Na Europa, Ford planeja demitir 3,8 mil trabalhadores para reduzir custos e aumentar lucros

Aqui o prejuízo de R$ 87,6 milhões causado pelo cartel dos cegonheiros parece não preocupar a montadora, até porque o montante é totalmente repassado ao consumidor.

De São Paulo e do Rio Grande do Sul

O Valor Econômico informa que nos próximos três anos a Ford planeja eliminar 3,8 mil vagas de trabalho na Europa para reduzir custos e aumentar lucros. Em 2022, a montadora registrou prejuízo líquido de U$ 2 bilhões. Os cortes ocorrerão nas operações da marca em Cologne e Aachen, ambas na Alemanha, onde 2,3 mil pessoas serão demitidas. No Reino Unidos, 1,3 mil postos de trabalho deixarão de existir e outros 100 no resto do continente. Atualmente a montadora emprega 34 mil funcionários naquela região.

Voltando à nossa realidade, vale destacar que a Ford comercializou em 2022 no mercado interno brasileiro 20.824 veículos e utilitários leves. Para transportá-los até a rede de concessionárias pagou ao cartel dos cegonheiros R$ 219 milhões, totalizando prejuízo de R$ 87,6 milhões, decorrente do ágio cobrado por falta de concorrência para o escoamento dos veículos vendidos.

No Brasil, o prejuízo bilionário causado pelo cartel dos cegonheiros parece não incomodar as montadoras. O conluio entre grandes transportadoras (Sada e Tegma), em parceria com sindicatos e associações, impede a entrada de novos operadores e garante a cobrança de ágio de até 40% no valor do frete. O sobrepreço decorre da falta de concorrência. Por ano, as montadoras pagam ágio, segundo estimativa conservadora, de R$ 4,1 bilhões às transportadoras que integram o cartel.

O termo prejuízo talvez não se aplique à indústria automobilística daqui, pois a perda é integralmente repassada para quem realmente arca com os preços escorchantes dos fretes praticados no país: o consumidor.

O cartel dos cegonheiros domina mais de 90% dos fretes realizados no setor. Violência (inclusive incêndio de caminhões-cegonha das transportadoras independentes), bloqueios de fábricas e campanhas difamatórias contra concorrentes são marcas registradas dessa organização criminosa, até hoje impune.

Aqui vale lembrar um fato. Em 2003, a Transportes Gabardo foi impedida de escoar os veículos produzidos pela Iveco (fábrica de caminhões da Fiat) devido a acusações infundadas de tráfico de drogas contidas em anúncio pago, veiculado no jornal Zero Hora, de Porto Alegre.

O autor das denúncias não conseguiu provar nenhuma das acusações. Acabou processado e condenado a pagar indenização por danos morais à empresa gaúcha. Não depositou um único centavo à vítima, alegou falta de condição financeira. Sem ajuda de pessoas ligadas ao cartel, dificilmente teria recursos para pagar o anúncio de página inteira que mandou publicar. Acabou falecendo posteriormente.

Em nota, a subsidiária da Fiat escreveu na ocasião:

“A Gabardo, apesar de ter sido homologada tecnicamente, não será incluída no rol, por estar sendo alvo de acusações consideradas graves, não podendo a Iveco, como empresa multinacional idônea, ser ligada a tais fatos. Não invalida que, no futuro, após esclarecidas essas questões, a mesma não possa ser considerada.”

Pois é… A “empresa multinacional idônea” descartou a Gabardo por causa de anúncio sem fundamento publicado em jornal da capital gaúcha, mas manteve como prestadores de serviços investigados e processados por formação de cartel e organização criminosa, pelo menos uma delas, alvo da Operação Pacto.

Vinte anos depois, a Transporte Gabardo e a Transilva Logística – que participou do cartel por um período e fez acordo de leniência com o Cade – seguem na mira do cartel. Os ataque se intensificam sempre que a empresa gaúcha está prestes a assinar novos contratos.

Imagem: F. Muhammad/Pixabay

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Um comentário sobre "Na Europa, Ford planeja demitir 3,8 mil trabalhadores para reduzir custos e aumentar lucros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É, MEUS NOBRES AMIGOS QUE SEMPRE ACOMPANHAM ESSAS EDIÇÕES LÍCITAS DESSE PORTAL, MESMO NÃO COMENTANDO NADA, NÃO ENTENDO O POR QUÊ, MAS NADA PODEMOS FALAR, NÃO É MESMO? CADA UM ATUA COM SEUS CONCEITOS, E ATÉ ALEGAM FALTA DE POSTURA INTELECTUAL, MAS QUE PODE CARACTERIZAR UM CERTO RECEIO POR REPRESÁLIAS DESSA FACÇÃO CRIMINOSA DENOMINADA “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, QUE É COMANDADA POR UM INDIVÍDUO DE NACIONALIDADE ITALIANA (QUE NEM BRASILEIRO É), E POLÍTICO, SENDO PREFEITO DE BETIM-MG. SÓ NO BRASIL MESMO.
    A PERGUNTA QUE NÃO NOS CANSAMOS DE CITAR É: “POR QUÊ SERÁ QUE A NOSSA SUPREMA CORTE JUDICIÁRIA”, NÃO INTERVÉM NESSAS QUESTÕES, BANINDO DE VEZ ESSE “CARTEL”, DE NOSSO PAÍS, AO INVÉS DE SÓ SE ENVOLVER COM QUESTÕES POLÍTICAS?
    ESSE CARTEL JÁ ATÉ CORROMPEU ALGUNS “GOVERNADORES ESTADUAIS”, QUE NUNCA PENSARAM EM APOIAR AS CLASSES SEGMENTADAS DESSES TRANSPORTES DE VEÍCULOS, EM SEUS ESTADOS. POR QUÊ SERÁ???
    CUMPRAM-SE AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS, IMEDIATAMENTE!
    SALVEM A NOSSA NAÇÃO!
    DOA A QUEM DOER!
    CARTÉIS NÃO POSSUEM INTEGRIDADES MORAIS!
    SÃO TODOS CRIMINOSOS MESMO!
    BASTA OBSERVAREM OS PREJUÍZOS CAUSADOS AOS CONCORRENTES E PRINCIPALMENTE OS CONSUMIDORES FINAIS, CITADOS ACIMA!

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