Superfaturamento nos fretes garante gastos extras e milionários

As constatações feitas pelo Ministério Público Federal e pela Operação Pacto, de que a falta de concorrência no setor de transporte de veículos novos impõe ágio de até 40% nos preços dos fretes, pode explicar a garantia de gastos extras superiores a R$ 329 milhões, conforme operações abaixo.

Os gastos extras na casa dos milhões de reais que envolvem o conturbado setor de transporte de veículos novos inevitavelmente integram equações matemáticas precisas e podem ser, por conta disso, explicados. No Rio Grande do Sul, o Ministério Público Federal – autor da ação que condenou a General Motors do Brasil, seu diretor (à época) Luiz Moan Yabiku Júnior, o Sindicato dos Cegonheiros de São Paulo (SInacg) e a Associação Nacional das Empresas Transportadoras de Veículos (ANTV) – constatou que por conta da falta de concorrência há cobrança de ágio da ordem e 25% nos preços dos fretes. Já em outubro de 2019, a Operação Pacto, deflagrada pela Polícia Federal – em parceria com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e Gaeco – atestou que esse ágio pode chegar a marca dos 40% pelos mesmos motivos apontados pelo MPF. Esse sobrepreço causa um prejuízo superior a R$ 2 bilhões por ano aos consumidores.

Gasto extra 1
A partir do ingresso mais vigoroso da Júlio Simões nesse mercado – com a aquisição da Transmoreno, por meio de operação que contou com a aprovação sumaríssima do Cade – houve o compromisso firmado de que em 2025 (cinco anos após a concretização do negócio), os antigos donos da empresa adquirida ganharão um prêmio de 10 milhões. No próprio Fato Relevante apresentado ao mercado pela JSL é revelado que a Transmoreno, em 2019, ao transportar 100 mil veículos, obteve um lucro líquido de nada menos do que R$ 38,3 milhões, ou seja, R$ 380 por veículo, na média, para repassar as cargas para terceirizados associados ao Sinaceg. Para alcançar o objetivo do prêmio é necessário lucro extra de R$ 2 milhões líquidos por ano.

Gasto extra 2
Recentemente, a JSL anunciou, também em Fato Relevante ao mercado, a proposta de compra de ações da Tegma Gestão Logística. Em meio ao comunicado, há citação de promessa de pagamento de prêmio a acionistas que pode chegar aos R$ 300 milhões. No mesmo documento, a JSL argumenta o que chama de “mercado pulverizado”, referindo-se ao setor de logística, uma vez que o carro-chefe da Tegma está no mercado de transporte de veículos novos para montadoras, o que é, segundo as autoridades, cartelizado.

Gasto extra 3
Antes do episódio do ingresso da JSL com maior força no setor, cegonheiros-empresários associados ao Sinaceg decidiram, em reunião, arrecadar cerca de R$ 7,5 milhões entre as 3.700 frotas em operação. Cada uma – em abril de 2020 – se comprometeu a contribuir com quatro parcelas de R$ 500, totalizando R$ 2 mil, para pagar prejuízos de 25 caminhões-cegonha incendiados criminosamente no final do mês de fevereiro daquele ano num pátio localizado em São Bernardo do Campo (SP).

Gasto extra 4
Recentemente, o Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo (SIntraveic-ES), outro alvo da Operação Pacto, decidiu arrecadar R$ 200 mil de cada uma das 60 frotas associadas à entidade. Os descontos estão sendo feitos na ordem de 10% do faturamento bruto – quinzenal – de cada frotista, o que resultará na arrecadação de outros R$ 12 milhões. Os recursos, segundo denúncia recebida pelo site Livre Concorrência, serão destinados ao pagamento de honorários para a defesa da entidade classista patronal que está sob investigação e na defesa de associados acusados de participação em incêndios criminosos de caminhões-cegonha de transportadoras concorrentes às acusadas de formação de cartel.

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Um comentário sobre "Superfaturamento nos fretes garante gastos extras e milionários"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    PARECE ATÉ SER UMA “NOVELA”, OU UM “FILME DE TERROR”, ESSA HISTÓRIA CRIMINOSA DESSE CARTEL.
    ELES CONSEGUEM HÁ TODO INSTANTE, BURLAR AS LEIS, SE FAZENDO ATÉ DE VÍTIMAS, ATÉ MESMO COOPTANDO AS MONTADORAS, QUE POR MEDO DE REPRESÁLIAS (INCÊNDIOS EM SEUS PRODUTOS, ORA FABRICADOS), FIQUEM TAMBÉM COM ESSES PREJUÍZOS!
    A JSL, AO MEU VER, JAMAIS PODERIA ACEITAR PROPINAS DESSA ENTIDADE CRIMINOSA. ASSIM ESPERO.
    ESSE CARTEL DEVERIA TER SIDO EXTINTO HÁ MUITO TEMPO E, SEUS COMANDANTES, BEM COMO OS INTEGRANTES, QUE CRIMINOSAMENTE INCENDIARAM CARRETAS DA CONCORRÊNCIA, DEVIDAMENTE PRESOS, SEJAM ELES QUEM FOREM!
    ESSE SETOR DE TRANSPORTE DE VEÍCULOS NOVOS PRODUZIDOS EM NOSSO PAÍS, JÁ ERA PARA TER SIDO MORALIZADO HÁ MUITO TEMPO, ONDE SÓ QUEM FICOU COM OS PREJUÍZOS FORAM OS CONSUMIDORES FINAIS E AS DEMAIS TRANSPORTADDORAS NÃO VINCULADAS AO SISTEMA.
    VAMOS AGUARDAR PARA VER ATÉ ONDE ISSO VAI CONTINUAR A EXISTIR EM NOSSO PAÍS!
    NADA PODEMOS FAZER, ALÉM DISSO!
    “QUE DEUS SEJA LOUVADO!”

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