Cartel impõe prejuízo de R$ 100,9 milhões aos consumidores da marca Renault em 2017

A conivência da montadora Renault do Brasil com o modus operandi da associação criminosa que controla o setor de transporte de veículos novos impôs aos consumidores da montadora francesa um prejuízo que chegou a marca dos R$ 100.999.575,00 ao longo de 2017. O cálculo do custo pago a mais pelos compradores baseia-se na equação montada pelo Ministério Público Federal (MPF). A fórmula integra a apelação, em tramitação no Tribunal Regional Federal da 4ª Região, da sentença que condenou a General Motors do Brasil, Luiz Moan, ANTV e Sinaceg, por formação de cartel no escoamento da produção de veículos.

25-de-abril-de-2018_renault2

Em 2017, os consumidores da Renault que compraram os 166.981 veículos (automóveis e comerciais leves) acabaram pagando, embutido no preço do bem, 25% a mais no valor do frete, por conta da ausência de concorrência no setor. Transportadores do cartel abocanharam R$ 403,9 milhões em frete nesse período.

Ágio no frete chega a 25% dos valores praticados fora do cartel
De acordo com o MPF, cegonheiros filiados ao Sinaceg, agregados aos dois principais grupos econômicos, Sada e Tegma, cobram sobrepreço equivalente a um quarto do valor do frete. Os dois grupos econômicos têm como braço político o Sinaceg. O conluio entre empresas e sindicato mantém o mercado fechado, impede o ingresso de novos agentes econômicos e inibe a livre concorrência.

A cada mês, os consumidores da marca Renault amargaram prejuízo equivalente a R$ 8,4 milhões, ou R$ 382,5 mil por dia útil. Com esse valor pago a mais, seria possível adquirir nada menos do que 3.300 veículos Clio, o mais barato da montadora francesa, que tem fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná. Por mês, o prejuízo alcança o equivalente a 274 modelos Clio – ou 12,5 carros por dia.

Alinhamento ao cartel
A exemplo de outras tantas, a Renault do Brasil mostra-se alinhada ao chamado cartel dos cegonheiros. Em agosto de 2013, a operadora de logística Catlog divulgou internamente que estava em vias de contratar nova transportadora. Os cegonheiros (empresários) filiados ao Sinaceg (ex-Sindicam, já condenado em 1ª instância por formação de cartel) deflagraram greve de patrões, denominada locaute. A manifestação, semelhante a que ocorreu em dezembro do ano passado na Volkswagen, fez com que a Renault recuasse e suspendesse a contratação de novo agente econômico. O cartel continua até hoje transportando veículos da montadora e impondo prejuízos milionários aos consumidores da marca, com a conivência da Renault do Brasil.

ANTV BID da Volkswagen Cade Cartel dos cegonheiros Fiat Ford Formação de cartel Gaeco GM Incêndios criminosos Jeep Justiça Federal Luiz Moan MPF Operação Ciconia Operação Pacto Polícia Federal Prejuízo causado pelo cartel Sada Sinaceg Sindicam Sintraveic-PE Sintravers STJ Tegma Tentativa de censura Transporte de veículos Transporte de veículos2 Transporte de veículos novos TRF-4 Vittorio Medioli Volkswagen