Núcleo Especializado em Direito Marítimo declara validade de cobrança de guarda provisória por terminal portuário

A sentença também garante o direito de retenção como garantia de pagamento. A decisão é do Núcleo de Justiça 4.0, órgão do Tribunal de Justiça de São Paulo e dela ainda cabe recurso.

De São Paulo

O Núcleo de Justiça 4.0 especializado em Direito Marítimo declarou a validade da cobrança de guarda provisória (GP) de contêineres implementada por terminal portuário, no regime de importação, quando este assume a condição de depositário até a efetiva entrega (ao terminal retroportuário). A sentença também garante o direito de retenção como garantia de pagamento. O órgão faz parte da estrutura do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A decisão teve origem em duas demandas propostas por empresas que exercem atividade de armazenagem de contêineres em operações de importação contra a Brasil Terminal Portuário. As companhias alegam que a cobrança é indevida, pois o valor já estaria no escopo da cobrança do Terminal Handling Charge (THC).

Inicialmente, os processos foram distribuídos para a Vara do Plantão de Santos, sendo encaminhados para o núcleo, que possui jurisdição em todo o Estado de São Paulo para julgamento de ações relacionadas a Direito Marítimo, Portuário e Aduaneiro.

Na decisão, válida para os dois casos, o juiz Frederico dos Santos Messias destaca a distinção entre as cobranças de THC, Serviço de Segregação e Entrega (SSE) e Guarda Provisória (GP):

“Enquanto a GP remunera a responsabilidade pelo depósito da carga no pátio do terminal molhado, o THC e o SSE remuneram serviços de movimentação da carga, o primeiro, do costado do navio até a pilha comum e, o segundo, da pilha comum até a área pátio para entrega ao terminal retroportuário.”

Dessa forma, explica o magistrado, as três são movimentações distintas da operação portuária, cada qual com fato gerador próprio, a justificar a cobrança de valores diversos.

O magistrado também destacou que, a permanência da carga no pátio do Terminal Portuário (molhado) – ainda que por breve período e sem contratação expressa nesse sentido – gera para esse terminal a condição de depositário, a impor os deveres de guarda, conservação e diligência.

Ele ressalta:

“Em singela constatação da responsabilidade do terminal portuário molhado, que emerge da sua condição de depositário, qualquer sinistro havido no período em que o contêiner estiver depositado sob a sua responsabilidade implicará para ele o dever de indenizar, ainda que o mantenha em local próprio apenas para fins de transferência para outro terminal seco, sendo lícita, pois, a cobrança pela prestação desse serviço que, no regime portuário, é a GP.”

Por fim, o juiz Frederico dos Santos Messias aponta ser lícita a retenção da carga para o recebimento do valor devido à título de GP, uma vez que há autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários e, na prática, nos termos da lei civil, existe como forma de garantia do pagamento de obrigação validamente assumida e aceita pelo interessado.

Cabe recurso da decisão. (Com informações do TJSP)

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen