Operação Pacto: Há quatro anos, Polícia Federal, Cade e Gaeco aprofundavam investigação que confirmou a existência do cartel dos cegonheiros

Inquérito culminou no indiciamento de 12 pessoas por formação de cartel, abuso de poder econômico e associação criminosa. Desses, nove tornaram-se réus e respondem processo por formação de cartel e organização criminosa na 1ª Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (SP).

De São Paulo

Na última terça-feira, há exatamente quatro anos, as sedes das transportadoras Brazul, Autoservice e Sada (todas pertencentes ao grupo econômico de propriedade do político e empresário Vittorio Medioli), Tegma Gestão Logística e Transcar foram alvos de mandados de busca e apreensão no âmbito de inquérito aberto para apurar crimes cometidos pelo chamado cartel dos cegonheiros. Ao todo, 60 agentes de uma força-tarefa composta por membros da Polícia Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Bernardo do Campo (SP) participaram das diligências batizadas de Operação Pacto (foto de abertura). As buscas, autorizadas pela Justiça, ocorreram em quatro estados: Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Espírito Santo. Além dos escritórios das transportadoras citadas acima, residências de executivos e a sede do Sindicado dos Cegonheiros do Espírito Santo (Sintraveic-ES) também foram vasculhadas. A Operação Pacto culminou no indiciamento de 12 pessoas por formação de cartel, abuso de poder econômico e associação criminosa. Desses, nove tornaram-se réus e respondem processo por formação de cartel e organização criminosa na 1ª Vara Criminal da Comarca de São Bernardo do Campo (SP).

As provas apreendidas na ocasião comprovaram a existência do conluio que controla mais de 90% do bilionário mercado de transporte de veículos novos no país. Em um material produzido pela Polícia Federal, intitulado Comentários Finais, constam as conclusões da análise dos documentos encontrados nas sedes das empresas investigadas. Vale destacar alguns trechos.

Sobre a relação promíscua entre as empresas investigadas:

A farta documentação acima indicada demonstra o quão promíscua é a relação entre as empresas de transportes de carros zero-quilômetro (“cegonheiros”). Em diversos momentos ficou cabalmente comprovado a forma de trabalho destas empresas de transporte que funcionam como se fosse uma só.”

Sobre a existência do cartel dos cegonheiros:

“Assim de todo o material acima analisado pode-se inferir que o cartel continua suas operações corriqueiras de ajuste de preços, fidelização de clientes, combinação de não agressão entre as empresas participantes e loteamento do território nacional em áreas de atuação divididas como domínios dessas mesmas empresas.

Sobre as empresas que integram o cartel:

“Tal empreitada anticoncorrencial e criminosa tem como personagens principais as empresas Autoservice, Brazul e Transzero [todas do grupo Sada] que tem em sua diretoria: Alexandre Santos Silva (Autoservice) e Roberto Carlos Caboclo (Transzero e Brazul); Tegma…”

Origem da Operação Pacto
Os alicerces da Operação Pacto foram construídos pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a partir de acordo de leniência firmado pela empresa Transilva Transporte e Logística e o órgão antitruste, em 2017. Sócios e um diretor da transportadora do Espírito Santo revelaram como o cartel divide o mercado e define preços de fretes e de custos a serem apresentados aos clientes (montadoras, importadoras e concessionárias). O resultado desse entendimento – encaminhado à Delegacia de Repressão contra Crimes Fazendários da Superintendência da Polícia Federal um ano antes da deflagração da Operação Pacto – comprovou a existência de um pacto para dividir o mercado de frete de veículos novos entre poucas transportadoras. Mais tarde, a investigação da Polícia Federal confirmou as informações contidas no acordo de leniência.

Operação Ciconia
Três anos e dez meses depois de ter ocorrido a Operação Pacto, Polícia Federal, Cade e Gaeco deflagram a Operação Ciconia para ampliar as investigações que apuram crimes cometidos pelo cartel dos cegonheiros. Em 29 de agosto, foram executados seis mandados de busca e apreensão, expedidos pela 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo/SP. Além da sede do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), a residência de Daniela Maria Medioli, vice-presidente do grupo Sada, também foi vasculhada pela Polícia Federal.

Em nota divulgada no dia em que a operação foi deflagrada, a Polícia Federal informou:

“De acordo com as investigações, há suspeitas da prática delitiva consubstanciada no ajuste ou acordo, entabulado por pessoas físicas ligadas a sociedades empresariais e sindicato do segmento do transporte de veículos automotores novos, para a dominação do mercado ou a eliminação total ou parcial da concorrência.”

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Operação Pacto: Há quatro anos, Polícia Federal, Cade e Gaeco aprofundavam investigação que confirmou a existência do cartel dos cegonheiros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    É INCRÍVEL SABERMOS QUE NENHUMA REDE JORNALÍSTICA EXISTENTE EM NOSSO PAÍS, NUNCA EDITARAM EM SUAS MATÉRIAS, ESSES ESCÂNDALOS CAUSADOS POR ESSE CRIMINOSO “CARTEL DOS CEGONHEIROS”. NÃO É MESMO?
    POR ESSE MOTIVO, QUE O EDITOR CHEFE DESSE BRILHANTE PORTAL, O SR. IVENS CARÚS, TEM SOFRIDO CONSTANTEMENTE ATAQUES DO LÍDER DESSE CARTEL, HÁ TANTOS ANOS, QUE É “VITÓRIO MEDIOLI”, ONDE MESMO PERDENDO EM TODAS AS JULGADAS, AINDA CONTINUA PERSEGUINDO O ILUSTRE EDITOR ACIMA CITADO.
    ESSE ITALIANO É PREFEITO DE BETIM-MG, E COMO TAL, JÁ DEVERIA TER SIDO IMPEACHMADO HÁ MUITO TEMPO MESMO. COMO PODE UM ITALIANO EXERCER ESSA FUNÇÃO POLÍTICA EM NOSSO BRASIL, E AINDA CONTINUAR ATUANDO NO COMANDO DESSA FACÇÃO CRIMINOSA: “O CARTEL DOS CEGONHEIROS!”
    É POR ISSO QUE ELE INDICOU SUA FILHA, PARA COMANDAR SUA TRANSPORTADORA LÍDER: “A SADA”, SÓ PARA SE ESQUIVAR DESSES ATAQUES, POR SER O CHEFE DO CARTEL!
    SENDO ASSIM, NÃO RESTA A MENOR DÚVIDA, QUE A NOSSA NAÇÃO MEREÇA INTEGRAL APOIO DA JUSTIÇA, NA FORMA DAS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS!
    DECRETEM O “FIM DA LINHA” PARA ESSE CARTEL E TODA SUA CORJA!
    DURA LEX SED LEX!
    CANCELEM TODOS OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DESSAS TRANSPORTADORAS QUE INTEGRAM ESSA FACÇÃO CRIMINOSA E, MANDEM FECHAR O SINDICATO DELES, QUE SE CONSIDERA COMO: “NACIONAL”, INCONSTITUCIONALMENTE TAMBÉM!
    SALVEM O NOSSO BRASIL!
    NADA MAIS A COMENTAR!

Os comentários estão encerrados