Polícia Federal, Gaeco e Cade avançam na busca de provas para desarticular o cartel dos cegonheiros

A Segunda fase da Operação Pacto mostrou o empenho das três autoridades em pôr um ponto final na associação criminosa que controla o bilionário setor de transporte de veículos novos desde os anos 2000. Além dos sistemáticos ataques à livre concorrência, o conluio entre transportadoras e sindicatos causa prejuízo superior a R$ 4 bilhões por ano aos consumidores.

De São Paulo

Cerca de um mês antes de completar quatro anos das buscas e apreensões em quatro estados – 17 de outubro de 2019 – a Polícia Federal deflagrou na terça-feira (29) a Operação Ciconia, um desdobramento da Operação Pacto. Em parceria com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), policiais federais apreenderam documentos, equipamentos eletrônicos e telefones móveis em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Desta vez, os investigadores alcançaram o braço operacional da organização exercido pelo Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg). Nas buscas anteriores, chegaram ao sistema nervoso central do grupo. 

Ao contrário das diligências criminais autorizadas pela Justiça na operação anterior, dessa vez PF, Gaeco e Cade não convocaram entrevista coletiva para dar maiores esclarecimentos a respeito do cumprimento dos mandados. O grupo averiguado e alvo das últimas duas operações está permitindo às autoridades brasileiras montar o quebra-cabeças e chegar à cúpula da organização criminosa, conhecer seu modus operandi e identificar o comando do esquema criminoso. As investigações e denúncias apontam para uma associação criminosa formada por pessoas e empresas, e agora com o suposto envolvimento do Sinaceg que, de acordo com o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, exerce o papel político do esquema. São os integrantes da entidade patronal que programam, organizam e colocam em prática ações grevistas para evitar o ingresso de novos agentes econômicos no mercado. A situação persiste desde os anos 2000, quando as primeiras investigações se iniciaram.

O Sinaceg foi condenado em ação civil pública ajuizada pelo MPF-RS na Justiça Federal gaúcha em 2016. Pela prática de formação de cartel no setor de transporte de veículos novos, a entidade patronal dos cegonheiros ficou proibida de atuar nos estados onde possuem sindicatos da mesma categoria organizados. Além disso, houve aplicação de multa de R$ 300 mil a serem corrigidos desde a data da condenação. Com a entidade, e integrantes do mesmo esquema, a General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior (diretor da montadora na época) e a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) também foram condenados. Ao total, deverão pagar multa superior aos R$ 505 milhões, em valores atualizados até 2019.

À reportagem, a assessoria de Imprensa informou:

“Por ora o Sinaceg não comentará assuntos em andamento no judiciário.”

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Um comentário sobre "Polícia Federal, Gaeco e Cade avançam na busca de provas para desarticular o cartel dos cegonheiros"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    Srs. Juízes dessas causas.
    Chegou o fim da linha para essa facção criminosa e o tal de Sinaceg, que se intitula como Nacional, já deveria ter sido proibido de operar como “Sindicato”, por descumprir as nossas Leis Constitucionais e, tais multas devem ser corrigidas também.
    Por quê será que ainda não chegaram ao grande líder dessa Facção Criminosa, denominado como o “Cartel dos Cegonheiros”, que é Prefeito de Betim-MG, e que nem precisamos mais citar seu nome, não é mesmo?
    Salvem nossa Nação Brasileira!
    Todos os Cartéis aqui existentes devem ser punidos e cancelados mesmo!
    Esse Portal da Livre Concorrência, com essas matérias sempre brilhantes, também merece todo meu respeito! Parabéns para o Editor Chefe, Sr. Ivens Carús!

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