Montadoras preferem argumentos do cartel dos cegonheiros a conclusões de inquéritos da Polícia Federal

O que faz as montadoras darem ouvidos a representantes do cartel e ignorarem conteúdos de inquéritos concluídos, denúncias e processos contra a organização criminosa que controla mais de 90% do transporte de veículos novos no país?

De São Paulo

Sem qualificação para oferecer melhores condições técnicas e financeiras às montadoras que desejam reduzir gastos com o transporte de veículos novos, integrantes do cartel dos cegonheiros recorrem há décadas a notícias falsas publicadas em sites e panfletos apócrifos para desqualificar concorrentes. Com o mesmo objetivo pagam pela veiculação de informações sem procedência na grande imprensa e até recorrem a porta-voz que por mais de duas décadas denunciou os crimes praticados pelo próprio cartel. Recentemente esse novo emissário pediu em escritura pública que esquecessem tudo o que dissera de ruim sobre o cartel . Alegou ter sido manipulado, graças a sua baixa escolaridade e dificuldade para entender fatos. Os métodos, apesar de toscos e em alguns casos violentos, são eficientes.

A última ação do cartel para afastar concorrentes ocorreu na montadora BMW. A empresa Transportes Gabardo – com sede no Rio Grande do Sul e que não faz parte da organização criminosa que controla o setor – foi escolhida pela nova operadora logística do grupo BMW, Ceva Logistcs, para escoar a produção da planta instalada em Araquari, no estado de Santa Catarina. Mesmo com contrato assinado e com início das operações agendado para 1º de janeiro, a Tegma Gestão Logística permaneceu como prestadora da fábrica alemã após pressão do cartel.

Primeira ação do cartel
Logo depois de a montadora romper o contrato com a Tegma Gestão Logística – uma das transportadoras vasculhadas por agentes federais no âmbito da Operação Pacto – empresários-cegonheiros decidiram suspender os fretes como represália à decisão da BMW. Estacionaram os caminhões-cegonha carregados nas imediações da fábrica. Assim que a mobilização se desfez entrou em ação o ex-sindicalista Afonso Rodrigues de Carvalho (foto de abertura). Ele viajou à Alemanha, onde entregou na sede da BMW, em Munique, o que chama de dossiê contra a Transportes Gabardo. O novo emissário trabalhou por mais de vinte anos para a Gabardo e se notabilizou por denunciar os crimes praticados pelo cartel dos cegonheiros. Acabou mudando de lado, após assinar acordo milionário com o político e empresário Vittorio Medioli.

Carvalho sustenta, agora, que os fatos apontados por ele contra o cartel dos cegonheiros “não correspondem à realidade”. Em documento lavrado no 5º Ofício de Notas, Registro Civil, Títulos e Documentos, Protestos de Títulos e Pessoas Jurídicas de Guará, no Distrito Federal, escreveu: 

“Ressalto que meu nível de instrução escolar é ensino médio, portanto, meu acesso à informação acerca da natureza das coisas tratadas era limitado ao que repassavam.”

Afonso Rodrigues de Carvalho

Mesmo com a alegada deficiência intelectual, conseguiu ser recebido pela direção da BMW e convencê-la a manter a Tegma. Carvalho, desde que migrou para o cartel, move uma campanha incansável para destruir a reputação da Gabardo. Percorre o Brasil atacando a empresa e seu proprietário, o empresário Sérgio Mário Gabardo. Por causa disso já acumula derrotas na Justiça em processos movidos pelo seu ex-empregador. Além do bloqueio de bens no valor de até R$ 2,1 milhões para pagamento de dívida contraída junto à Transportes Gabardo, Carvalho também soma decisões contrárias e multas em ações cíveis ajuizadas pelo mesmo autor. Todas por causar ao empresário gaúcho situação vexatória e denegridora da imagem.

Não é a primeira vez
Das várias campanhas difamatórias deflagradas pelo cartel dos cegonheiros contra a Transportes Gabardo, outra se destaca pela covardia e irresponsabilidade dos autores. Em 2003, a empresa gaúcha foi impedida de escoar os veículos produzidos pela Iveco (fábrica de caminhões da Fiat) devido a acusações de envolvimento com o tráfico de drogas que lhe foram atribuídas em anúncio pago – Apedido -, publicado no jornal Zero Hora, do Rio Grande do Sul.

O autor das denúncias, Roberto Augusto, falecido em 2021, não conseguiu provar nenhuma das acusações. Acabou processado e condenado a pagar indenização por danos morais. Não depositou um único centavo à vítima, por falta de condição financeira. Sem ajuda de pessoas ligadas ao cartel, ele dificilmente teria recursos para pagar o anúncio de página inteira. 

A publicação mentirosa foi suficiente para a Iveco justificar a exclusão da transportadora gaúcha. Em documento, a subsidiária da Fiat escreveu:

“A Gabardo, apesar de ter sido homologada tecnicamente, não será incluída no rol, por estar sendo alvo de acusações consideradas graves, não podendo a Iveco, como empresa multinacional idônea, ser ligada a tais fatos. Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser considerada.”

A montadora da Fiat preferiu seguir pagando até 70% mais caro pelo valor do frete à Sada Transportes e Armazenagens. O preço superfaturado foi confirmado em levantamento realizado pelo Ministério Público Federal (MPF).

A política de contratação de transportadoras parece ter mudado na Iveco. Hoje a “multinacional idônea” mantém como operadora logística empresa investigada pela Polícia Federal, Cade e Ministério Público de São Paulo por formação de cartel, no âmbito da Operação Pacto. O dono da Sada, o político e empresário Vittorio Medioli, segundo Polícia Federal e Ministério Público do Rio Grande do Sul, é quem comanda o cartel com atuação nacional.

Pergunta que não quer calar
Atualmente a BMW repetiu o comportamento da Iveco. O que faz as montadoras darem ouvidos a representantes do cartel e ignorarem conteúdos de inquéritos concluídos, denúncias e processos contra a organização criminosa que controla mais de 90% dos fretes do setor?

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Um comentário sobre "Montadoras preferem argumentos do cartel dos cegonheiros a conclusões de inquéritos da Polícia Federal"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É MEUS AMIGOS QUE SEMPRE ACOMPANHAM ESSAS BRILHANTES MATÉRIAS DESSE PORTAL.
    O QUE PODERÍAMOS DIZER SOBRE ESSE INDIVÍDUO QUE SE MANIFESTOU EM TER “BAIXA CULTURA”? ELE POSSUI MESMO A FALTA DE CARÁTER MORAL, POIS OPTOU POR MUDAR DE LADO, POR SER CORRUPTO. ESSA PRÁTICA TEM OCORRIDO EM NOSSO PAÍS, ATÉ MESMO COM MUITOS POLÍTICOS, QUE SÓ ESTÃO PENSANDO EM APOIAR BANDIDOS, RECEBENDO ASSIM MUITA GRANA. NÃO É MESMO?
    ISSO É UM VERDADEIRO ABSURDO!
    TODOS ESSES CANALHAS DEVERIAM ESTAR É PRESOS.
    CUMPRAM-SE AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS! SALVEM A NOSSA NAÇÃO! IMEDIATAMENTE?
    QUEM APOIA BANDIDOS, É MIL VEZES PIOR QUE OS PRÓPRIOS BANDIDOS!

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