“Viagens internacionais para campanhas anticoncorrenciais são pagas por Medioli via caixa 2”, diz ex-executivo da Sada

As ações anticoncorrenciais, com denúncias não comprovadas em juízo, levaram a BMW a determinar a exclusão de transportadora gaúcha do escoamento da produção da planta no Brasil. Só o grupo Sada concedeu cinco vagas de transportador ao ex-líder sindical Afonso Rodrigues de Carvalho, emissário do cartel ao exterior.

De São Paulo

Um dos ex-executivos do grupo Sada, desligado após a Operação Pacto, revelou em entrevista exclusiva ao site Livre Concorrência, que “todas as viagens que ele (Afonso Rodrigues de Carvalho) faz são pagas pelo Vittorio (Medioli)”. Indagado pela reportagem se esses pagamentos são realizados diretamente pelo proprietário do grupo Sada, ou passaria pela empresa, a resposta foi rápida: “É caixa 2”.

Ele também cita que após o acordo milionário firmado entre Medioli e Carvalho, o ex-lider sindical que se notabilizou denunciando o cartel dos cegonheiros por quase 20 anos “ganhou cinco vagas” só no conglomerado controlado pela Sada. Em conversas pelo aplicativo WhatsApp, Carvalho chegou a afirmar:

“As vagas que eram para mim, eu vendi pra uma pessoa. Agora estou administrando uma empresa com 12 vagas, com salário que dá pra viver.”

A campanha anticoncorrencial deflagrada por Carvalho, na sede da BMW na Alemanha, levou a montadora a impedir, via operadora de logística, a Transportes Gabardo do escoamento da produção dos veículos fabricados na planta de Araquari (SC), no início de 2023. Estendeu-se a outros países onde há sede de montadoras. Em juízo, as acusações feitas por Carvalho sobre supostas irregularidades cometidas pela empresa para a qual prestou serviços durante mais de duas décadas, de acordo com a sentença de 1º grau, não foram comprovadas.

O ex-executivo disse, contestando, que Carvalho “não vendeu vagas. Ele ainda alugou três ou quatro vagas”, frisa. Ressalta que o assunto sobre essas vagas foi tratado por Alessandro Lacerda, atualmente  vice-presidente de Transporte e Logística do grupo Sada. Recorda o ex-colaborador que Carvalho teria comprado da empresa, dois caminhões que, “na verdade, ele não comprou”. A operação teria envolvido outra pessoa ligada a empresa de caminhões pesados para tentar apagar vestígios da participação da Sada, numa transferência dissimulada. Após o acordo com Medioli, a reportagem apurou que pelo menos dois caminhões foram vendidos por Carvalho à Deva Veículos, controlada pela Sada e que tem Vittorio Medioli como sócio administrador.

Vagas talibãs
O ex-executivo ressalta que o comércio de vagas não se limita ao que acontece na Tegma (houve vazamento de lista de vendas em 2011). No grupo Sada também acontece. Revela que o custo médio das vagas “talibãs” está na ordem de R$ 900 mil, sendo o valor descontado mensalmente “na folha de pagamento do carreteiro”. Explica que o termo “talibã” refere-se às vagas reservas, que carregam quando sobram cargas, eventualmente. “A Polícia Federal já tem tudo isso, talvez falte apenas robustecer as provas documentadas”, acredita, referindo-se a possível depoimento de ex-colaboradores.

Violência em Jacareí
Falando sobre as manifestações violentas que ocorreram em 2018, em frente à fábrica da Caoa-Chery, na cidade de Jacareí (SP), o ex-executivo afirma que em ação judicial, tem conhecimento de que funcionários do grupo Sada deram “falso testemunho”, sendo orientados por dois advogados da empresa que sugeriram “negar tudo”, mesmo tendo conhecimento dos fatos. Assegura que às autoridades poderá “indicar os nomes. Só não faço isso agora por uma questão de segurança não só minha, como das demais pessoas envolvidas”, diz.

O ex-executivo garante que as manifestações violentas ocorridas em Jacareí tiveram um custo de R$ 700 mil, que “foram pagos pelo Sinaceg”, o Sindicato Nacional dos Cegonheiros, um dos alvos de busca e apreensão no âmbito da Operação Ciconia. Cabe ressaltar que a Polícia Federal, apreendeu documentos nas diligências da Operação Pacto, onde houve a comprovação do rateio de custos em manifestação semelhante ocorrida na Bahia, em 2014. Empresas investigadas dividiram entre si o custo de R$ 2,9 milhões. No relatório apreendido pelos federais, há menção, inclusive, de destinação de recursos a integrantes da Polícia Militar, da Polícia Civil e da Polícia Rodoviária Federal. Ao concluir, o ex-executivo promete revelar nomes e maiores detalhes às autoridades.

