Oito meses depois de deflagrada a Operação Pacto, força-tarefa segue trabalhando para punir criminalmente os responsáveis pelo cartel dos cegonheiros

Na próxima semana a primeira fase ostensiva da Operação Pacto completa oito meses. Na manhã de 17 de outubro de 2019, 60 agentes da força-tarefa composta por membros da Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) davam início à execução de dez mandados de busca e apreensão em empresas e sindicato vinculados ao cartel dos cegonheiros. Foram alvos da ação as transportadoras Transcar (localizada no município de Simões Filho, BA), Tegma (São Bernado do Campo, SP) e empresas do grupo Sada, inclusive em Betim, MG, além do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (Sintraveic).

Quase 250 dias depois de escritórios de transportadoras e de sindicato vinculados ao cartel dos cegonheiros terem sido vasculhados, força-tarefa segue trabalhando na análise do material recolhido. O objetivo é identificar pelo menos 30 pessoas físicas que atuam no esquema que controla, inclusive com o uso de violência, o bilionário setor de transporte de veículos novos. Os responsáveis deverão responder criminalmente por crimes contra a ordem econômica e associação criminosa.

O que a Operação Pacto apurou até o momento
– Poucas transportadoras dividem o mercado de fretes de veículos novos.
– Empresas e sindicatos ligados ao cartel dos cegonheiros atuam com o propósito de impedir o ingresso de novos transportadores.
– Não existe livre concorrência.
– Contratação de transportadoras é realizada mediante processo caracterizado por cartas marcadas.
– Fixação artificial de preço, com ágio de até 40%.
– Montadoras e concessionárias são reféns da organização criminosa que explora o setor.
– Montadoras são coagidas com piquetes e queima de caminhões-cegonha quando ameaçam romper com o cartel.

Todas as buscas e apreensões foram realizadas com autorização da Justiça.

Origem
Documento elaborado pelo Sintraveic do Espírito Santo tinha o propósito de denunciar as transportadoras Brazul, Tegma e Transcar por infrações à ordem econômica. Em vez disso, o material (foto abaixo) serviu para chantagear executivos do cartel. O silêncio dos sindicalistas foi comprado com vagas para transportar veículos novos. O documento original, entretanto, chegou ao conhecimento do Cade. Imediatamente o órgão antitruste deu origem às investigações que continuam em andamento em inquérito administrativo. Outra parte da denúncia culminou na Operação Pacto.

Fora do eixo Betim/São Bernardo do Campo
Das transportadoras investigadas na Operação Pacto, uma fica fora do eixo Betim/São Bernardo do Campo, municípios onde se localizam as sedes das transportadoras Sada e Tegma, respectivamente. A Transcar está instalada em Simões Filho, na Bahia, próximo ao polo automotivo da Ford, em Camaçari.

Velhos conhecidos da força-tarefa
Sada, grupo ao qual pertence a Brazul, e Tegma já são velhos conhecidos da força-tarefa que combate o cartel dos cegonheiros. O Gaeco, por exemplo, é responsável por ação penal que tramita desde 2012 na comarca de São Bernardo do Campo. O órgão do Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou executivos dessas transportadoras e dirigentes de entidades de classe e sindical por abuso de poder econômico, dominação de mercado, eliminação total ou parcial de concorrência, fixação artificial de preços, formação de cartel e associação criminosa. O processo está concluso desde maio do ano passado.

O dono da Sada, Vittorio Medioli, também aparece em outro inquérito da Polícia Federal. O empresário e político de Minas Gerais é apontado como chefe de uma organização criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos em todo o país.

Desde 2016, o Cade investiga irregularidades no setor. Conclusões do órgão antitruste levaram a Polícia Federal a confirmar a ação do cartel no âmbito da Operação Pacto.

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Oito meses depois de deflagrada a Operação Pacto, força-tarefa segue trabalhando para punir criminalmente os responsáveis pelo cartel dos cegonheiros"

  1. QUE TEM ACOMPANHADO TODAS ESTAS MATÉRIAS, BRILHANTEMENTE EDITADAS NESSE PORTAL LÍCITO, O QUAL SEMPRE FRISOU COM VEEMÊNCIA A EXISTÊNCIA DESSE CARTEL CRIMINOSO, QUE COMANDA O RAMO AFIM, DEVIDAMENTE COMANDADO PELAS PESSOAS ACIMA CITADAS, E OS SINDICATOS (BRAÇOS FORTES DA ORGANIZAÇÃO), QUE OPERAM HÁ TANTOS ANOS, CAUSANDO TAMANHOS PREJUÍZOS FINANCEIROS, OS QUAIS NEM CONVÉM MAIS SER TÃO REPETITIVO.
    ACREDITO PLENAMENTE NAS PENALIDADES EM PAUTA, PARA QUE ESSE CARTEL E SUA ORGANIZAÇÃO SEJA DEVIDAMENTE FINALIZADA, COM A PRISÃO DE TODOS OS RÉUS, SEJAM ELES QUEM FOREM, COM AS APLICAÇÕES DAS LEIS CONSTITUCIONAIS VIGENTES!
    O BRASIL NÃO PODE PARAR, MAS, OS CRIMINOSOS SIM!
    CHEGA DE TANTOS ESCÂNDALOS!
    ATÉ ALGUNS DIRIGENTES DAS MONTADORAS, QUE SE CONFIGURAREM CONIVENTES, DEVEM SER TAMBÉM PUNIDOS.
    “BRASIL ACIMA DE TUDO. DEUS ACIMA DE TODOS!”
    ESSE É O QUE SE DEVE RESPEITAR NESTE MOMENTO, PARA EXTERMINAR DEFINITIVAMENTE ESSA CORJA!
    TODO CARTEL EXISTENTE NESSE NOSSO BRASIL, DEVE SER DESTRUÍDO!

Os comentários estão encerrados