Telhado de vidro

Desde minha época de adolescente – e já faz um bom tempo – comecei a ouvir esse velho adágio popular: quem tem telhado de vidro jamais pode atirar pedra no do outro. Ao longo dos anos aprendemos que esse dito popular é verdadeiro. Autêntico. Diria até infalível. E está se vivenciando isso atualmente nos movimentos do chamado cartel dos cegonheiros, vergonhosamente até hoje incólume, principalmente pela morosidade do Estado brasileiro. O principal agente desses movimentos chama-se Afonso Rodrigues de Carvalho. Por anos a fio ele denunciou o cartel e após acordo milionário com quem acusava ser “o chefe”, não só aderiu ao esquema, como passou a defendê-lo com unhas e dentes.

Eis que o novo porta-voz chamou para si, e em obediência ao novo patrão, a missão de percorrer o país – começou pela Bahia e por lá parou – denunciando o que passou a chamar de prejuízo provocado aos consumidores colocado em prática pela empresa para a qual prestou serviços por mais de duas décadas. Principal e único alvo do cartel para retomar o controle absoluto do bilionário mercado. E lá se foi o senhor Carvalho, atirando aos quatro ventos sua munição.

Denunciou que a Transportes Gabardo cobrava dos seus motoristas avarias ocorridas no transporte e que os veículos seriam consertados nas concessionárias e vendidos como zero-quilômetro, sem que os compradores tivessem conhecimento. Um escândalo! “Estão lesando os consumidores”, bradou em algumas oportunidades. Mas eis que algo aconteceu. Enquanto o senhor Carvalho denunciava, às escondidas, tipo na calada da noite, agia exatamente da mesma forma.

Chegou ao site Livre Concorrência, que o senhor Carvalho, administrador da Transrdc – empresa que surgiu após o acordo milionário com o novo patrão Vittorio Medioli, dono do grupo Sada – também, nos mesmos moldes de suas “denúncias”, cobrou de um motorista as avarias ocorridas durante o transporte. De maneira idêntica, os veículos danificados foram repintados numa concessionária da marca Renault, localizada no norte do país e vendidos sem que os compradores tivessem conhecimento. Pronto! Não só caiu, mas derreteu a máscara do senhor Carvalho e dos que lhe dão guarida. 

Voltando ao topo, o fato de o cartel dos cegonheiros continuar incólume, lhe assegura ações desse tipo. Resumindo, o cartel pode tudo e quem está fora, ou de alguma forma o combate, dentro da legalidade, não pode nada. A arrogância e a prepotência são instrumentos utilizados por essa associação criminosa para alcançar seus objetivos. Mas mais cedo ou mais tarde, a sociedade e as autoridades constituídas, encontrarão uma forma para dizer não a esses desmandos que assegura o gigantesco prejuízo aos consumidores que atualmente supera a marca dos R$ 3 bilhões por ano.

Ivens Carús – Editor

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Um comentário sobre "Telhado de vidro"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    LAMENTÁVEL ESSES FATOS, MAS É A PURA VERDADE DOS FATOS.
    “QUEM NUNCA ERROU, QUE ATIRE SUAS PEDRAS NOS TELHADOS DOS OUTROS!”
    MUITOS ATIRARÃO, PARA ASSIM SE ESCONDER ATRÁS DA MULTIDÃO, NÃO É MESMO?
    NA MINHA OPINIÃO, A JUSTIÇA É SIM MUITO DEMORADA.
    JÁ SE PASSARAM MUITOS ANOS QUE ESSA FACÇÃO CRIMINOSA DOMINA ESSE MERCADO, DE FORMA ILEGAL E INCONSTITUCIONAL.
    BASTARIA A JUSTIÇA CANCELAR OS RESPECTIVOS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DESSAS TRANSPORTADORAS QUE FORMAM ESSE CARTEL MALÍGNO, PARA ENTÃO SER EXTINTA ESSA MILÍCIA DENOMINADA CARTEL DOS CEGONHEIROS E, TODOS OS SEUS LÍDERES, ASSIM COMO O SINDICATO (BRAÇO FORTE DA FACÇÃO), QUE TAMBÉM SE CONSIDERA COMO “NACIONAL”, SEJAM PUNIDOS DA MESMA FORMA!
    PONTO FINAL PARA ELES!
    BASTA CUMPRIREM AS LEIS!
    ESSE EDITORIAL BRILHANTE, JÁ DISSE TUDO, COM OUTRAS PALAVRAS!
    SÓ NOS RESTA AGORA, AGUARDAR AS SENTENÇAS FINAIS.

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