Sinaceg nega que tenha visitado Lula e Renan Calheiros em busca de apoio político para arquivar inquérito no Cade

A entidade patronal rebate informação de fontes do setor sobre possível tráfico de influência política com vistas ao arquivamento de inquérito administrativo que investiga prática de infrações à ordem econômica – formação de cartel – no bilionário setor de transporte de veículos novos na esfera do Cade.

De São Paulo

Ao manifestar-se a respeito das visitas políticas ocorridas nos últimos meses, o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (SInaceg) argumenta que “as visitas a autoridades fazem parte do papel institucional” da entidade. Embora tenham ocorrido após a Polícia Federal, Cade e Gaeco (SBC) vasculharem a sede do sindicato e a residência do presidente José Ronaldo Marques da Silva, o Boizinho, no âmbito da Operação Ciconia, a entidade patronal, que representa empresários do ramo dos cegonheiros, nega qualquer vinculação política e atribui o fato a uma “tentativa de criminalizar o papel institucional dessas entidades”. A Federação Interestadual dos Cegonheiros (Feiceg), que tem como vice-presidente Ronaldo Marques da Silva, filho de Boizinho, também participou das duas reuniões.

O SInaceg publicou recentemente na home page do sítio eletrônico foto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto de abertura/sítio Sinaceg), e de uma visita ao gabinete do senador Renan Calheiros. O material também está disponível na Revista Cegonheiro, editada pelo Sinaceg, e também ganhou as redes sociais. Pelo menos quatro fontes do setor de transporte de veículos novos, duas delas bem próximas ao sindicato e uma associada à entidade patronal, revelam que as visitas possuem conotação política e “visam buscar apoio para que o inquérito administrativo em andamento no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), receba parecer pelo arquivamento”.

O sindicato, condenado em segunda instância pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por formação de cartel no bilionário setor de transporte de veículos zero-quilômetro (há recursos pendentes no STJ) junto com a General Motors do Brasil, Luiz Moan Yabiku Júnior, Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV), considera que as “informações em off são meras tentativas de usar o Livre Concorrência para criar ruído e manter o ataque à imagem do sindicato, uma vez que as acusações contra os cegonheiros são, como sempre têm sido, absurdas e injustas”. A alegação da entidade patronal não espelha a realidade e está frontalmente contra a posição do Gaeco, Polícia Federal e Cade, autoridades que pensam diferente do Sinaceg.

Mais adiante, o Sinaceg acrescenta:

“Constantemente, diretores de vários sindicatos se reúnem com parlamentares, ministros, governadores e até com o Presidente da República para tratar de assuntos de interesse das categorias que representam e o do País. Tentar criminalizar o papel institucional dessas entidades – Sinaceg e Feiceg -, principalmente com o uso de fontes anônimas, excede o direito à crítica.”

A reportagem tentou ouvir a manifestação do presidente Lula, mas não obteve retorno até o fechamento da edição. O gabinete do senador Renan Calheiros, negou-se a informar o nome e o contato do assessor de imprensa do parlamentar.

Eis a íntegra da manifestação do Sinaceg:

“Além de inverídicas, as ditas informações em off são meras tentativas de usar o Livre Concorrência para criar ruído e manter o ataque à imagem do sindicato, uma vez que as acusações contra os cegonheiros são, como sempre têm sido, absurdas e injustas. As visitas a autoridades fazem parte de nosso papel institucional. Constantemente, diretores de vários sindicatos se reúnem com parlamentares, ministros, governadores e até com o Presidente da República para tratar de assuntos de interesse das categorias que representam e do País. Tentar criminalizar o papel institucional dessas entidades, principalmente com o uso de fontes anônimas, excede o direito à crítica.”

Nota da Redação:

O site Livre Concorrência esclarece, mais uma vez, que não cria fatos. Os narra. O Sinaceg, em duas oportunidades, tentou atribuir ao site Livre Concorrência e ao editor, jornalista Ivens Carús, a publicação de matérias caluniosas e/ou injuriosas, além de ser o responsável, no Cade, de representação por sham litigation – uso excessivo de ações judiciais com fins anticoncorrenciais. Na Justiça do Rio Grande do Sul, a ação foi rejeitada, transitada em julgado, tendo em vista a estranha falta de interesse do Sinaceg em apresentar recurso. No Cade, a denúncia já recebeu dois arquivamentos. Após o primeiro (14.01.2020), o Sinaceg manteve reunião de gabinete com o então conselheiro Maurício Oscar Bandeira Maia. O superintendente-geral Alexandre Cordeiro Macedo, igualmente foi visitado pelo advogado Laércio Farina, representando o Sinacg em 13.04.2019. Quatro meses depois, um despacho do presidente Alexandre Barreto de Souza determinou a reabertura do procedimento preparatório, o qual foi mais uma vez arquivado em 19 de abril de 2023, por falta dos mínimos indícios para embasar a instauração de inquérito ou processo administrativo, segundo a equipe técnica do Cade. Houve novo recurso ainda não analisado pela autoridade antitruste.

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Um comentário sobre "Sinaceg nega que tenha visitado Lula e Renan Calheiros em busca de apoio político para arquivar inquérito no Cade"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    Pois é nobres amigos.
    Enquanto houver brechas judiciais para que essa Facção criminosa (O Cartel dos Cegonheiros), continue em plena atividade, causando vários crimes contra a nossa Nação Brasileira, eles não vão parar.
    É por esse motivo que eu sempre tenho dito, que a única entidade Jornalística, brasileira, que edita esses crimes, é esse Portal mesmo.
    Eles só vão parar após serem multados e terem todos os respectivos “Alvarás de Funcionamento”, das Transportadoras de veículos, vinculadas ao sistema, cancelados.
    DURA LEX, SED LEX!
    Srs. Juízes dessa causa, instruam ao atual Presidente da nossa República, para que ele não apoie esses “Criminosos”, em questão!
    Assim esperamos!

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