Nota do Sintrave-GO
Ameaçando com a possibilidade de serem adotadas “medidas jurídicas, judiciais e extrajudiciais”, a secretária do Sindicato dos Cegonheiros de Goiás (Sintrave-GO), encaminhou correspondência eletrônica, duas horas após o deadline estabelecido pela reportagem do site Livre Concorrência. Usando termo como “achacar as fontes”, Luana Fernanda Silva Pires, do departamento administrativo, mistura jornalismo com deveres jurídicos.

Eis a íntegra da mensagem:

“Prezado senhor jornalista,

Não é usual que a imprensa estabeleça prazos tão curtos.

O habitual é no mínimo de 24hrs .

Já acessamos o jurídico e eles nos fizeram saber que esse prazo é irrazoável e que, não cumpre, portanto, os deveres jurídicos exigíveis do profissional do jornalismo.

O senhor Afonso (Rodrigues de Carvalho) está numa reunião e nem eu mesma, que faço parte de sua equipe de trabalho, consegui ser atendida.

O jornalismo responsável não achaca as fontes, muito pelo contrário, busca convívio harmonioso com os dois lados da notícia sempre.

Esperamos que sua conduta jornalística se paute pela ética profissional.

Dentro dessa ética, as opiniões deste lado não lhe faltarão.

Qualquer versão que desrespeite isso será tida por parcial. E medidas jurídicas, judiciais e extrajudiciais, poderão vir a ser tomadas.”

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Um comentário sobre "“Viagens internacionais para campanhas anticoncorrenciais são pagas por Medioli via caixa 2”, diz ex-executivo da Sada"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    NEM PRECISAMOS MAIS COMENTAR NADA, POIS NESSA MATÉRIA EXCELENTE, DESSE PORTAL, JÁ ELUCIDA TUDO, NÃO É MESMO?
    ENTÃO, SRS. ANALISTAS JURÍDICOS, QUE ATUAM NESSE RAMO, SOLICITO-OS QUE ATUEM COMO DETERMINA AS NOSSAS LEIS CONSTITUCIONAIS, PARA BANIR ESSE “CARTEL DOS CEGONHEIROS”, DE ATUAR EM NOSSO BRASIL, POIS OS PREJUÍZOS CAUSADOS, PRINCIPALMENTE AOS CONSUMIDORES FINAIS, QUE JAMAIS TERÃO SEUS VALORES PAGOS, COMO ÁGIOS NAS COMPRAS DE SEUS VEÍCULOS 0(ZERO) KM NAS MONTADORAS ACIMA DESCRITAS, NUNCA SERÃO RESSARCIDOS.
    ESSE MEDIOLI, CONSEGUIU CORROMPER O TRAIDOR DA NOSSA PÁTRIA, MAIS CONHECIDO COMO “MAGAYVER”, E SENDO ASSIM, DEVE SER PROIBIDO DE ATUAR NO RAMO, DEFINITIVAMENTE, ASSIM COMO TODOS OS INTEGRANTES DO SINACEG, QUE SE INTITULA INCONSTITUCIONALMENTE COMO SENDO UM “SINDICATO NACIONAL”.
    REPETINDO O QUE JÁ COMENTEI ANTERIORMENTE, MEDIOLI, JÁ DEVERIA TER SOFRIDO O IMPEACHMENT DE SUAS FUNÇÕES POLÍTICAS, HÁ MUITO TEMPO, TAMBÉM!
    CERTAMENTE AS MONTADORAS, TEMENDO RETALIAÇÕES DO “CARTEL”, SEGUIU RESPECTIVAS INSTRUÇÕES, PARA NÃO TEREM SEUS AUTOMÓVEIS NOVOS QUEIMADOS, COMO JÁ ACONTECEU MUITO ANTERIORMENTE!
    CANCELEM OS ALVARÁS DE FUNCIONAMENTO DE TODAS ESSAS TRANSPORTADORAS DE VEÍCULOS QUE INTEGRAM O SISTEMA CRIMINOSO.
    ASSIM ESPERAMOS!

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