Polícia Federal abala cartel com diligência criminal na residência de Daniela Medioli

A socióloga, de 33 anos, responde atualmente pela vice-presidência de todo o grupo Sada, composto por mais de 30 empresas. A Operação Ciconia, que atingiu a primeira mulher investigada por suposto envolvimento no cartel dos cegonheiros, também vasculhou a sede do Sindicato Nacional dos Cegonheiros — condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul — e a casa do presidente da entidade patronal.

De São Paulo

Enquanto o prefeito de Betim (MG), Vittorio Medioli, maneja recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para retirar citações do seu nome em denúncia de seis pessoas acusadas de formação de cartel e de associação criminosa, policiais federais, representantes do Ministério Público de São Paulo e técnicos do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abalaram a estrutura do cartel dos cegonheiros ao cumprirem mandado de busca e apreensão na residência da filha, Daniela Maria Medioli, vice-presidente do grupo Sada.

As diligências criminais da Operação Ciconia, deflagradas em 29 de agosto, também atingiram a residência de José Ronaldo Marques da Silva, mais conhecido como Boizinho. O empresário cegonheiro é presidente do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg), outro alvo da segunda fase da Operação Pacto (19 de outubro de 2019). A entidade patronal foi condenada em 2016 — há recursos em andamento — pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul, por formação de cartel no bilionário setor de transporte de veículos novos. Outros três réus estão na mesma Ação Civil Pública: General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior e Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV).

Esta é a segunda vez, em quatro anos, que a Polícia Federal, Gaeco e Cade investem contra o cartel dos cegonheiros em busca de novas provas sobre o esquema ilícito que atinge o bilionário setor de transporte de veículos zero-quilômetros em todo o país. Além de impedir o ingresso de novos agentes no mercado, integrantes da associação criminosa que operam o sistema colocado em prática por grandes transportadoras — apoiado por sindicatos da categoria (todos patronais), segundo os investigadores –causam um prejuízo superior a R$ 4 bilhões por ano aos consumidores.  A Operação Ciconia alcançou pelo menos seis alvos em São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais. Até agora, a reportagem conseguiu a confirmação de quatro deles: sede do Sinaceg, residência de José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho), residência de Daniela Medioli e de um integrante da Tegma Gestão Logística, conhecido como Claudião, no Mato Grosso, que teria sucedido a Sinéas Lial Rodrigues, um dos nove réus na ação penal oriunda da Operação Pacto.

Está no gabinete do ministro Joel Ilan Paciornik, da 5ª Turma do STJ, o Recurso em Mandado de Segurança impetrado por Vittorio Medioli. Ele quer que na denúncia (aceita pela Justiça) do Ministério Público do Rio Grande do Sul, contra seis integrantes acusados de formação de cartel e associação criminosa, citações a seu nome sejam apagadas ou substituídas pelo termo “terceira pessoa”. Apesar de não ter sido denunciado, há, na peça acusatória, várias menções ao nome do político e empresário. No Tribunal de Justiça gaúcho, recurso foi negado. O ministro pediu parecer da Procuradoria Geral da República, onde o processo está desde o dia 5 de setembro. 

Como empresário, o prefeito de Betim, reeleito com 76% dos votos válidos, é réu em ação penal movida pelo Gaeco de São Bernardo do Campo (SP), onde responde, com outros 10 acusados, três deles pertencentes ao grupo Sada, por formação de cartel e formação de quadrilha. Medioli também segue investigado em outro procedimento instaurado pelo Gaeco-SBC, junto com mais quatro pessoas.

Núcleo central
Fontes bem próximas da investigação garantem que as diligências criminais dessa mais nova fase – não está descartada uma terceira operação – levaram os investigadores ao que denominam de “núcleo central do cartel”. Para eles, a Operação Pacto trouxe robustas provas sobre o modus operandi do sistema, classificado como o “coração e o pulmão” da organização criminosa. Já nas buscas e apreensões da Operação Ciconia, policiais federais, promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e técnicos do Cade, estão chegando ao “sistema nervoso central” e ao “núcleo central”, de onde, segundo essas fontes, podem estar saindo as ordens e possivelmente a forma como são realizados “outros tipos de negócios”, a exemplo do alardeado comércio de venda e de aluguel de vagas de transportadores.

A reportagem tentou ouvir a versão dos alvos, mas a presidência da Sada e o advogado Leonardo Guimarães, do departamento jurídico do grupo, se negaram a responder correspondência eletrônica e não quiseram se manifestar ou informar o nome e contato do advogado da socióloga responsável pelo caso. O mesmo aconteceu com a Assessoria de Imprensa da Tegma Gestão Logística e do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg).

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2 comentários sobre "Polícia Federal abala cartel com diligência criminal na residência de Daniela Medioli"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    BOM DIA A TODOS QUE SEMPRE ACOMPANHAM ESTE BRILHANTE PORTAL.
    SÓ TEMOS QUE PARABENIZAR A PF E TODOS OS ÓRGÃOS JUDICIAIS POR ESSAS AÇÕES.
    CONTRA OS FATOS, NÃO HÁ RESISTÊNCIA PARA ESSES INVESTIGADOS PELOS CRIMES QUE PRATICARAM AO LONGO DE TANTOS ANOS CONTRA A NOSSA NAÇÃO BRASILEIRA.
    É INCRÍVEL VERMOS QUE O LÍDER DESSA FACÇÃO CRIMINOSA DO CARTEL DOS CEGONHEIROS, TENHA COLOCADO SUA FILHA NO COMANDO DE SUA EMPRESA, SÓ PARA SE LIVRAR DE UM PROCESSO DE IMPEACHMENT DE SUAS FUNÇÕES POLÍTICAS, MAS NÃO EXISTE DEFESA. TUDO JÁ ESTÁ DEFINITIVAMENTE CONFIRMADO.
    SENDO ASSIM, TODAS AS SUAS TRANSPORTADORAS, BEM COMO A TEGMA (ALEMÃ), E QUAISQUER OUTRAS QUE INTEGRAM ESSE CARTEL, TAMBÉM JÁ DEVERIAM TER SEUS RESPECTIVOS “ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO”, CASSADOS HÁ MUITO TEMPO. E ESSE SINDICATO PATRONAL QUE SE DENOMINA COMO “NACIONAL”, INCONSTITUCIONALMENTE, TAMBÉM DEVERIA TER SIDO FECHADO, HÁ MUITO TEMPO. FATO ESSE JÁ COMENTADO ANTERIORMENTE.
    FIM DA LINHA PARA TODOS.
    NADA MAIS A COMENTAR.
    SALVEM NOSSO BRASIL!

  2. Zenaide Moreira disse:

    Este homem trouxe de sua origem uma doença gananciosa para o nosso país. O enriquecimento exorbitante de qualquer empresa há de ser investigado pois atrás de grande bilionário existe grande perda da saúde mental e esforço físico de trabalhadores que enriquecem o cofre e o bolso do patrão que tem a coragem de citar aos quatro ventos que não come carne para manter a saúde e sugestionar que o povo deveria fazer o mesmo. Sabendo que o seu trabalhador mal consegue no fim de mês comprar o pão. Encerro citando o que minha avó dizia: “A terra está jurada a prestar contas sobre o que se passa em cima dela”. Mulher de pouca instrução e muita sabedoria também nos ensinou que “se o bem não perdura, o mal não há de triunfar”. Que a justiça seja feita e que esse câncer do Brasil seja extirpado.

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