Vice do Sinaceg concorda que vaga possa valer R$ 3 milhões e admite controle das cargas pelo presidente da entidade patronal

Condenado na Justiça Federal do Rio Grande do Sul por participação no cartel dos cegonheiros, o Sindicato Nacional dos Cegonheiros (SInaceg) considera o teor das conversas gravadas como eivadas de bravatas e exibicionismo. A diretoria coloca em dúvida a sobriedade do atual vice-presidente, o qual afirma não lembrar dos motivos ou circunstâncias dos referidos diálogos.

De São Paulo

O teor de outras conversas gravadas pela inventariante Karla Cristina Cavalcante dos Santos e transformadas em atas notariais causou surpresa à diretoria do Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) e ao atual vice-presidente da entidade patronal. Ambos buscam desqualificar os diálogos. O Sinaceg, condenado pela Justiça Federal do Rio Grande do Sul por participação no cartel dos cegonheiros, que teve queixa-crime contra o editor do site rejeitada pela Justiça gaúcha, tenta contestar a importância e atribuir falta de seriedade à pauta. Nos textos transcritos, é revelado que o valor de uma vaga de transportador no bilionário setor custa aproximadamente R$ 3 milhões. Na conversa, o atual vice-presidente, Douglas Santos Silva, assegura que o presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva, mais conhecido como Boizinho, “tem o poder de travar as vagas”. Há ainda, nos diálogos em que o site Livre Concorrência teve acesso com exclusividade, forte ostentação, com revelações de que veículos do tipo Hilux “é carro popular pra cegonha”.

Nos diálogos, o vice-presidente afirma:

“A Pajerinho é pequena, os dois filhos do Boizinho tem. Agora você entenda uma coisa, a Land Rover tá.. Hilux é carro popular… todo mundo tem, mas isso daí foi muito suor… o porque essa disputa… nosso setor muita gente fala, nosso setor é de milhões, eu não acho, nosso setor é de bilhões, não é de milhões, esse setor vale bilhões… então você vê a grandiosidade, você vê pelos carros… você vê pelo nível das pessoas, entendeu? É um desfile por aí, pô… de carro importado, o pessoal vindo montar.”

Reprodução de áudio transcrito e registrado em ata notarial.

Em outra parte do diálogo, Douglas fala à Karla, a respeito do valor de uma vaga:

Karla indaga;

“Então me diz uma coisa… quanto que está custando de verdade uma vaga? Porque um fala um valor… um fala outra…. qual?”

Douglas tenta desviar da indagação;

“O que te falaram? Eu vou confirmar o que te falaram pra depois não falar que saiu da minha boca.”

Karla:

“Não, pois é, me falaram que tá valendo R$ 3 milhões.”

Douglas:

“Pronto!”

Karla:

“Tá valendo tudo isso?”

Douglas:

“Tudo isso.”

Reprodução de áudio transcrito e registrado em ata notarial.

Já sobre o poder do Sinaceg de controlar as cargas das transportadoras, semelhante ao que ocorre no Espírito Santo, referindo-se à Tegma – uma das empresas vasculhadas por policiais federais nas diligências criminais da Operação Pacto, Karla questiona o atual vice-presidente:

“… vocês podem chegar na Tegma e podem conversar e pedir pra parar, não podem? Travar as vagas?”.

Ao que Douglas respondeu:

“Talvez numa conversa sim, o Boizinho tem esse poder.”

Reprodução de áudio transcrito e registrado em ata notarial.

Em abril deste ano, a respeito do valor cobrado por cada vaga de transportador de veículo zero-quilômetro no chamado mercado paralelo, um empresário do Ceará gravou e divulgou em redes sociais, vídeo de 4min45seg na sede do Sinaceg, onde destacou que por conta da “organização” da entidade uma vaga de cegonheiro poderia ser comercializada por até R$ 3,5 milhões. Procurado pela reportagem, o empresário disse ter enfrentado problemas com o material divulgado – sem revelar quais – e disse não se sentir à vontade para comentar o fato. Por conta da situação, ele teve a identidade preservada pelo site Livre Concorrência.

Gaeco SBC

O atual presidente do Sinaceg, José Ronaldo Marques da Silva (Boizinho) está sendo investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) núcleo de São Bernardo do Campo (SP). Junto com ele, o órgão especializado do Ministério Público de São Paulo tem em mira Jardel de Castro, presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Rio de Janeiro. Outro investigado pelos promotores é Waldelio de Carvalho Santos, presidente do Sindicato dos Cegonheiros do Espírito Santo. Somam-se ao grupo, o político – prefeito de Betim (MG) – e empresário Vittorio Medioli, proprietário do grupo Sada e Gennaro Oddone, ex-presidente da Tegma Gestão Logística.

