foram intimadas a prestar esclarecimentos a respeito do escoamento da produção. A falta de concorrência é o principal motivo para a implantação do ágio de 40% sobre o valor dos fretes.

General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior (ex-diretor da montadora), o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (Sinaceg, ex-Sindicam) e a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) foram condenados por formação de cartel. A ANTV teve sua extinção compulsória confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Um conflito de competência aguarda julgamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Na área penal, Luiz Moan, Aliberto Alves (ex-presidente do Sinaceg) e Paulo Roberto Guedes, ex-presidente da ANTV, foram condenados por formação de cartel no mesmo setor em 2006. Moan, que mesmo condenado comandou a Anfavea por dois anos, recebeu o benefício da prescrição da pena. Alves e Guedes foram intimados a iniciar o cumprimento do acordo firmado com o Ministério Público Federal (autor da ação) de pagamento de multas e outras imposições como condição para a suspensão condicional do processo.

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Um comentário sobre "Montadoras pedem benefícios, mas maioria se nega a romper com sistema que causa prejuízo superior a R$ 2 bilhões por ano aos consumidores"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    ATÉ PARECE SER PIADA, COMO JÁ CITEI EM UM COMENTÁRIO ANTERIOR, SOBRE ESSE MESMO ASSUNTO.
    É EVIDENTE QUE AS MONTADORAS SÃO IMPORTANTÍSSIMAS PARA O NOSSO PAÍS, MAS LAMENTÁVEL É O FATO DE QUE AS MESMAS MONTADORAS, TENHAM SIDO COOPTADAS PELO CARTEL DOS CEGONHEIROS, AO NÃO APLICAREM A LEI DA LIVRE CONCORRÊNCIA, QUE É CONSTITUCIONAL, PARA ASSIM APLICAREM OS VALORES DOS FRETES QUANTO AOS ESCOAMENTOS DAS SUAS PRODUÇÕES, EM TODO PAÍS. O CARTEL SUPERFATURA ESSES VALORES E AINDA PROÍBE QUE DEMAIS TRANSPORTADORAS NÃO VINCULADAS A ELES, POSSAM EXERCER SUAS FUNÇÕES.
    JÁ ESTÁ PROVADO NAS INVESTIGAÇÕES QUE OS ÁGIOS COBRADOS A MAIS, SÃO REPASSADOS AOS CONSUMIDORES FINAIS. DESSA FORMA AS MONTADORAS NÃO SÃO PREJUDICADAS E, O CARTEL ENRIQUECE COM ESTES DESMANDOS POR VÁRIOS ANOS!
    COMO PODEM AINDA INSISTIREM EM SOLICITAR MAIS BENEFÍCIOS DO GOVERNO FEDERAL, SE SÃO CONIVENTES COM ESSA FRAUDE FINANCEIRA, PREJUDICANDO TANTO ASSIM OS SEUS CLIENTES, QUANDO ADQUIREM SEUS VEÍCULOS NOVOS?
    QUEM MAIS ESTÁ SENDO BENEFICIADO COM ESSES PREJUÍZOS? FICA A QUESTÃO PARA SER DEVIDAMENTE ANALISADO NAS INVESTIGAÇÕES, NÃO É MESMO.
    TODO CARTEL EXISTENTE EM NOSSO PAÍS, DEVE SER SUMARIAMENTE EXTINTO. DOA A QUEM DOER! SE AS MONTADORAS NÃO QUEREM ROMPER COM AS EMPRESAS DO CARTEL, NÃO PODEM SOLICITAR REGALIAS.
    OS RÉUS NESSAS AÇÕES, DEVEM SER PUNIDOS, DOA A QUEM DOER! PRINCIPALMENTE OS LÍDERES DO CARTEL E QUEM TAMBÉM DIRIGE AS MONTADORAS, POIS CERTAMENTE SÃO CRIMINOSOS, DA MESMA FORMA!
    ESSA FARRA TEM QUE ACABAR!
    O BRASIL ESTÁ SOB NOVA DIREÇÃO FEDERAL!
    QUE DEUS SEJA LOUVADO!

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