Prejuízo suportado por compradores de veículos zero-quilômetro supera os R$ 2 bilhões no primeiro semestre

Alinhada ao cartel dos cegonheiros, a FCA-Fiat-Jeep – atualmente Stellantis – liderou as vendas internas e, por consequência, manteve o primeiro lugar na cobrança de ágio aos consumidores. O prejuízo imposto pela marca chegou aos R$ 578,6 milhões e atingiu 270,2 mil compradores. O valor total que atinge a maioria das montadoras coniventes com o esquema ilícito refere-se ao sobrepreço resultante da falta de concorrência no bilionário setor de transporte de veículos novos. O prejuízo é totalmente repassado aos consumidores.

De São Paulo

A exemplo do que tem ocorrido nos últimos 20 anos, os compradores de veículos (e comerciais leves) zero-quilômetro espalhados por todo o país absorveram, no último semestre (janeiro a junho) deste ano, um ágio de R$ 2.102.321.361,00. O montante deve-se ao sobrepreço imposto pelo cartel dos cegonheiros com a conivência da expressiva maioria das montadoras com plantas no Brasil. A causa do prejuízo é a falta de concorrência no bilionário setor de transporte de veículos novos. Apesar dos esforços das autoridades constituídas, a prática ilegal continua de vento em popa. Nos primeiros seis meses deste ano, as montadoras alinhadas repassaram ao esquema ilícito nada menos do que R$ 5,3 bilhões a título de logística e frete para transportar 843.797 veículos.

MontadorasUnidades
emplacadas
Valor pago
pelos fretes
(em R$)
Ágio (em R$)
Fiat/Jeep270.2701,4 bilhões578,6 milhões
GM148.981781.1 milhões312,4 milhões
VW + MAN139.304737 milhões294,8 milhões
Toyota88.171730,2 milhões292,1 milhões
Hyundai (cartel)22.03576,1 milhões0
Renault53.020232,9 milhões93,1 milhões
Honda34.109218 milhões87,2 milhões
Nissan31.631189 milhões75,6 milhões
Citröen14.24756,3 milhões22,5 milhões
Peugeot14.15257,5 milhões23 milhões
Ford12.199130,8 milhões52,3 milhões
Mitsubishi7.51386,9 milhões34,7 milhões
BMW/Mini6.731110,3 milhões44,1 milhões
RAM4.63388,3 milhões35,3 milhões
Volvo3.98969,7 milhões27,8 milhões
M.Benz3.09660,1 milhões24 milhões
Audi2.87445,8 milhões18,3 milhões
Porsche1.733108,6 milhões43,4 milhões
GWM2.16223,2 milhões9,3 milhões
Land Rover1.73351,9 milhões20,7 milhões
BYD1.20413,5 milhões5,4 milhões
Jaguar/F-Type41958,9 mil383,5 mil
McLaren/Artura282,6 milhão1 milhão
Iveco1.05113,5 milhão5,4 milhões
Totais865.8325,3 bilhões2,1 bilhões

Só em três montadoras (Stellantis, GM e Volkswagen-MAN, responsáveis por 558,5 mil emplacamentos), o cartel dos cegonheiros abocanhou, a título de logísitica e frete R$ 2,9 bilhões. Desse valor, R$ 1,18 bilhão de ágio, repassados integralmente aos compradores das três marcas. O levantamento de dados feito pela reportagem do site Livre Concorrência leva em conta os números revelados oficialmente pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) e a equação montada pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, aliadas às informações da Polícia Federal, Gaeco e Cade. Segundo o MPF-RS, o frete representa 4% do valor do veículo e o ágio representa 25%. A Polícia Federal, Gaeco e Cade subestimaram esse percentual e anunciaram, em entrevista coletiva, que esse percentual chega até a 40% a mais no valor do frete.

Ações penais, ação civil pública, investigações e demais desdobramentos não impedem o avanço do cartel e o modus operandi que causa lesão aos consumidores e à livre concorrência. A Operação Pacto, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2019, com a participação do Ministério Público de São Paulo (Gaeco) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também não inibiu a ação do cartel dos cegonheiros. Da mesma forma, o inquérito administrativo em andamento na sede da autoridade antitruste, que investiga prática de infrações à ordem econômica – formação de cartel – não é capaz de reduzir o ímpeto da organização criminosa – segundo o Gaeco e a Polícia Federal -, que detém o apoio das grandes montadoras, a exemplo da General Motors, Stellantis, Volkswagen, Renault, Peugeot/Citroen, NIssan e BMW, entre outras.

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen

Um comentário sobre "Prejuízo suportado por compradores de veículos zero-quilômetro supera os R$ 2 bilhões no primeiro semestre"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    MUITO BRILHANTE MESMO ESSA NOVA MATÉRIA.
    REALMENTE ESSA FACÇÃO CRIMINOSA, DENOMINADA O “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, COMANDADA POR UM POLÍTICO, QUE NEM PRECISAMOS MAIS CITAR SEU NOME, QUE É O PREFEITO DE BETIM-MG, JÁ CAUSOU MUITOS PREJUÍZOS A NOSSA NAÇÃO!
    SENDO ASSIM, COMO JÁ TENHO DITO HÁ VÁRIOS ANOS, BASTA A JUSTIÇA CANCELAR OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DESSAS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS VINCULADAS AO SISTEMA, PARA QUE ASSIM SEJA EXTINTO ESSE CARTEL, DEFINITIVAMENTE, DE NOSSO BRASIL!
    CUMPRAM AS LEIS, SRS. DESEMBARGADORES E JUÍZES.
    ASSIM SEJA!
    A MÍDIA NUNCA RELATA ESSES CRIMES HEDIONDOS, NÃO ENTENDO O POR QUÊ!

Os comentários estão encerrados