A investigação, de acordo com documentos em que o site Livre Concorrência teve acesso, integrantes da Operação Pacto, promotores estão debruçados, desde 2015, apurando eventual prática de crimes de organização ou associação criminosa, formação de cartel, falsos documentais e tributários e lavagem de dinheiro. A revelação foi feita pelo Gaeco à Polícia Federal de São Paulo.

Leia a íntegra da nota encaminhada pela Diretoria do Sinaceg:

“Os textos reproduzidos são surpreendentes na medida em que a interlocutora do vice-presidente desta entidade tenha levado a sério uma conversa eivada de bravatas e exibicionismo jocoso.

Surpreendente, por igual, que o senhor tenha dedicado alguma atenção a uma conversa – ou reprodução de conversa – que certamente não teria lugar em um ambiente ou condições minimamente sérias.

Não há de se esperar qualquer posicionamento desta entidade ante uma conversa sobre a qual paira dúvidas que tenha sido entabulada por alguém que estivesse sóbrio. Não se identifica ali qualquer referência suficientemente séria para merecer qualquer comentário.

De qualquer forma, parece relevante deixar claro que nem o presidente desta entidade, nem qualquer outro membro da diretoria, detém poder de “trancar”, criar ou modificar vagas seja da transportadora indicada, seja de qualquer outra. 

Era o que tínhamos a responder em relação à sua solicitação.”

Leia a íntegra da manifestação do atual vice-presidente do Sincaeg, Douglas Santos Silva:

“Esta conversa parece ter ocorrido há uns cinco anos, e não me lembro dos seus motivos ou circunstâncias. É inacreditável que tenha sido gravada e reproduzida para qualquer que fosse o fim. O nível de bobagens que se fala ali não pode ser levado a sério por qualquer um que tenha um mínimo de bom senso. Tanto o poder financeiro dos membros do sindicato, quanto o valor de uma vaga e mesmo o “poder” atribuído ao presidente do sindicato naqueles textos, não podem ser considerados mais do que lorotas políticas.”

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4 comentários sobre "Vice do Sinaceg concorda que vaga possa valer R$ 3 milhões e admite controle das cargas pelo presidente da entidade patronal"

  1. LUIZ CARLOS BEZERRA disse:

    POIS É MEUS NOBRES AMIGOS, QUE SEMPRE ACOMPANHAM ESSAS MATÉRIAS BRILHANTES, SÉRIAS E LÚCIDAS, QUANTO AS ATUAÇÕES DESSE CARTEL CRIMINOSO DOS CEGONHEIROS, COMANDADO POR UM ESTRANGEIRO, QUE NEM BRASILEIRO É!
    É CLARO QUE ELES AGORA ESTÃO DESESPERADOS, POIS JÁ SABEM QUE AS SUAS “CASAS, TENDEM A RUIR”, POIS NÃO PODE A JUSTIÇA AMPARAR TANTOS DESMANDOS CRIMINOSOS, PROVOCADOS POR ESSA “ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA”. JÁ NOS ROUBARAM MUITO, POR MUITOS ANOS. NÃO É MESMO?
    AGORA, CERTAMENTE ESTÁ CHEGANDO O “FIM DA LINHA”, PARA TODOS ESSES PODEROSOS CRIMINOSOS!
    CUMPRAM-SE AS LEIS!
    ASSIM ESPERAMOS HÁ MUITO TEMPO!
    SALVEM O NOSSO PAÍS, SRS. JURISTAS DESSAS AÇÕES!

  2. Caio disse:

    Me parece que a verdade enfim está aparecendo…… Essa semana recebi uma mensagem no meu celular de algum companheiro também revoltado com o sistema, e como a mensagem diz, “os verdadeiros operadores desse esquema”. Esse analfabeto tem um patrimônio de centenas de caminhões no nome da empresa……agora começamos a entender esse quebra cabeças. Ainda não engoli a taxa do incêndio meus camaradas. O que me dizem????

  3. angelo disse:

    Concordo.

  4. Caio disse:

    Me parece que a verdade enfim está aparecendo…. essa semana recebi uma mensagem no meu celular de um companheiro que também está recontado com o sistema, e como a mensagem diz, “os verdadeiros operadores desse esquema”. Esse analfabeto tem um patrimônio de centenas de caminhões no nome da empresa… agora começamos a entender esse quebra cabeças. Ainda não engoli a taxa do incêndio meus camaradas.

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