Quatro empresas recebem multas de R$ 150 milhões por práticas anticompetitivas no aeroporto de Guarulhos

Decisão do Tribunal do Cade surgiu após investigação de parte do setor de distribuição de combustíveis de aviação no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Autoridade antitruste concluiu que as empresas são responsáveis por práticas anticompetitivas.

De Brasília

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) condenou, na sessão da última quarta-feira (9), as empresas Air BP, BR Distribuidora (atualmente Vibra), Raízen e a Concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos, por práticas anticompetitivas no mercado de combustíveis de aviação no aeroporto de guarulhos. O órgão determinou o pagamento de multa no valor de aproximadamente R$ 150 milhões

A investigação foi instaurada em 2014 pela Superintendência-Geral do Cade, a partir de representação da Gran Petro, distribuidora de combustíveis que concorre com as distribuidoras investigadas, visando a apurar a ocorrência de duas possíveis infrações à ordem econômica. A primeira delas consistia em suposta recusa de contratação de cessão de espaço, por parte da Raízen, em base primária de distribuição de Querosene de Aviação (“QAv”), no entorno da Refinaria de Paulínia (“Replan”). A segunda conduta consistia em suposta imposição de barreiras artificiais à entrada e de dificuldades ao acesso à infraestrutura essencial, por parte das distribuidoras Air BP, BR e Raízen e da Concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos, no referido aeroporto.

O caso foi encaminhado para o Tribunal do Cade, para apuração e julgamento, após a Secretaria-Geral da autoridade antitruste ter opinado pelo arquivamento em relação à primeira conduta e pela condenação das quatro empresas investigadas em relação à segunda conduta. 

Após o Conselheiro Relator Luiz Hoffmann ter proferido seu voto pelo arquivamento em relação a ambas as condutas, houve o pedido de vistas do Conselheiro Luis Braido, que abriu divergência e votou pela condenação das empresas investigadas no tocante à segunda conduta. 

Na sessão de julgamento ocorrida no último dia nove, a conselheira Lenisa Prado trouxe a julgamento seu pedido de vistas, acompanhando o voto relator. Na sequência, os conselheiros Gustavo Augusto, Victor Fernandes e Sérgio Ravagnani apresentaram seus votos pela condenação da Air BP, BR e Raízen no que diz respeito à segunda conduta, tendo o conselheiro Gustavo Augusto apresentado divergência no tocante à dosimetria a ser aplicada. 

Segundo o entendimento majoritário do Tribunal, a Air BP, BR, Raízen e a Concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos se recusaram a admitir a entrada da Gran Petro no pool que opera a base de distribuição de combustíveis de aviação no referido aeroporto, base esta considerada como uma infraestrutura essencial para operar no local.

Dessa forma, entendeu-se que as empresas investigadas impuseram dificuldades à entrada da concorrente no mercado de distribuição de combustíveis de aviação no aeroporto de Guarulhos, sem justificativa razoável para fazê-lo, acarretando infração à ordem econômica, nos termos da Lei 12.529/2011. 

O decano da corte, conselheiro Sérgio Ravagnani, defendeu a dosimetria utilizada na análise realizada pelo conselheiro Luis Braido. Para Ravagnani, o método é bastante assertivo e todos os ajustes na base de cálculos asseguram a proporcionalidade dos valores das multas, além de fazer justiça aos critérios das normas do condomínio e participações de mercado. 

Por maioria, o plenário determinou a condenação das organizações com aplicação das respectivas multas:
R$ 62.290.894,61 – BR Distribuidora;
R$ 61.713.350,08 – Raízen
R$ 26.758.338,99 – Air BP
R$ 2.087.534,56 – GRU Airport

O Tribunal também decidiu que sua decisão fosse notificada à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), acompanhada de cópia da versão pública do voto condutor.

(Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Cade.)

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