Tegma insiste na tentativa de enganar o Cade e arrastar inquérito que investiga participação da empresa em cartel

Um dos alvos da Operação Pacto, a Tegma, uma das maiores operadoras de logística do país, age para atrasar ainda mais o andamento de inquérito administrativo que investiga a formação de cartel no bilionário setor de transporte de veículos novos. Documentos acostados aos autos comprovam que a ação penal está em ritmo acelerado, o que é negado pela empresa, numa flagrante tentativa de enganar a autoridade antitruste.

De Brasília

A Tegma Gestão Logística, empresa de capital aberto com papeis negociados na Bolsa de Valores, tem se movimentado no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), visando atrasar ainda mais o andamento do inquérito que investiga o cartel dos cegonheiros. Alvo de diligências criminais de busca e apreensão deflagradas durante a Operação Pacto (foto de abertura), a empresa insiste em defender a manutenção da suspensão do andamento dos trabalhos da autoridade antitruste valendo-se de informações atrasadas. E tem conseguido. O Cade já prorrogou em duas oportunidades (60 dias cada uma) o andamento do procedimento, a pedido da Tegma, sem sequer consultar a movimentação do processo que é pública. Petição protocolada pela empresa no dia 10 deste mês afirma que a ação penal movida pelo Gaeco (SBC) que tem três executivos da Tegma como réus está suspensa. O acompanhamento processual mostra o contrário. Desde 12 de dezembro de 2023, o processo já apresentou 94 movimentações, com pelo menos dois despachos comprovando “o regular andamento processual”, conforme confirmam documentos abaixo extraídos do site do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

A Tegma também acusa o editor do site Livre Concorrência, jornalista Ivens Carús, autor do encaminhamento de documento que gerou o inquérito administrativo de “insistente, desmedida e injustificável perseguição aos investigados”. A empresa alega estar em discussão “a higidez” do material apreendido durante a Operação Pacto, o que é rechaçado pelo Gaeco, autor da denúncia contra nove dos 12 indiciados pela Polícia Federal, dentre eles três da Tegma, Elizio Rodrigues da Silva, Marcos Pironato (supostamente desligado da empresa) e Sineas Rodrigues Lial.

Sobre a ação penal em curso na comarca de São Bernardo do Campo (SP), segundo a promotora Fabiana Caroline Motta de Almeida, do Gaeco, a atuação dos réus ligados à Tegma “beira a má fé”. A promotoria revela que ainda durante a investigação, os advogados “tiveram acesso a totalidade dos conteúdos disponibilizados em dois HDs externos. Mesmo assim, os réus insistem na tese de que não tiveram acesso a todo o material apreendido durante as buscas, numa alegação que beira a má fé”.

A representante do MP também acrescenta, em manifestação nos autos:

“Repita-se que todos objetos listados a fls. 4984/4985 estão espelhados, à exceção de 3 agendas (materiais físicos). E, destas agendas, duas já foram devolvidas ao réu Elízio (fls. 4981) e outra, embora ainda permaneça apreendida, foi digitalizada no apenso (fls. 918).”

Sobre a defesa requerer que sejam juntadas cópias de conversas interceptadas, ela responde:

 “Não houve interceptação telefônica no presente caso. Resta claro, portanto, que a alegação da defesa é meramente protelatória e visa única e tão somente impedir o regular curso da marcha processual. Tanto é verdade, que apenas os dois acusados continuam a se bater na tese da necessidade de a suspensão do feito, enquanto os demais réus citados já ofereceram as defesas escritas.”

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Um comentário sobre "Tegma insiste na tentativa de enganar o Cade e arrastar inquérito que investiga participação da empresa em cartel"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É, AMIGOS.
    ESSA TRANSPORTADORA NEM BRASILEIRA É, POIS É ALEMÃ! FAZ PARTE DO CARTEL COMPROVADAMENTE, E É UMA GRANDE TRANSPORTADORA DE VEÍCULOS, QUE ENRIQUECEU MUITO, CAUSANDO SÉRIOS DANOS AOS CONSUMIDORES FINAIS E AS TRANSPORTADORAS QUE NÃO INTEGRAM ESSE CARTEL, JUNTAMENTE COM OUTRAS VÁRIAS TRANSPORTADORAS, ONDE O PROPRIETÁRIO DAELAS TAMBÉM É UM POLÍTIO.
    QUE PAÍS É ESSE, QUE PERMITIU ATÉ OS DIAS DE HOJE, QUE AS TRANSPORTADORAS REALMENTE BRASILEIRAS, NÃO POSSAM TRABALHAR, NO ESCOAMENTO DOS VEÍCULOS NOVOS PRODUZIDOS EM NOSSA NAÇÃO!
    ALÉM DE TER SIDO FECHADO O SINDICATO PATRONAL DESSE CARTEL, TODAS AS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS, JUNTAMENTE COM A TEGMA, DEVERIAM DEIXAR DE ATUAR EM NOSSO BRASIL, QUANDO AS DEMAIS, BRASILEIRAS DE ORIGENS, SÃO IMPEDIDAS DE ATUAR.
    O QUE MAIS PODEMOS COMENTAR, NÃO É MESMO?

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